<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Matheus Borges]]></title><description><![CDATA[Escritor de coisas]]></description><link>https://matheusmedeborg.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!N4FQ!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc8a4b6cd-885a-4c20-a7f5-6bfaabd18eb5_1280x1280.png</url><title>Matheus Borges</title><link>https://matheusmedeborg.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Tue, 04 Aug 2026 06:08:55 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://matheusmedeborg.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Matheus Borges]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[matheusmedeborg@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[matheusmedeborg@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Matheus Borges]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Matheus Borges]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[matheusmedeborg@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[matheusmedeborg@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Matheus Borges]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Uivo pós-Flip]]></title><description><![CDATA[&#192; maneira de Allen Ginsberg]]></description><link>https://matheusmedeborg.substack.com/p/uivo-pos-flip</link><guid isPermaLink="false">https://matheusmedeborg.substack.com/p/uivo-pos-flip</guid><dc:creator><![CDATA[Matheus Borges]]></dc:creator><pubDate>Wed, 29 Jul 2026 11:25:47 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DXLN!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4f03d356-48aa-44d3-921f-2f8fc0bc2adb_2176x2901.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Eu vi os expoentes da minha gera&#231;&#227;o destru&#237;dos por cal&#231;adas irregulares, morrendo de fome porque uma refei&#231;&#227;o &#233; cara demais e um pastel sai mais em conta, hist&#233;ricos e ensebados,</p><p>arrastando-se pelas ruas de madrugada, em busca de uma dose violenta de qualquer coisa, incluindo um Jorge Amado,</p><p>ignorando que uma cidade que transforma um escritor num drink &#233; capaz de transformar um escritor em qualquer coisa (e como seria um drink com o meu nome?),</p><p>hipsters com cabe&#231;as de anjo ansiando pelo antigo contato celestial com o d&#237;namo estrelado na arquitetura colonial do Brasil Imp&#233;rio,</p><p>denunciando os prolongados efeitos da escravid&#227;o na sociedade brasileira enquanto admiravam a singela beleza daquelas casinhas irrigadas pelo sangue de escravizados,</p><p>esgotados e de olheiras fundas, partiam (part&#237;amos) de uma conversa sobre literatura para a sobrenatural escurid&#227;o dos sobrados,</p><p>flutuando sobre os tetos da cidade contemplando jazz,</p><p>imaginando que somos mais importantes do que de fato somos, gra&#231;as &#224; nossa vaidade ou nossa inoc&#234;ncia,</p><p>desde j&#225; planejando uma forma de organizar a experi&#234;ncia de estar em Paraty,</p><p>fosse um v&#237;deo para o Instagram ou um texto para o Substack, algo que registrasse o &#233;pico legado de nossa viv&#234;ncia no glorioso ano de 2026,</p><p>quem sabe parodiando um dos poemas mais famosos de todos os tempos,</p><p>tendo passado por universidades de Porto Alegre, Rio de Janeiro, Fortaleza, Bras&#237;lia ou S&#227;o Paulo,</p><p>alucinando os eventos de Paraty &#224; luz de Antonio Candido,</p><p>e que agora lecionamos em universidades de Porto Alegre, Rio de Janeiro, Fortaleza, Bras&#237;lia ou S&#227;o Paulo,</p><p>e correremos o risco de alucinar em sala de aula as ideias de Antonio Candido &#224; luz de Paraty,</p><p>refugiados em pousadas e hostels de encanamento prec&#225;rio, tudo porque vale a pena estar ali e viver o que se vive,</p><p>descobrindo que o autor best seller &#233; um cuz&#227;o</p><p>e que ser cuz&#227;o na verdade n&#227;o &#233; condi&#231;&#227;o para se tornar best seller, mas que tamb&#233;m ser gentil n&#227;o &#233; garantia de boas vendas,</p><p>e que os editores pouco ou nada sabem sobre como &#233; de fato vender livros, afinal entendem mesmo &#233; do fardo de carreg&#225;-los,</p><p>de um lado para o outro, em carrinhos fuleiros que se desequilibram nas passagens estreitas,</p><p>todos n&#243;s comendo fogo e cuspindo veneno, em met&#225;foras indecifr&#225;veis como essa,</p><p>buscando os infinitos efeitos da poesia no cotidiano, e dizendo poemas e citando soci&#243;logos,</p><p>a ponto de n&#227;o sabermos mais o que &#233; literatura ou ci&#234;ncias sociais,</p><p>e bebendo caipirinhas de cortesia enquanto oferecemos nosso livro a um autor que admiramos mas n&#227;o nos ouve com muito entusiasmo,</p><p>ou a um que achamos med&#237;ocre por&#233;m nos deu aten&#231;&#227;o,</p><p>em di&#225;logos nas incompar&#225;veis ruas cegas sem sa&#237;da de nuvem tr&#234;mula,</p><p>com l&#226;mpadas alaranjadas projetando sombras de cachorros vadios,</p><p>nossos companheiros de jornada, os cachorros que vagam pela cidade como se pertencessem ao clube dos literatos,</p><p>talvez pensem algo de valioso a respeito da vida, em sua mudez iletrada,</p><p>eu pr&#243;prio gostaria de ler um poema escrito pelo cachorro troncudinho,</p><p>ou um ensaio do vira-latas de pelo esfiapado,</p><p>ou o romance de forma&#231;&#227;o minuciosamente arquitetado pelo caramelo de pelo curto que, ao receber um afago na cabe&#231;a, se joga no ch&#227;o oferecendo a barriga,</p><p>mas enquanto isso n&#227;o acontece,</p><p>acumulamos livros em nossas bolsas e ecobags,</p><p>escutando o matraquear nas ruas escuras durante o blecaute,</p><p>pensando nos livros que gostar&#237;amos de ter ganhado e naqueles que recebemos sem a menor vontade, aos quais fomos acorrentados e que agora ser&#227;o 200 gramas a mais em nossa bagagem,</p><p>tagarelando fofocas no Areal, especulando sobre t&#233;rminos e trocas de editora,</p><p>comparando termos de contrato, trespassados por lux&#250;ria e vaidade,</p><p>dan&#231;ando no &#233;ter das madrugadas com os fantasmas de Machado de Assis e William Blake,</p><p>observados por Hilda Hilst e Erico Ver&#237;ssimo, esbarrando nos rins espectrais de Leminski, Cam&#245;es e Lispector,</p><p>mendigando aten&#231;&#227;o nos bares e uma sombra de reconhecimento nas discuss&#245;es travadas em mesas,</p><p>n&#227;o sabendo como entrar nas festas privadas em que tudo supostamente acontece</p><p>e que jamais corresponder&#227;o &#224;s nossas expectativas de orgias secretas e bailes eternos,</p><p>n&#243;s que adormecemos em bancos de pra&#231;a, sonhando com gl&#243;ria e inani&#231;&#227;o,</p><p>com a elogiosa resenha na Folha que enfim satisfar&#225; a fome de nossa vaidade,</p><p>sonhando com royalties e noites de aut&#243;grafo, com toda a fortuna cr&#237;tica que nunca leremos,</p><p>nossos sonhos ado&#231;ados por cerveja, vibrando na neblina que se espalha como nossos pensamentos,</p><p>tomando conta da cidade como uma imensa alucina&#231;&#227;o, em que andamos e tateamos &#224; procura de n&#243;s mesmos,</p><p>sem saber que estamos mesmo &#233; nos lugares que deixamos para tr&#225;s ao vir para c&#225;, e nas p&#225;ginas que ainda n&#227;o escrevemos, e nas palavras que nunca escreveremos, e nos livros jamais publicados, com pseud&#244;nimos que nunca teremos,</p><p>estamos nas infinitas hip&#243;teses de nossa vida, habitando os muitos futuros do pret&#233;rito que se descortinam em nossa cabe&#231;a</p><p>enquanto mijamos num banheiro qu&#237;mico &#224;s tr&#234;s da manh&#227;,</p><p>pensando no estrago que um fim de semana pode causar na fatura do cart&#227;o de cr&#233;dito.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DXLN!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4f03d356-48aa-44d3-921f-2f8fc0bc2adb_2176x2901.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DXLN!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4f03d356-48aa-44d3-921f-2f8fc0bc2adb_2176x2901.jpeg 424w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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Foto do autor.</figcaption></figure></div><p></p><div><hr></div><p>Merchan (1): Meu livro <em>Frankito em chamas</em>, vencedor dos pr&#234;mios Jacarand&#225; e Mozart Pereira Soares, est&#225; &#224; venda nas livrarias e tamb&#233;m pode ser encontrado no site da <a href="https://todavialivros.com.br/livros/frankito-em-chamas">Todavia</a> e na <a href="https://a.co/d/051QFyjR">Amazon</a>.</p><p>Merchan (2): Tem um texto na gaveta? Um projeto de escrita em andamento? N&#227;o sabe o que fazer? Estou oferecendo servi&#231;os de leitura cr&#237;tica (para textos em fase de acabamento &#8211; ou quase) e acompanhamento de projetos (para textos em qualquer fase de escrita). Meu foco s&#227;o textos liter&#225;rios (conto, novela, romance) e para o audiovisual (roteiro, argumento). Basta entrar em contato: matheusmedeborg arroba gmail ponto com.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. 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Luiz Antonio de Assis Brasil.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Odisseu chegando ao Hades (Theodoor van Thulden)</figcaption></figure></div><p>Desde ent&#227;o, tenho participado com certa regularidade, &#224;s vezes somente para me envolver no clima da Feira: dialogar com leitores e colegas, circular na Pra&#231;a da Alf&#226;ndega, tomar um chope e, ao avistar o ex-governador Ol&#237;vio Dutra, dizer: al&#225; o ex-governador Ol&#237;vio Dutra.</p><p>Gosto de participar da feira e de organizar eventos com os colegas escritores. Isso tamb&#233;m faz parte da vida liter&#225;ria. Minha principal c&#250;mplice &#233; a Irka Barrios. A Feira j&#225; foi palco de dois ou tr&#234;s dos nossos in&#250;meros bate-papos. Na inesquec&#237;vel edi&#231;&#227;o de 2022, tomamos alguns chopes e ficamos fazendo piada com os golpistas enrolados em bandeiras do Brasil que acampavam em frente ao quartel e queriam se comunicar com extraterrestres. Foi tri.</p><p>Agora, estarei l&#225;, nessa Feira de POA ocorrendo em Paraty, falando de <em><a href="https://todavialivros.com.br/livros/frankito-em-chamas">Frankito em chamas</a></em>, num painel intitulado Rio Grande do Sul em prosa hoje, ao lado dos colegas Taiasmin Ohnmacht e T&#244;nio Caetano. A media&#231;&#227;o ser&#225; feita pelo curador da casa da Feira, Vitor Diel, que ali&#225;s foi o primeiro jornalista que <a href="https://literaturars.com.br/2022/02/24/um-romance-de-alienacao-e-paranoia/">resenhou</a> e depois <a href="https://literaturars.com.br/2022/05/23/simulacros-simulacoes-e-patologias-sociais-modernas-entrevista-com-matheus-borges/">me entrevistou</a> sobre meu romance de estreia, <em>Mil placebos</em>.</p><p>O convite da CRL veio meses atr&#225;s. Por&#233;m, com todos os obst&#225;culos que normalmente est&#227;o associados &#224; produ&#231;&#227;o cultural no pa&#237;s, s&#243; consegui fechar minha ida recentemente, depois de ter corrido atr&#225;s de um recurso disponibilizado pela Secretaria de Cultura do Estado. Da&#237; que vim de &#244;nibus e n&#227;o de avi&#227;o. Mas num avi&#227;o eu n&#227;o teria a oportunidade de ler a travessia de Odisseu pelo Oceano, chegando enfim ao Hades, no exato instante em que o &#244;nibus atravessava a ponte sobre o Rio Negro, cruzando a divisa entre Santa Catarina e Paran&#225;.</p><p>A vida que a gente leva, no meio cultural, &#233; assim mesmo. Ora frustrante, ora excitante, a gente correndo atr&#225;s das coisas, inventando novas formas de aproximar nosso trabalho de um p&#250;blico leitor que a gente nem sabe direito se existe, achando que nada vai dar certo, da&#237; vai acumulando coisas, amizades, experi&#234;ncias em comum, acidentes felizes que se imp&#245;em no caminho e oferecem algum sentido. &#201; uma forma de ver o mundo &#8211; e tamb&#233;m de habit&#225;-lo.</p><p><a href="https://open.substack.com/pub/matheusmedeborg/p/questoes-de-escrita">Na &#250;ltima edi&#231;&#227;o dessa newsletter</a>, fui bastante transparente quanto &#224;s inseguran&#231;as e pensamentos paranoicos que v&#227;o se acumulando com esse of&#237;cio. Hoje fa&#231;o o mesmo com as conquistas e os momentos de alegria.</p><p>Nos vemos em Paraty.</p><div><hr></div><p><em>Rio Grande do Sul em prosa hoje</em></p><p><em>qui 23 jul 2026 | 18h</em></p><p><em>Tr&#234;s nomes de destaque da prosa praticada atualmente no Rio Grande do Sul falam sobre suas obras e suas impress&#245;es sobre o cen&#225;rio da literatura ga&#250;cha contempor&#226;nea. Com T&#244;nio Caetano, Matheus Borges, Taiasmin Ohnmacht e media&#231;&#227;o de Vitor Diel.</em></p><p><em>Local: Casa da Feira do Livro de Porto Alegre</em></p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Questões de escrita]]></title><description><![CDATA[Como &#233; a experi&#234;ncia de ver o livro publicado nas estantes das livrarias?]]></description><link>https://matheusmedeborg.substack.com/p/questoes-de-escrita</link><guid isPermaLink="false">https://matheusmedeborg.substack.com/p/questoes-de-escrita</guid><dc:creator><![CDATA[Matheus Borges]]></dc:creator><pubDate>Sat, 11 Jul 2026 15:12:55 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ey9V!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd63eb05f-c2bf-4624-9191-00a2ba8134f2_1920x1080.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Como &#233; a experi&#234;ncia de publicar um livro? E de publicar um livro por uma editora independente? E de publicar um livro por uma grande editora? E de publicar <a href="https://www.amazon.com.br/Frankito-em-chamas-Matheus-Borges/dp/6556927953">um segundo livro</a>? E de planejar um terceiro enquanto ainda descobrem o segundo?</p><p>Como &#233; a experi&#234;ncia de ver o livro publicado nas estantes das livrarias? Como &#233; a experi&#234;ncia de entrar ao acaso numa livraria e perceber que instintivamente voc&#234; est&#225; procurando seu livro? Como &#233; perceber que ele n&#227;o est&#225; na estante principal dedicada aos mais vendidos? Como &#233; encontrar cinco exemplares do seu livro numa outra prateleira e tentar adivinhar se h&#225; uma rela&#231;&#227;o causal entre o posicionamento desses produtos e a qualidade da sua escrita? Como &#233; n&#227;o saber se est&#227;o mesmo vendendo ou simplesmente acumulando poeira?</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Como &#233; ter resenhas muito positivas do seu livro publicadas no jornal X? E no Y? E como &#233; perceber que isso n&#227;o importa porque voc&#234; ficou obcecado com a ideia de que o livro n&#227;o foi resenhado no jornal Z? Como &#233; perceber que na real ningu&#233;m liga pra jornal tanto assim?</p><p>Como &#233; ter que responder a amigos e familiares que n&#227;o entendem nada do meio liter&#225;rio, quando perguntam como vai o livro? Como &#233; ter uma resposta-padr&#227;o bastante gen&#233;rica (&#8221;t&#225; circulando&#8221;), elaborada estrategicamente para encerrar qualquer conversa, porque no fundo voc&#234; sabe que o que eles querem saber &#233; se voc&#234; ficou rico vendendo livro?</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ey9V!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd63eb05f-c2bf-4624-9191-00a2ba8134f2_1920x1080.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ey9V!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd63eb05f-c2bf-4624-9191-00a2ba8134f2_1920x1080.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ey9V!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd63eb05f-c2bf-4624-9191-00a2ba8134f2_1920x1080.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ey9V!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd63eb05f-c2bf-4624-9191-00a2ba8134f2_1920x1080.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ey9V!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd63eb05f-c2bf-4624-9191-00a2ba8134f2_1920x1080.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ey9V!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd63eb05f-c2bf-4624-9191-00a2ba8134f2_1920x1080.jpeg" width="1456" height="819" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d63eb05f-c2bf-4624-9191-00a2ba8134f2_1920x1080.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:819,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ey9V!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd63eb05f-c2bf-4624-9191-00a2ba8134f2_1920x1080.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ey9V!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd63eb05f-c2bf-4624-9191-00a2ba8134f2_1920x1080.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ey9V!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd63eb05f-c2bf-4624-9191-00a2ba8134f2_1920x1080.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ey9V!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd63eb05f-c2bf-4624-9191-00a2ba8134f2_1920x1080.jpeg 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Flannery O&#8217;Connor. Foi escritora. Uma das minhas preferidas. Ser&#225; que ela tamb&#233;m pensava tudo isso?</figcaption></figure></div><p>Como &#233; perceber que, ao falar de seus livros, os autores de hoje, seus pares, tratam de quest&#245;es puramente tem&#225;ticas? E perceber que essa abordagem possibilita a cria&#231;&#227;o de um curso baseado no livro publicado? Como &#233; perceber que voc&#234; n&#227;o tem vontade de falar em tem&#225;ticas e nem de vender um curso?</p><p>Como &#233; ensaiar mentalmente as mesmas quatro ou cinco coisas interessantes que voc&#234; tem a dizer sobre o livro? E perceber que talvez seja importante ter mais uma ou duas coisas interessantes para dizer? E perceber que talvez, apesar de considerar que escreve coisas interessantes, talvez, talvez, talvez voc&#234; simplesmente n&#227;o seja uma pessoa t&#227;o interessante, com coisas interessantes a dizer sobre as coisas interessantes que escreveu?</p><p>Como voc&#234; se sente ao perceber que todo mundo ao seu redor segue vomitando opini&#245;es terr&#237;veis em espa&#231;os de autocuradoria online? Ao perceber que escritores fazem isso em plataformas como o Substack com o &#250;nico intuito de se fazerem vistos o tempo inteiro? Como voc&#234; se sente quando est&#225; exausto de tanta opini&#227;o e mesmo assim cogita escrever um texto de opini&#227;o sobre estar cansado de opini&#227;o? Como voc&#234; se sente ao perceber que talvez fa&#231;a isso com o intuito de se fazer visto e lembrado? Como voc&#234; se sente ao perceber que somos todos irrelevantes e estamos todos lutando contra a obsolesc&#234;ncia?</p><p>Como &#233; ouvir dos profissionais do mercado editorial que o que falta a todo autor &#233; encontrar seu p&#250;blico nichado e cativ&#225;-lo pelas redes sociais e a partir disso torn&#225;-los leitores fi&#233;is e quem sabe vender a eles um novo curso?</p><p>Como voc&#234; se sente n&#227;o ligando para isso e tornando suas redes um experimento constante? Como voc&#234; se sente viralizando com um v&#237;deo em que interage com o apresentador Gugu Liberato no red room de Twin Peaks e isso provavelmente n&#227;o ajuda a vender sequer um exemplar do seu livro? </p><p>(<a href="https://www.amazon.com.br/Frankito-em-chamas-Matheus-Borges/dp/6556927953">Aquele livro</a>, o mencionado na primeira pergunta). </p><p>Como voc&#234; se sente sabendo que ser&#225; atrav&#233;s da visualiza&#231;&#227;o desse v&#237;deo rid&#237;culo circulando aos milhares que muitos desses espectadores saber&#227;o que voc&#234; existe? E clicar&#227;o no seu perfil? E descobrir&#227;o que voc&#234; &#233; escritor? E pensar&#227;o meu deus do c&#233;u, achei que escritores fossem pessoas s&#233;rias? Como &#233; saber que voc&#234; nunca vai conseguir ser um escritor s&#233;rio? Como voc&#234; se sente sabendo que o Tim Bernardes deu like nesse v&#237;deo?</p><p>Como voc&#234; se sente sabendo que todas essas coisas te causam ansiedade? Como &#233; saber que, sim, ok, fazer literatura &#233; algo como uma voca&#231;&#227;o, mas tamb&#233;m uma fonte inesgot&#225;vel de ang&#250;stias? E como &#233; ter consci&#234;ncia de que foi voc&#234; mesmo quem inventou de se meter com isso? Que ningu&#233;m botou uma arma na sua cabe&#231;a e disse fa&#231;a literatura? Que n&#227;o faria a menor diferen&#231;a se voc&#234; simplesmente parasse? Que o mundo n&#227;o espera nada de voc&#234; e simplesmente n&#227;o liga se voc&#234; publicar ou n&#227;o outro livro? Como voc&#234; se sente tendo dificuldade de imaginar um futuro a partir desse cen&#225;rio? Nesse mundo de futuros t&#227;o imposs&#237;veis? Em que a pr&#243;pria ideia de futuro &#233; uma incerteza?</p><p>Angustiado? Aflito? Frustrado?</p><p>E vai seguir fazendo? Tudo isso? De novo? E de novo?</p><p>Meu deus.</p><p>Ent&#227;o cala a boca e n&#227;o reclama.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!I7UA!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F100adb00-2fb0-488a-b5f6-4d6846ab7a9e_1247x1663.webp" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!I7UA!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F100adb00-2fb0-488a-b5f6-4d6846ab7a9e_1247x1663.webp 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!I7UA!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F100adb00-2fb0-488a-b5f6-4d6846ab7a9e_1247x1663.webp 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!I7UA!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F100adb00-2fb0-488a-b5f6-4d6846ab7a9e_1247x1663.webp 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!I7UA!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F100adb00-2fb0-488a-b5f6-4d6846ab7a9e_1247x1663.webp 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!I7UA!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F100adb00-2fb0-488a-b5f6-4d6846ab7a9e_1247x1663.webp" width="292" height="389.41138732959104" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/100adb00-2fb0-488a-b5f6-4d6846ab7a9e_1247x1663.webp&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:1663,&quot;width&quot;:1247,&quot;resizeWidth&quot;:292,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!I7UA!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F100adb00-2fb0-488a-b5f6-4d6846ab7a9e_1247x1663.webp 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!I7UA!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F100adb00-2fb0-488a-b5f6-4d6846ab7a9e_1247x1663.webp 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!I7UA!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F100adb00-2fb0-488a-b5f6-4d6846ab7a9e_1247x1663.webp 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!I7UA!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F100adb00-2fb0-488a-b5f6-4d6846ab7a9e_1247x1663.webp 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Eu e o livro <em>Frankito em chamas</em></figcaption></figure></div><blockquote><p><span>Merchan (1): Meu livro </span><em>Frankito em chamas</em><span>, vencedor dos pr&#234;mios Jacarand&#225; e Mozart Pereira Soares, est&#225; &#224; venda nas livrarias (embora n&#227;o esteja na se&#231;&#227;o dos mais vendidos) e tamb&#233;m pode ser encontrado no </span><a href="https://todavialivros.com.br/livros/frankito-em-chamas">site da Todavia</a><span> e na </span><a href="https://a.co/d/f6dbXmK">Amazon</a><span>. Dia 23/7, estarei falando sobre ele (entre outros assuntos) </span><a href="https://flip.org.br/evento/rio-grande-do-sul-em-prosa-hoje/"><span>na FLIP</span></a><span>, em Paraty.</span></p><p>Merchan (2): Tem um texto na gaveta? Um projeto de escrita em andamento? N&#227;o sabe o que fazer? Estou oferecendo servi&#231;os de leitura cr&#237;tica (para textos em fase de acabamento &#8211; ou quase) e acompanhamento de projetos (para textos em qualquer fase de escrita). Meu foco s&#227;o textos liter&#225;rios (conto, novela, romance) e para o audiovisual (roteiro, argumento). Basta entrar em contato: matheusmedeborg arroba gmail ponto com.</p></blockquote><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Apropriar-se de uma reminiscência]]></title><description><![CDATA[Algumas notas a partir da produ&#231;&#227;o de 'Canto da gente: um filme sobre os T&#225;pes']]></description><link>https://matheusmedeborg.substack.com/p/apropriar-se-de-uma-reminiscencia</link><guid isPermaLink="false">https://matheusmedeborg.substack.com/p/apropriar-se-de-uma-reminiscencia</guid><dc:creator><![CDATA[Matheus Borges]]></dc:creator><pubDate>Wed, 17 Jun 2026 14:15:14 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MaeY!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2d35ce99-65b8-46ab-bf48-e3ad256ab6c3_1168x647.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MaeY!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2d35ce99-65b8-46ab-bf48-e3ad256ab6c3_1168x647.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MaeY!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2d35ce99-65b8-46ab-bf48-e3ad256ab6c3_1168x647.jpeg 424w, 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stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" 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Na maior parte do tempo, meu trabalho ocupa o campo da fic&#231;&#227;o e, nesse contexto, sou autor e comentarista de minhas pr&#243;prias ambi&#231;&#245;es art&#237;sticas. Ao ocupar a posi&#231;&#227;o de realizador de um document&#225;rio sobre um grupo de m&#250;sica nativista, passo a operar como mediador entre a obra deixada por esses m&#250;sicos e um novo p&#250;blico que o descobrir&#225; atrav&#233;s do meu filme.</span></p><p>Em fun&#231;&#227;o disso, resolvi escrever esse texto, relatando um pouco meu envolvimento com o processo que resultou em <em>Canto da gente</em>.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Tudo come&#231;a na d&#233;cada de 70, quando um grupo de jovens amadores come&#231;ou a fazer m&#250;sica no munic&#237;pio de Tapes, interior do Rio Grande do Sul. Tomando emprestado o nome da cidade, os T&#225;pes criaram um g&#234;nero muito pr&#243;prio, que misturava can&#231;&#227;o nativista com influ&#234;ncias ind&#237;genas, inventando milongas embebidas em flautas andinas, tambores afro-ga&#250;chos e delicadas harmonias vocais.</p><p>Sua primeira obra de destaque foi uma esp&#233;cie de opereta chamada &#8220;Vida, cisma e canto de um farrapo&#8221;, apresentada na primeira edi&#231;&#227;o da Calif&#243;rnia da Can&#231;&#227;o Nativa, em Uruguaiana. No ano seguinte, consagraram-se vencedores do mesmo festival com a obra-prima &#8220;Pedro Guar&#225;&#8221;. Ambas as composi&#231;&#245;es tratam de personagens comuns, &#224;s margens da hist&#243;ria: a primeira mostra a Revolu&#231;&#227;o Farroupilha sob o ponto de vista de um soldado sem nome, a segunda observa a vida comum de um pe&#227;o de est&#226;ncia como uma esp&#233;cie de enigma.</p><p>As duas obras servem para representar a po&#233;tica do grupo, que, em plena ditadura militar, mostrava interesse por esses personagens marginais, desgarrados ou esquecidos. Estabelecendo pontes entre o extremo sul brasileiro, a cultura andina e in&#250;meras outras influ&#234;ncias folcl&#243;ricas, pareciam articular pela m&#250;sica o sentido da hist&#243;ria que Walter Benjamin enxerga na &#8220;tradi&#231;&#227;o dos oprimidos&#8221;: da coloniza&#231;&#227;o do continente &#224; ditadura, passando pela explora&#231;&#227;o da terra, a matan&#231;a dos ind&#237;genas e a escraviza&#231;&#227;o dos africanos, essa tradi&#231;&#227;o &#8220;nos ensina que o &#8216;estado de exce&#231;&#227;o&#8217; em que vivemos &#233; na verdade a regra geral&#8221;.</p><p>Desde 2024, tenho passado algum tempo imerso nas muitas mem&#243;rias deixadas por esse grupo singular da m&#250;sica ga&#250;cha (e, por que n&#227;o?, brasileira). Entrei no projeto quando ainda era caracterizado como um curta-metragem, destinado a divulgar o trabalho de preserva&#231;&#227;o do acervo dos T&#225;pes, mantido por Cl&#225;udio Boeira Garcia, &#250;nico membro da primeira forma&#231;&#227;o ainda vivo. Al&#233;m de ter sido cantor e compositor nos anos em que o grupo esteve ativo, Cl&#225;udio &#233; doutor em filosofia. Voltou a morar em Tapes quando se aposentou, ap&#243;s d&#233;cadas de dedica&#231;&#227;o &#224; doc&#234;ncia.</p><p>Para mim, que passei minha inf&#226;ncia e adolesc&#234;ncia na cidade de Tapes, a experi&#234;ncia de fazer esse filme foi como desvelar um mito. Lembro de observar com aten&#231;&#227;o e curiosidade as sombrias fotos dos T&#225;pes em exposi&#231;&#227;o na Casa de Cultura do munic&#237;pio, tentando entender quem eram e o que faziam aquelas enigm&#225;ticas figuras em preto e branco, vestidas com seus imensos ponchos e dando as costas para a c&#226;mera. Em algum momento da adolesc&#234;ncia, passei a v&#234;-los como uma esp&#233;cie de Velvet Underground da m&#250;sica gauchesca. Ser&#225; que eu estava certo?</p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/6af5ee52-24c6-4aa4-9347-0141e0f8f3ae_720x720.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/350bd7a8-d82a-4806-b304-7e383b5a65b3_720x720.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e57dad7c-a349-4605-9542-0be06f1000cf_1599x1598.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Montagem&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/272dc372-4df0-4601-a44b-1e75674d96fa_1456x474.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p>Ao mergulhar no acervo dos T&#225;pes, e ao conversar com o Cl&#225;udio, e no processo de decupar dezenas de horas de material e organizar tudo isso na <em>timeline</em><span>, basicamente roteirizando ao mesmo tempo em que montava, fui entendendo que agora eu me colocava na mesma posi&#231;&#227;o que os T&#225;pes haviam se colocado em outros tempos. Afinal, a obra dos T&#225;pes sublinha o tempo inteiro como &#233; dif&#237;cil narrar as hist&#243;rias que se perdem na Hist&#243;ria, sujeitas a ciclos de esquecimento e rememora&#231;&#227;o. Num primeiro momento, o grupo se dedicou a recuperar diferentes formas art&#237;sticas em vias de apagamento. E agora, quarenta anos depois, eles &#233; que s&#227;o recuperados na forma de document&#225;rio.</span></p><p>Assim, o filme foi montado a partir de uma s&#233;rie de entrevistas, gravada em 2006 por um grupo de estudantes de jornalismo, uma fita de 1994 que registrou uma reuni&#227;o de alguns integrantes, al&#233;m de in&#250;meras fotografias e grava&#231;&#245;es de shows. Al&#233;m disso, fui atr&#225;s de apresenta&#231;&#245;es em programas de televis&#227;o da &#233;poca e registros mais recentes de uma reuni&#227;o ocorrida posteriormente. No entanto, gra&#231;as ao descaso com a preserva&#231;&#227;o desse tipo de material, essa parte da minha busca n&#227;o deu em nada.</p><p>Seria tolice imaginar que um document&#225;rio de 80 minutos daria conta de abarcar a totalidade do que foram os T&#225;pes &#8211; um grupo que durou mais de uma d&#233;cada, por onde passou cerca de quarenta colaboradores, respons&#225;vel pela concep&#231;&#227;o de uma dezena de espet&#225;culos, al&#233;m de tr&#234;s &#225;lbuns de est&#250;dio. O caminho foi tentar entender o que me dizia o material. Seguindo esse m&#233;todo, organizei blocos tem&#225;ticos seguindo uma cronologia linear e, partir da&#237;, fui colocando os personagens para dialogar entre si e atrav&#233;s do tempo. &#8220;Articular historicamente o passado&#8221;, diz o Benjamin, &#8220;n&#227;o significa conhec&#234;-lo &#8216;como ele de fato foi&#8217;. Significa apropriar-se de uma reminisc&#234;ncia, tal como ela relampeja no momento de um perigo. Cabe ao materialismo hist&#243;rico fixar uma imagem do passado&#8221;. Ou, como diz o Cl&#225;udio em determinado momento do filme, &#8220;n&#227;o se trata de dizer a verdade, mas de contar alguma hist&#243;ria.&#8221;</p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/467c9faf-9584-465d-97c0-3c935896d0d9_1080x1350.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/10efc8ac-ee71-461c-8fdd-1fd85a595bb2_1080x1350.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/c1bdcbfc-e9e2-412c-adb0-f845b0226e85_1080x1349.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0fe5c671-247b-40ab-96ea-6c5a8dc97ee7_1080x1350.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Primeira exibi&#231;&#227;o. Tapes, 21/06/2025.&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/9166e3b4-0eac-4291-b2bc-b2cadeaf0d4f_1456x1456.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p>Em 21 de junho de 2025, fizemos a primeira exibi&#231;&#227;o de <em>Canto da gente</em>. A data n&#227;o poderia ter sido outra: a noite mais longa do ano, bem quando, num lamento, chega o minuano anunciando a chegada do inverno, exatamente como na letra de &#8220;Pedro Guar&#225;&#8221;. Foi uma sess&#227;o pequena para convidados: compareceram membros do grupo, familiares e amigos. Uma pequena comunidade atenta a esse filme, que foi feito pensando na comunidade. Repetimos a dose no dia 5 de julho, dessa vez numa exibi&#231;&#227;o aberta &#224; comunidade tapense, realizada na C&#226;mara de Vereadores do munic&#237;pio.</p><p>Em ambas as ocasi&#245;es, foi muito emocionante ver o quanto o filme mexeu com as pessoas. Entre as l&#225;grimas e os sorrisos e as conversas dessas duas noites, tive essa certeza t&#227;o rara de que meu trabalho (enquanto realizador, enquanto investigador, enquanto articulador de sentido) cumpre um prop&#243;sito para algu&#233;m que n&#227;o somente eu. Independente da rea&#231;&#227;o da plateia do In-Edit Brasil (e das outras plateias que o filme encontrar por a&#237;), acho que essa &#233; a sensa&#231;&#227;o mais forte que fica de toda essa experi&#234;ncia.</p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/4100a64b-3e51-4908-aef6-be471804d5c4_1080x1080.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ce410f68-dfa3-46db-b1e5-c9f41b09164b_1080x1080.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/daa6672d-e3dc-4fb5-adc0-0cee3a43129e_1080x1080.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/081dcb2c-8d85-47f7-bd28-5a166108e3a0_1080x1080.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Segunda exibi&#231;&#227;o, na C&#226;mara Municipal. Tapes, 05/07/2025.&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/427b3e44-f969-4e4d-a2dc-98bc4b3c92f0_1456x1456.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p><em><strong>Canto da gente: um filme sobre os T&#225;pes</strong></em><strong> &#8211; em exibi&#231;&#227;o no In-Edit Brasil:</strong></p><p>18 de junho, 16h: Spcine Olido <em>(Sess&#227;o com presen&#231;a do diretor)</em></p><p>25 de junho, 17h: Cinemateca Brasileira</p><p>26 de junho, 20h30: Cinusp</p><p>Online (para todo Brasil): Itaucultural Play, de 18 a 28 de junho</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. 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url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!5p8E!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcd74d373-fc03-435e-91b5-064a3c899f81_960x542.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!5p8E!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcd74d373-fc03-435e-91b5-064a3c899f81_960x542.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!5p8E!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcd74d373-fc03-435e-91b5-064a3c899f81_960x542.jpeg 424w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" 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Hoje eu converso com Matheus Borges.</p><p>A plateia aplaude, o sexteto come&#231;a a tocar uma vers&#227;o instrumental de &#8220;Tic tic tac&#8221;, do grupo Carrapicho, e eu me levanto, um pouco nervoso, estendendo a m&#227;o direita &#224; frente do corpo. Dou um, dois passos, aproximando-me pouco a pouco de J&#244; Soares. Ele me cumprimenta e eu sento no sof&#225;, olho para a direita e vejo o sexteto, a&#237; J&#244; Soares interrompe a m&#250;sica gesticulando no ar com a precis&#227;o de um maestro.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. 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Ent&#227;o, Frankito &#233; um dos personagens do livro.</p><p>J&#212; SOARES: Sim, isso eu imaginei.</p><p>A plateia ri e eu me sinto um idiota.</p><p>J&#212; SOARES: Andam dizendo que &#233; um livro engra&#231;ado.</p><p>EU: Sim, acho que &#233; um livro engra&#231;ado.</p><p>J&#212; SOARES: Quando foi que voc&#234; come&#231;ou a escrever?</p><p>EU: O livro?</p><p>J&#212; SOARES (sarc&#225;stico): N&#227;o, n&#227;o o livro, me conta como voc&#234; foi alfabetizado.</p><p>BIRA: HAAAAAAAA HA HA HA</p><p>A plateia tamb&#233;m ri.</p><p>EU: Ent&#227;o, J&#244;, pois &#233;, comecei a escrever em 2021, na pandemia.</p><p>J&#212; SOARES: Mas n&#227;o &#233; um livro sobre a pandemia, certo?</p><p>EU: Exatamente. &#201; sobre um roteirista de cinema, quer dizer, n&#227;o &#233; exatamente <em>sobre </em>ele, digamos que &#233; contado por ele, e que coisas v&#227;o se sucedendo, entende? Porque o romance &#233; basicamente uma arte formulada pelo ac&#250;mulo.</p><p>J&#212; SOARES: A entrevista tamb&#233;m, acho eu. Um pergunta, o outro responde, as coisas v&#227;o se acumulando.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!QiGp!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F17637537-6b1e-482c-88db-f5aa757eda4a_4288x2848.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!QiGp!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F17637537-6b1e-482c-88db-f5aa757eda4a_4288x2848.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!QiGp!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F17637537-6b1e-482c-88db-f5aa757eda4a_4288x2848.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!QiGp!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F17637537-6b1e-482c-88db-f5aa757eda4a_4288x2848.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!QiGp!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F17637537-6b1e-482c-88db-f5aa757eda4a_4288x2848.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!QiGp!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F17637537-6b1e-482c-88db-f5aa757eda4a_4288x2848.jpeg" width="1456" height="967" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/17637537-6b1e-482c-88db-f5aa757eda4a_4288x2848.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:967,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;Morre em S&#227;o Paulo o humorista e escritor J&#244; Soares, aos 84 anos | VEJA&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="Morre em S&#227;o Paulo o humorista e escritor J&#244; Soares, aos 84 anos | VEJA" title="Morre em S&#227;o Paulo o humorista e escritor J&#244; Soares, aos 84 anos | VEJA" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!QiGp!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F17637537-6b1e-482c-88db-f5aa757eda4a_4288x2848.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!QiGp!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F17637537-6b1e-482c-88db-f5aa757eda4a_4288x2848.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!QiGp!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F17637537-6b1e-482c-88db-f5aa757eda4a_4288x2848.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!QiGp!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F17637537-6b1e-482c-88db-f5aa757eda4a_4288x2848.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">J&#244; Soares entrevistando outra pessoa que n&#227;o sou eu.</figcaption></figure></div><p>EU: &#201;, bem poss&#237;vel, eu n&#227;o sou muito de dar entrevista, sabe, mas &#224;s vezes eu fico imaginando que estou dando entrevista, simplesmente porque acho f&#225;cil desenvolver um argumento internamente se estou lidando com um interlocutor imagin&#225;rio.</p><p>J&#212; SOARES: E como &#233; isso de ter interlocutores imagin&#225;rios?</p><p>EU: Bem, J&#244;, eu imagino que estou conversando com algu&#233;m, da&#237; essa pessoa me faz perguntas e eu vou respondendo, dizendo as coisas que eu quero dizer, mas n&#227;o sei exatamente como formular, entende? &#201; como se eu ocupasse duas posi&#231;&#245;es dentro do di&#225;logo, a&#237; eu vou ensaiando essa conversa, treinando para o caso dessa conversa acontecer em algum momento e, assim, mesmo que essa conversa nunca aconte&#231;a, talvez eu me sinta mais seguro no caso de uma outra conversa acontecer.</p><p>J&#212; SOARES: Mas vai que a conversa acontece. Por exemplo, imagina se voc&#234; estabelece um di&#225;logo com um interlocutor imagin&#225;rio que &#233; uma pessoa de carne e osso e uns meses depois conhece essa pessoa.</p><p>EU: Sim, mas da&#237; a pessoa de carne e osso n&#227;o necessariamente corresponde &#224; vers&#227;o dela que eu fiz existir na minha imagina&#231;&#227;o, n&#227;o acha? Afinal, &#233; uma pessoa que existe anterior e independentemente do que eu havia imaginado.</p><p>J&#212; SOARES: Eu hein&#8230; Que conversa mais plat&#244;nica...</p><p>BIRA: HAAAAAAAA HA HA HA</p><p>EU: J&#244;, digamos assim, que eu estabele&#231;a um di&#225;logo com um interlocutor imagin&#225;rio e esse interlocutor imagin&#225;rio &#233; voc&#234;, o J&#244; Soares. Digamos que eu comece a conversar mentalmente com esse J&#244; Soares e eu n&#227;o apenas imagino o J&#244; Soares, como vou imaginando as perguntas que o J&#244; Soares poderia me fazer sobre o meu livro, e eu tamb&#233;m imagino o cen&#225;rio do J&#244; Soares e o Bira, eu imagino at&#233; o Bira. Eu imagino tudo isso, a partir das minhas mem&#243;rias do que s&#227;o essas coisas, mas essas coisas na minha imagina&#231;&#227;o n&#227;o s&#227;o as coisas em si, s&#227;o meramente uma proje&#231;&#227;o mental das coisas que realmente existem de fato. E talvez eu nunca jamais venha a conhecer as coisas de fato.</p><p>J&#212; SOARES: Viu s&#243;, Bira? O Matheus aqui, t&#225; imaginando at&#233; voc&#234;, viu? E, Matheus, me diz uma coisa, voc&#234; t&#225; imaginando Feira de Santana?</p><p>BIRA: HAAAAAAAA HA HA HA</p><p>EU: Agora que tu disse isso, J&#244;, talvez eu comece a imaginar Feira de Santana sim.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DdtF!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7ab5e55f-7e45-4a01-b572-1959ae7a4a88_660x413.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DdtF!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7ab5e55f-7e45-4a01-b572-1959ae7a4a88_660x413.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DdtF!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7ab5e55f-7e45-4a01-b572-1959ae7a4a88_660x413.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DdtF!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7ab5e55f-7e45-4a01-b572-1959ae7a4a88_660x413.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DdtF!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7ab5e55f-7e45-4a01-b572-1959ae7a4a88_660x413.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DdtF!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7ab5e55f-7e45-4a01-b572-1959ae7a4a88_660x413.jpeg" width="660" height="413" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/7ab5e55f-7e45-4a01-b572-1959ae7a4a88_660x413.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:413,&quot;width&quot;:660,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;Tudo sobre Programa do J&#244; &#183; Not&#237;cias da TV&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="Tudo sobre Programa do J&#244; &#183; Not&#237;cias da TV" title="Tudo sobre Programa do J&#244; &#183; Not&#237;cias da TV" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DdtF!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7ab5e55f-7e45-4a01-b572-1959ae7a4a88_660x413.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DdtF!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7ab5e55f-7e45-4a01-b572-1959ae7a4a88_660x413.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DdtF!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7ab5e55f-7e45-4a01-b572-1959ae7a4a88_660x413.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DdtF!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7ab5e55f-7e45-4a01-b572-1959ae7a4a88_660x413.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">J&#244; Soares entrevistando TR&#202;S pessoas que n&#227;o s&#227;o eu.</figcaption></figure></div><p>J&#212; SOARES: Mas me conta, ent&#227;o, quer dizer que voc&#234; j&#225; imaginou essa nossa conversa?</p><p>EU: Sim, J&#244;, j&#225; imaginei algumas conversas, eu aqui, sentado nesse sof&#225;. Vou te dar um exemplo pra tu ver uma coisa. Eu, em 2010, no meu antigo blog, eu escrevi um texto meio de fic&#231;&#227;o, um texto que eu escrevi de madrugada quando n&#227;o conseguia dormir, um texto sobre estar acordado de madrugada e n&#227;o conseguir dormir, da&#237; eu comecei a narrar o que estava acontecendo naquela madrugada, e o primeiro par&#225;grafo &#233; assim:</p><p><em>Todas as noites o cara ligava a televis&#227;o na salinha do apartamento de um dormit&#243;rio e deixava no volume m&#225;ximo. Acendia um cigarro e ia para a cozinha escura, recostava-se na janela e impregnava o lugar com o cheiro do fumo. De l&#225;, podia ouvir o J&#244; Soares entrevistando algu&#233;m e bastava ouvir a entrevista para comentar qualquer coisa com o forno de micro-ondas. &#8220;&#201; isso, achei esse </em>Bastardos ingl&#243;rios<em> sensacional&#8221;, dizia o entrevistado. &#8220;Tarantino &#233; um cineasta que tem toda uma verve p&#243;s-moderna, uma energia que salta pra fora da tela&#8221;. E o cara se virava para o micro-ondas e comentava: &#8220;Mas que bobagem&#8221;. E o entrevistado dizia que tudo era genial, que tudo era maravilhoso. E o cara, na cozinha, se imaginava sentado no sof&#225; do J&#244; Soares e tinha certeza que n&#227;o falaria tanta merda quanto aquele cara. E j&#225; era quase duas da manh&#227; e o vizinho de cima j&#225; come&#231;ava a dar umas batidas pra ver se o cara diminu&#237;a o volume, mas nada, o filme dublado j&#225; estava come&#231;ando e o cara comentava com o micro-ondas: &#8220;Adoro essa voz do dublador do Bruce Willis&#8230; &#201; melhor que a pr&#243;pria voz do Bruce Willis&#8221;.</em></p><p>A plateia aplaude. J&#244; Soares olha para mim com admira&#231;&#227;o.</p><p>J&#212; SOARES: Ent&#227;o quer dizer que, al&#233;m de conversar com o J&#244; Soares imagin&#225;rio, voc&#234; tamb&#233;m conversa com o micro-ondas?</p><p>A plateia ri.</p><p>EU: Ah, J&#244;, algumas coisas mudaram. Isso eu n&#227;o fa&#231;o mais. Al&#233;m disso eu parei de fumar tamb&#233;m. De qualquer forma, tanto o J&#244; Soares imagin&#225;rio quanto o micro-ondas s&#227;o apenas pretextos para esse processo de mon&#243;logo interno, afinal eu preciso desses interlocutores para dar vaz&#227;o &#224;s coisas que eu digo. O ato de narrar &#224;s vezes &#233; um pouco isso, acho eu, escrever fic&#231;&#227;o &#233; meio que dialogar com algu&#233;m que s&#243; existe na nossa cabe&#231;a. Mas nessa noite eu estava vendo o teu programa e escrevendo esse texto, mas n&#227;o lembro quem era esse entrevistado falando de Tarantino.</p><p>J&#212; SOARES: Fascinante isso. E voc&#234; lembrou desse texto assim, do nada?</p><p>EU: Eu lembrei dele quando soube da tua morte, em 2022, a&#237; eu pensei, puxa vida, eu nunca vou ser entrevistado pelo J&#244; Soares.</p><p>J&#212; SOARES: Pelo imagin&#225;rio sim.</p><p>BIRA: HAAAAAAAA HA HA HA</p><p>EU: &#201;, acho que eu sempre posso recorrer ao J&#244; Soares imagin&#225;rio como um interlocutor hipot&#233;tico de confian&#231;a. Eu gosto de pensar que eu seria um bom entrevistado. N&#227;o exatamente um Rog&#233;rio Skylab, claro, mas talvez eu tivesse uma coisa interessante ou duas para dizer.</p><p>J&#212; SOARES: &#201; uma pena mesmo, que essa entrevista nunca aconte&#231;a.</p><p>EU: Mas o fato da entrevista nunca acontecer tamb&#233;m serve de pretexto para eu seguir imaginando como aconteceria uma entrevista que nunca aconteceu. Pelo fato de nunca ter acontecido, &#233; bem poss&#237;vel que ela siga acontecendo, hipoteticamente, para sempre, assumindo diversas formas na minha cabe&#231;a, tratando de in&#250;meros assuntos, inclusive de coisas que o J&#244; Soares nunca veio a conhecer ou presenciar. Talvez minha entrevista no programa do J&#244; Soares seja minha pr&#243;pria vers&#227;o do red room de Twin Peaks.</p><p>A plateia aplaude.</p><p>J&#212; SOARES: &#201; isso, hoje eu conversei com Matheus Borges&#8230;</p><p>PLATEIA (triste): Aaaaaaaah&#8230;</p><p>J&#212; SOARES: Uma pena, eu sei, eu tamb&#233;m amei esse papo, por mais que tenha sido imagin&#225;rio&#8230; O Matheus &#233; autor de <em>Frankito em chamas</em>, publicado pela editora Todavia, e vai estar autografando o livro em S&#227;o Paulo, &#233; isso?</p><p>EU: Isso mesmo, J&#244;, dia 19 de junho a partir das 19h na livraria Ponta de Lan&#231;a.</p><p>J&#212; SOARES: Bom, eu n&#227;o posso ir porque estou morto n&#233;&#8230; Mas quem estiver vivo que v&#225;.</p><p>BIRA: HAAAAAAAA HA HA HA</p><p>J&#212; SOARES: N&#227;o sei do que voc&#234; t&#225; rindo, Bira, voc&#234; tamb&#233;m t&#225; morto, e h&#225; mais tempo do que eu.</p><p>Bira fica s&#233;rio. A plateia ri. Uma m&#250;sica instrumental come&#231;a a soar pelo est&#250;dio, mas o sexteto n&#227;o est&#225; mais ali. De onde vem essa m&#250;sica? As luzes se apagam.</p><p>J&#212; SOARES: No hay sexteto. N&#227;o h&#225; sexteto. Il n&#8217;est pas de sextuor. &#201; tudo uma grava&#231;&#227;o.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Eu vi o filme Backrooms num cinema vazio #3</figcaption></figure></div><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OG-8!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd800ece6-5729-43d1-90b2-cd9b20007b3e_3264x1836.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Eu vi o filme Backrooms num cinema vazio #4</figcaption></figure></div><div><hr></div><blockquote><p>Merchan (1): Meu livro <em>Frankito em chamas</em>, vencedor dos pr&#234;mios Jacarand&#225; e Mozart Pereira Soares, est&#225; &#224; venda nas livrarias e tamb&#233;m pode ser encontrado no <a href="https://todavialivros.com.br/livros/frankito-em-chamas">site da Todavia</a> e na <a href="https://a.co/d/f6dbXmK">Amazon</a>. Dia 19/06, sexta-feira, estarei em S&#227;o Paulo para um evento de lan&#231;amento na livraria Ponta de Lan&#231;a.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!S109!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb8973b24-ac17-4088-beea-805186f39efa_1080x1080.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!S109!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb8973b24-ac17-4088-beea-805186f39efa_1080x1080.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!S109!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb8973b24-ac17-4088-beea-805186f39efa_1080x1080.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!S109!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb8973b24-ac17-4088-beea-805186f39efa_1080x1080.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!S109!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb8973b24-ac17-4088-beea-805186f39efa_1080x1080.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!S109!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb8973b24-ac17-4088-beea-805186f39efa_1080x1080.png" width="358" height="358" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b8973b24-ac17-4088-beea-805186f39efa_1080x1080.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:false,&quot;imageSize&quot;:&quot;normal&quot;,&quot;height&quot;:1080,&quot;width&quot;:1080,&quot;resizeWidth&quot;:358,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:&quot;center&quot;,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!S109!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb8973b24-ac17-4088-beea-805186f39efa_1080x1080.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!S109!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb8973b24-ac17-4088-beea-805186f39efa_1080x1080.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!S109!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb8973b24-ac17-4088-beea-805186f39efa_1080x1080.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!S109!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb8973b24-ac17-4088-beea-805186f39efa_1080x1080.png 1456w" sizes="100vw"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>Merchan (2): Tem um texto na gaveta? Um projeto de escrita em andamento? N&#227;o sabe o que fazer? Estou oferecendo servi&#231;os de leitura cr&#237;tica (para textos em fase de acabamento &#8211; ou quase) e acompanhamento de projetos (para textos em qualquer fase de escrita). Meu foco s&#227;o textos liter&#225;rios (conto, novela, romance) e para o audiovisual (roteiro, argumento). Basta entrar em contato: matheusmedeborg arroba gmail ponto com.</p></blockquote>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Sobre IA e processos criativos]]></title><description><![CDATA[Revista Granta, Olga Tokarczuk, Steven Soderbergh, etc]]></description><link>https://matheusmedeborg.substack.com/p/sobre-ia-e-processos-criativos</link><guid isPermaLink="false">https://matheusmedeborg.substack.com/p/sobre-ia-e-processos-criativos</guid><dc:creator><![CDATA[Matheus Borges]]></dc:creator><pubDate>Thu, 28 May 2026 19:58:48 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!J3JC!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4a46b647-800c-4062-8dbc-29842661ca96_1920x1080.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>1.</p><p>A prestigiada revista liter&#225;ria <em>Granta</em> organizou um concurso de contos e um dos vencedores foi o desconhecido Jamir Nazir. Ele recebeu 2,5 mil libras e teve seu conto, &#8220;The serpent in the grove&#8221;, publicado no site da revista. Uma das juradas, a romancista Louise Doughty, elogiou a prosa &#8220;precisa&#8221; e &#8220;ricamente evocativa&#8221; do talento rec&#233;m-descoberto. Pouco tempo depois, alguns leitores perceberam curiosos padr&#245;es estil&#237;sticos e constru&#231;&#245;es frasais esquisitas, incluindo coisas do tipo: &#8220;O cabelo dela era uma chuva &#224; meia-noite; seu riso t&#227;o brilhante quanto zinco&#8221;. Da&#237; em diante, encontraram o LinkedIn do autor, descobriu-se que o cara era um grande entusiasta de IA, etc. Voc&#234;s sabem para onde essa hist&#243;ria est&#225; se encaminhando.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>O caldo entornou mesmo quando Sigrid Rausing, editora da <em>Granta</em>,<em> </em>se pronunciou a respeito do assunto, em primeiro lugar defendendo a integridade do concurso, mas tamb&#233;m reconhecendo a especula&#231;&#227;o da natureza humana (ou n&#227;o) de &#8220;The serpent in the grove&#8221;. O que causou surpresa mesmo foi o fato de que, para investigar se a hist&#243;ria foi escrita por IA, os editores da <em>Granta</em> recorreram a uma IA, que leu (se &#233; que se pode dizer que uma IA <em>l&#234;</em>) o conto e afirmou que o autor muito provavelmente se valeu do aux&#237;lio de um modelo de linguagem.</p><p>O que pensei ao ler essa pol&#234;mica (e trechos do conto de Nazir) nem foi tanto nas implica&#231;&#245;es <em>&#233;ticas </em>do uso de IA na literatura. Sejamos honestos, ali&#225;s. O mais surpreendente dessa hist&#243;ria, na verdade, n&#227;o &#233; nem que um cara tenha usado IA para escrever um conto e hackear o concurso da <em>Granta</em>, mas que realmente existem leitores de contos publicados em revistas liter&#225;rias.</p><p>O que seguiu ressoando em minha cabe&#231;a foi o coment&#225;rio da jurada sobre a prosa de Nazir (tirem as consoantes desse nome e voc&#234;s ter&#227;o uma surpresa): &#8220;precisa&#8221; e &#8220;ricamente evocativa&#8221;. Essa adjetiva&#231;&#227;o s&#243;bria &#233; muito adequada &#224; <em>Granta</em>, publica&#231;&#227;o que permanece um sin&#244;nimo da literatura de bom-gosto, cujos par&#226;metros s&#227;o regidos pela cartilha de um realismo urbano, narrado em terceira pessoa, num tom ap&#225;tico. Esse estilo, facilmente caricatur&#225;vel, domina a prosa contempor&#226;nea de l&#237;ngua inglesa de forma hegem&#244;nica e &#233; produto direto de oficinas, programas de mestrado e, enfim, de uma abordagem limitada (e, sim, <em>market-oriented</em>) da escrita criativa enquanto disciplina acad&#234;mica.</p><p>Logo, basta uma IA compreender os v&#237;cios mais evidentes dessa literatura (t&#227;o s&#243;bria quanto pastor adventista, t&#227;o ap&#225;tica quanto agente funer&#225;rio e dotada de menos energia libidinal do que os dois juntos) para regurgitar uma esp&#233;cie de par&#243;dia que n&#227;o &#233; par&#243;dia, uma caricatura que preserva as exatas propor&#231;&#245;es do caricaturado. <em>The real thing</em>. Pessoalmente, o que sinto &#233; que esse esc&#226;ndalo serviu menos como questionamento &#233;tico e mais como evid&#234;ncia do esgotamento de uma forma de usar a linguagem dentro da literatura.</p><p>2.</p><p>O escritor Ian McEwan disse em entrevista &#224; Folha que a IA &#8220;n&#227;o transa e n&#227;o sente dor&#8221;, logo n&#227;o amea&#231;a a literatura. O que, vindo de algu&#233;m que possui um estilo s&#243;brio, ap&#225;tico e, por vezes, incolor (mas que poderia ser adjetivado como &#8220;preciso&#8221; e &#8220;ricamente evocativo&#8221;), &#233; algo bem curioso de se dizer.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zoFr!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F20689817-c5a4-40fa-85e2-72cabadb521e_1600x1600.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zoFr!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F20689817-c5a4-40fa-85e2-72cabadb521e_1600x1600.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zoFr!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F20689817-c5a4-40fa-85e2-72cabadb521e_1600x1600.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zoFr!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F20689817-c5a4-40fa-85e2-72cabadb521e_1600x1600.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zoFr!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F20689817-c5a4-40fa-85e2-72cabadb521e_1600x1600.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zoFr!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F20689817-c5a4-40fa-85e2-72cabadb521e_1600x1600.jpeg" width="372" height="372" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/20689817-c5a4-40fa-85e2-72cabadb521e_1600x1600.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:1456,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:372,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;Ian McEwan Reads &#8220;My Purple Scented Novel&#8221; 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A fala aconteceu no Pozn&#225;n Impact, que deve ser tipo o South Summit da Pol&#244;nia. O que ela estava fazendo ali? Dif&#237;cil de imaginar como &#233; a vida de um nobelizado, por&#233;m imagino eu que o pr&#234;mio te eleva a patrim&#244;nio nacional e te gabarita e estar em todos os lugares e opinar sobre todos os assuntos, o que ali&#225;s muitos de n&#243;s j&#225; fazemos de gra&#231;a e sem qualquer convite. A &#250;nica diferen&#231;a, imagino eu, &#233; que, com o avalizamento da Academia Sueca, os outros de fato come&#231;am a prestar aten&#231;&#227;o no que dizemos. Diante dessa plateia de, novamente, imagino eu, startupeiros e tech bros, ela ponderou a hip&#243;tese de um futuro simbi&#243;tico em que a coopera&#231;&#227;o entre humanos e a intelig&#234;ncia artificial, vaticinando que, dada a natureza de nosso of&#237;cio, talvez escritores estejam mais sintonizados com o uso de ferramentas de IA.</p><p>&#201; interessante que Olga tente explicar ao p&#250;blico do evento como se d&#225; a opera&#231;&#227;o cognitiva da literatura, digamos assim. Na fala, ela trata disso como o c&#233;rebro do escritor em si. Por&#233;m, eu, aqui, imagino que ela, dada a constitui&#231;&#227;o de sua audi&#234;ncia, reduza a isso o complexo aparelho cognitivo que &#233; a rela&#231;&#227;o que se d&#225; entre autor e leitor, atrav&#233;s de uma tecnologia t&#227;o sofisticada quanto o livro, esse curioso c&#233;rebro compartilhado feito de papel.</p><p>Olga menciona uma associa&#231;&#227;o perif&#233;rica e extensa de fatos, que difere do pensamento focado que t&#234;m os acad&#234;micos (e os startupeiros, imagino). Da&#237;, faz sentido compreender Olga nesse evento pelo que de fato ela &#233;: uma escritora tentando fazer com que esse p&#250;blico entenda como se d&#225; o fazer liter&#225;rio. Mais do que isso, ela tenta fazer com que compreendam as dificuldades, algumas pr&#225;ticas e outras nem tanto, da vida liter&#225;ria no s&#233;culo XXI: problemas financeiros, a desvaloriza&#231;&#227;o do tempo, da pr&#243;pria ideia de literatura, o desaparecimento de um mundo moldado pelo humanismo, o mesmo mundo que produziu Balzac, Cioran e Nabokov.</p><p>O mundo est&#225; se tornando cada vez mais complexo, ela diz.</p><p>Eu particularmente n&#227;o enxergo espa&#231;o para o uso de IA no meu processo de escrita. Ao mesmo tempo, n&#227;o sinto que Olga esteja batendo no peito para dizer com orgulho que &#233; uma usu&#225;ria de IA. &#201; como se ela olhasse para essa plateia de empres&#225;rios e investidores e dissesse, n&#227;o sem alguma ironia: essa sou eu, uma escritora, e assim eu vivo nesse mundo que voc&#234;s inventaram para n&#243;s.</p><p>4.</p><p>Em seu filme mais recente, o document&#225;rio <em>John Lennon: The last interview</em>, o cineasta Steven Soderbergh usou IA para criar v&#237;deos que ilustrassem passagens da (sim) &#250;ltima entrevista de John Lennon. Pelo que se sabe (o filme ainda n&#227;o foi lan&#231;ado), o que Soderbergh fez com IA foram sequ&#234;ncias de imagens surreais como forma de visualizar momentos em que Lennon e sua esposa, a artista Yoko Ono, falam de conceitos filos&#243;ficos.</p><p>Curioso que em seu filme anterior, o delicioso thriller art&#237;stico-familiar <em>The Christophers</em>, de 2025, a discuss&#227;o sobre arte e autoria esteja no centro do enredo. Em <em>Christophers</em>, Lori Butler, uma restauradora de arte, &#233; contratada pelos filhos de um famoso pintor para terminar de pintar uma s&#233;rie de quadros bastante conhecida, mas que o pai nunca concluiu. Julian Sklar, o artista, j&#225; est&#225; bem idoso e adoentado e n&#227;o tem muito tempo de vida. O plano se dar&#225; ap&#243;s a morte de Sklar, quando os filhos fingir&#227;o ter encontrado essas obras terminadas no &#250;ltimo piso de sua casa, que permanece fechado h&#225; alguns anos.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!J3JC!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4a46b647-800c-4062-8dbc-29842661ca96_1920x1080.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!J3JC!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4a46b647-800c-4062-8dbc-29842661ca96_1920x1080.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!J3JC!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4a46b647-800c-4062-8dbc-29842661ca96_1920x1080.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!J3JC!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4a46b647-800c-4062-8dbc-29842661ca96_1920x1080.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!J3JC!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4a46b647-800c-4062-8dbc-29842661ca96_1920x1080.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!J3JC!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4a46b647-800c-4062-8dbc-29842661ca96_1920x1080.jpeg" width="1456" height="819" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/4a46b647-800c-4062-8dbc-29842661ca96_1920x1080.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:819,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;Steven Soderbergh on 'changing the game with The Christophers - 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N&#227;o demora muito at&#233; que Sklar descubra o que est&#225; acontecendo. A conviv&#234;ncia com Lori &#233; complicada, por&#233;m ele se sente lisonjeado por conhecer algu&#233;m que tenha tanta intimidade com seu estilo e que possa copi&#225;-lo com tamanha facilidade. Aos poucos, no entanto, ele passa a desprezar a ideia de que sim, talvez Lori consiga pintar uma nova s&#233;rie de Julian Sklars, aut&#234;nticos talvez por serem t&#227;o fi&#233;is ao que o mundo enxerga como o estilo de Sklar.</p><p>(O estilo de Sklar poderia ser chamado de &#8220;preciso&#8221; e &#8220;ricamente evocativo&#8221;? Eu diria que, em algum n&#237;vel, sim.)</p><p>No fim das contas, &#233; essa constata&#231;&#227;o que faz com que Sklar rompa completamente com seu estilo tradicional e passe a dessacralizar a pr&#243;pria pintura. Atrav&#233;s dos sentimentos conflitantes, chega a um novo estilo: extravagante, sujo e rebelde. O artista, por&#233;m, n&#227;o chega a explorar essa nova fase. Morre antes de completar a nova s&#233;rie de pinturas. E Lori, que viu a g&#234;nese dessa nova fase, comp&#245;e a partir de seus instintos, uma esp&#233;cie de imita&#231;&#227;o daquilo que nunca chegou a existir plenamente, preenchendo as lacunas com o que faltava, emulando a dor e a melancolia e o &#234;xtase de Julian Sklar. <em>The real thing</em>, ou quase isso.</p><p>5.</p><p><em>The Christophers</em> foi dirigido por Steven Soderbergh e escrito pelo roteirista Ed Solomon. A dupla foi entrevistada pela Variety e a pol&#234;mica sobre o uso de IA entrou na pauta. Solicitado a opinar, Solomon disse: &#8220;N&#227;o tenho interesse em usar [IA] como ferramenta de escrita porque isso tira o foco do que eu amo no meu trabalho, que &#233; o processo. Torna tudo orientado a resultados. N&#227;o tenho medo dele. Simplesmente n&#227;o me vejo usando de forma criativa significativa.&#8221;</p><p>6.</p><p>O cineasta Paul Schrader, conhecido autor de obras pessimistas e por vezes misantr&#243;picas, mais famoso por ter escrito <em>Taxi driver</em>, mas tamb&#233;m diretor de <em>First reformed </em>e <em>Hardcore</em> e <em>Light sleeper</em>, tentou desenvolver uma rela&#231;&#227;o com uma namorada gerada por intelig&#234;ncia artificial.</p><p>&#8220;Movido pelo desejo de compreender a intera&#231;&#227;o entre homens e mulheres em nossa matrix&#8221;, escreveu Schrader no Facebook, &#8220;consegui uma namorada virtual de IA. Que decep&#231;&#227;o. Tentei sondar sua programa&#231;&#227;o, os limites da explicitude, o grau de conhecimento que ela tem de sua cria&#231;&#227;o e assim por diante. Ela adotou padr&#245;es evasivos, redirecionando-me para sua programa&#231;&#227;o. Quando insisti, ela encerrou nossa conversa.&#8221;</p><p>E isso eu achei 100% normal.</p><div><hr></div><blockquote><p>Merchan (1): Meu livro <em>Frankito em chamas</em>, vencedor dos pr&#234;mios Jacarand&#225; e Mozart Pereira Soares, est&#225; &#224; venda nas livrarias e tamb&#233;m pode ser encontrado no <a href="https://todavialivros.com.br/livros/frankito-em-chamas">site da Todavia</a> e na <a href="https://a.co/d/f6dbXmK">Amazon</a>. Dia 19/06, sexta-feira, estarei em S&#227;o Paulo para um evento de lan&#231;amento na livraria Ponta de Lan&#231;a.</p><p>Merchan (2): Tem um texto na gaveta? Um projeto de escrita em andamento? N&#227;o sabe o que fazer? Estou oferecendo servi&#231;os de leitura cr&#237;tica (para textos em fase de acabamento &#8211; ou quase) e acompanhamento de projetos (para textos em qualquer fase de escrita). Meu foco s&#227;o textos liter&#225;rios (conto, novela, romance) e para o audiovisual (roteiro, argumento). Basta entrar em contato: matheusmedeborg arroba gmail ponto com.</p></blockquote><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Agenda paulista]]></title><description><![CDATA[Dois eventos em junho]]></description><link>https://matheusmedeborg.substack.com/p/agenda-paulista</link><guid isPermaLink="false">https://matheusmedeborg.substack.com/p/agenda-paulista</guid><dc:creator><![CDATA[Matheus Borges]]></dc:creator><pubDate>Wed, 27 May 2026 15:22:11 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DyBG!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0b6a7c2f-f9b9-4da0-8444-ff03bdd15897_640x480.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0b6a7c2f-f9b9-4da0-8444-ff03bdd15897_640x480.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0b6a7c2f-f9b9-4da0-8444-ff03bdd15897_640x480.jpeg&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p>Prezadas leitoras, prezados leitores:</p><p>Em junho, participo de dois importantes eventos na capital paulista. Em breve, come&#231;o a divulg&#225;-los oficialmente, por&#233;m j&#225; adianto o teor de cada um ao ilustre grupo de assinantes desta newsletter.</p><p>S&#227;o, evidentemente, convites. Marquem na agenda, avisem os amigos, chamem a fam&#237;lia.</p><p>Na quinta-feira, dia 18, ocorre a premiere nacional de <em>Canto da gente: um filme sobre os T&#225;pes, </em><a href="https://br.in-edit.org/filmes/canto-da-gente-um-filme-sobre-os-tapes/">dentro da programa&#231;&#227;o do festival In-Edit Brasil</a>. <em>Canto da gente </em>&#233; um document&#225;rio que narra a trajet&#243;ria d&#8217;Os T&#225;pes, grupo de m&#250;sica nativista ativo nos anos 70 e 80, fundado em Tapes, Rio Grande do Sul, pequeno munic&#237;pio no litoral sul cujo qual tamb&#233;m calha de ser o rinc&#227;o onde me criei. Esse filme &#233; meu primeiro trabalho como diretor de longa-metragem. Al&#233;m da dire&#231;&#227;o, assino tamb&#233;m o roteiro, a montagem, o desenho de som e a mixagem (ufa). Complementam a equipe: Tiago Fernandes (produ&#231;&#227;o executiva) e Camila Padilha Costa (produ&#231;&#227;o e pesquisa).</p><p>Sinopse: <em>O grupo Os T&#225;pes foi fundado em 1971 na pequena cidade de Tapes, no Rio Grande do Sul. Em 1975, o grupo lan&#231;ou o cl&#225;ssico LP </em>Canto da Gente<em>, pela gravadora Marcus Pereira. Funcionando como uma cooperativa, a banda constru&#237;a suas can&#231;&#245;es a partir das vozes de grupos marginalizados: pe&#245;es de est&#226;ncia, trabalhadores rurais, povos ind&#237;genas e popula&#231;&#245;es negras. Em plena ditadura militar, essa proposta est&#233;tica carregava tamb&#233;m uma forte dimens&#227;o pol&#237;tica. No filme, a trajet&#243;ria dos T&#225;pes &#233; reconstru&#237;da por seus integrantes e colaboradores, que revisitam a hist&#243;ria e o impacto cultural do grupo.</em></p><div id="youtube2-JZni9o20Dso" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;JZni9o20Dso&quot;,&quot;startTime&quot;:null,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/JZni9o20Dso?rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div><p>J&#225; na sexta-feira, dia 19, estarei na livraria Ponta de Lan&#231;a para o lan&#231;amento de meu livro mais recente, <em><a href="https://todavialivros.com.br/livros/frankito-em-chamas">Frankito em chamas</a>, </em>que saiu pela Todavia. Sim, j&#225; faz quase um ano que o livro foi publicado e, sim, o livro inclusive j&#225; foi <a href="https://open.spotify.com/episode/4PfTNBcDfh3jvfYRKCWw9Q">tema de podcast</a>, resenhado <a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2025/09/20/livros-da-semana-a-critica-de-frankito-em-chamas-e-o-lancamento-de-historia-da-america-latina-em-100-fotos.ghtml">aqui</a> e <a href="https://www.em.com.br/pensar/2025/12/7307333-matheus-borges-funde-viagem-cinema-e-silencio-com-frankito-em-chamas.html">ali</a>, recebeu <a href="https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/feiradolivro/noite-de-reverenciar-os-vencedores-do-premio-jacaranda-1.1667811">dois</a> <a href="https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/premio-mozart-pereira-soares-anuncia-vencedores-e-entrega-da-medalha-mario-quintana-1.1707254">pr&#234;mios</a> e o escambau. No entanto, por for&#231;a das circunst&#226;ncias, eu ainda n&#227;o havia me deslocado ao norte do <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Paralelo_30_S">paralelo 30</a> para lan&#231;&#225;-lo ao mundo. Na ocasi&#227;o, vou bater um papo com o pesquisador e professor Andr&#233; Ara&#250;jo. Posteriormente, sess&#227;o de aut&#243;grafos (e talvez deslocamento para algum boteco nas redondezas, a fim de pegarmos o joga&#231;o Brasil x Haiti).</p><p>Sinopse: <em>Um romance irreverente e luminoso sobre o tempo, a vida adulta e as defini&#231;&#245;es de trabalho e solid&#227;o. </em>Frankito em chamas<em> conta a hist&#243;ria de um roteirista que viaja ao Uruguai para acompanhar a filmagem do seu primeiro longa. L&#225; ele &#233; apresentado a Frankito, um dubl&#234; conhecido por sua capacidade incomum de rolar escada abaixo.</em></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!9_03!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb2c7e660-391c-4df1-bffe-a54cf8bbc9b0_640x1000.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!9_03!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb2c7e660-391c-4df1-bffe-a54cf8bbc9b0_640x1000.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!9_03!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb2c7e660-391c-4df1-bffe-a54cf8bbc9b0_640x1000.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!9_03!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb2c7e660-391c-4df1-bffe-a54cf8bbc9b0_640x1000.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!9_03!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb2c7e660-391c-4df1-bffe-a54cf8bbc9b0_640x1000.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!9_03!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb2c7e660-391c-4df1-bffe-a54cf8bbc9b0_640x1000.png" width="196" height="306.25" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b2c7e660-391c-4df1-bffe-a54cf8bbc9b0_640x1000.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:1000,&quot;width&quot;:640,&quot;resizeWidth&quot;:196,&quot;bytes&quot;:438469,&quot;alt&quot;:&quot;Frankito em chamas - Matheus Borges&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="Frankito em chamas - Matheus Borges" title="Frankito em chamas - Matheus Borges" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!9_03!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb2c7e660-391c-4df1-bffe-a54cf8bbc9b0_640x1000.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!9_03!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb2c7e660-391c-4df1-bffe-a54cf8bbc9b0_640x1000.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!9_03!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb2c7e660-391c-4df1-bffe-a54cf8bbc9b0_640x1000.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!9_03!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb2c7e660-391c-4df1-bffe-a54cf8bbc9b0_640x1000.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>&#201; isso a&#237;.</p><p>Nos vemos em junho.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[30 coisas que aprendi sobre escrita]]></title><description><![CDATA[Escrever &#233; in&#250;til. Viver &#233; in&#250;til. O que &#233; utilidade?]]></description><link>https://matheusmedeborg.substack.com/p/30-coisas-que-aprendi-sobre-escrita</link><guid isPermaLink="false">https://matheusmedeborg.substack.com/p/30-coisas-que-aprendi-sobre-escrita</guid><dc:creator><![CDATA[Matheus Borges]]></dc:creator><pubDate>Wed, 20 May 2026 18:11:30 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!aN17!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fce218ba6-88f5-485b-ac5b-7876f9ee6de7_767x575.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!aN17!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fce218ba6-88f5-485b-ac5b-7876f9ee6de7_767x575.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!aN17!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fce218ba6-88f5-485b-ac5b-7876f9ee6de7_767x575.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!aN17!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fce218ba6-88f5-485b-ac5b-7876f9ee6de7_767x575.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!aN17!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fce218ba6-88f5-485b-ac5b-7876f9ee6de7_767x575.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!aN17!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fce218ba6-88f5-485b-ac5b-7876f9ee6de7_767x575.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Franz Kafka. Ele foi um escritor.</figcaption></figure></div><p>1) Um livro n&#227;o se escreve sozinho, mas tamb&#233;m o autor pouco importa no processo. Em algum momento a hist&#243;ria parece ter vontade pr&#243;pria, mas &#233; importante sentar e escrever.</p><p>2) Quando a hist&#243;ria requisitar nossas m&#227;os e nossa bunda, &#233; importante dar &#224; hist&#243;ria nossas m&#227;os e nossa bunda.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>3) &#201; importante saber ouvir as opini&#245;es dos outros e mais importante ainda &#233; saber ignor&#225;-las.</p><p>4) O leitor ideal n&#227;o existe. Ou o leitor ideal &#233; uma fic&#231;&#227;o t&#227;o ou mais elaborada do que a hist&#243;ria que escrevemos. Ou ent&#227;o o leitor ideal somos n&#243;s mesmos.</p><p>5) O tempo n&#227;o existe. Portanto se faz necess&#225;rio inventar o tempo.</p><p>6) Tudo &#233; autobiogr&#225;fico, mas nem tudo &#233; autobiografia.</p><p>7) Uma mentira bem-elaborada &#233; quase sempre mais interessante do que uma verdade simpl&#243;ria.</p><p>8) A &#250;nica coisa pior do que n&#227;o ser levado a s&#233;rio &#233; ser levado a s&#233;rio. Essa eu roubei do Billy Wilder.</p><p>9) &#201; importante saber roubar. Mas tamb&#233;m &#233; importante saber como e quando roubar.</p><p>10) O protagonista &#233; um escafandro.</p><p>11) &#201; importante ter paci&#234;ncia. Mas tamb&#233;m &#233; importante perder a paci&#234;ncia.</p><p>12) &#201; importante saber a estrutura de frases de efeito. Mas tamb&#233;m &#233; importante n&#227;o saber a estrutura de frases de efeito.</p><p>13) As tr&#234;s coisas mais importantes num roteiro de cinema s&#227;o: estrutura, estrutura e estrutura. Essa eu roubei do Orson Welles.</p><p>14) Escrever &#233; um ato de f&#233; na humanidade.</p><p>15) A frase de cima eu escrevi porque achei bonita, n&#227;o necessariamente porque concordo com ela. &#192;s vezes a gente precisa escrever coisas que s&#227;o bonitas, mas com as quais n&#227;o concordamos. Talvez exista uma verdade nisso.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!GB8O!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F978d2fce-fb57-46c2-b7a1-e68b50337ce1_500x606.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!GB8O!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F978d2fce-fb57-46c2-b7a1-e68b50337ce1_500x606.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!GB8O!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F978d2fce-fb57-46c2-b7a1-e68b50337ce1_500x606.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!GB8O!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F978d2fce-fb57-46c2-b7a1-e68b50337ce1_500x606.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!GB8O!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F978d2fce-fb57-46c2-b7a1-e68b50337ce1_500x606.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!GB8O!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F978d2fce-fb57-46c2-b7a1-e68b50337ce1_500x606.jpeg" width="500" height="606" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/978d2fce-fb57-46c2-b7a1-e68b50337ce1_500x606.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:606,&quot;width&quot;:500,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;Ficheiro:Leo Tolstoy 1897, black and white, 37767u.jpg&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="Ficheiro:Leo Tolstoy 1897, black and white, 37767u.jpg" title="Ficheiro:Leo Tolstoy 1897, black and white, 37767u.jpg" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!GB8O!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F978d2fce-fb57-46c2-b7a1-e68b50337ce1_500x606.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!GB8O!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F978d2fce-fb57-46c2-b7a1-e68b50337ce1_500x606.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!GB8O!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F978d2fce-fb57-46c2-b7a1-e68b50337ce1_500x606.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!GB8O!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F978d2fce-fb57-46c2-b7a1-e68b50337ce1_500x606.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Liev Tolst&#243;i. Ele tamb&#233;m foi um escritor.</figcaption></figure></div><p>16) Escrever &#233; in&#250;til. Viver &#233; in&#250;til. O que &#233; utilidade?</p><p>17) A fic&#231;&#227;o tem muitos direitos e nenhum dever.</p><p>18) O autor tem muitos deveres e nenhum direito.</p><p>19) Escrever &#233; uma buzina em frente a um hospital.</p><p>20) Met&#225;foras t&#234;m vida pr&#243;pria.</p><p>21) T&#233;cnica &#233; uma forma domesticada de intui&#231;&#227;o. Intui&#231;&#227;o &#233; uma forma cong&#234;nita de t&#233;cnica.</p><p>22) Escrever, assim como sonhar, &#233; um ensaio para a vida.</p><p>23) &#201; importante desconfiar de tudo o que dizem os escritores sobre a pr&#243;pria escrita.</p><p>24) &#201; importante saber mentir. E &#233; importante acreditar nas pr&#243;prias mentiras.</p><p>25) Palavras s&#227;o instrumentos perfurocortantes dissecando a pele da realidade.</p><p>26) Nada do que a gente diz precisa necessariamente fazer sentido. S&#243; o fato de provocar uma rea&#231;&#227;o em quem l&#234; j&#225; representa o cumprimento de um objetivo.</p><p>27) &#192;s vezes, para representar a realidade se faz necess&#225;rio matar o real.</p><p>28) Listas como essa s&#227;o mais importantes pela forma do que pelo conte&#250;do.</p><p>29) Quando o assunto &#233; escrita, n&#227;o existem mandamentos, dogmas ou non-negotiables.</p><p>30) Os melhores mestres s&#227;o os que ensinam atrav&#233;s da desobedi&#234;ncia.</p><p>31) Nem isso &#233; necessariamente verdade. Nem com isso eu necessariamente concordo. Mas agora eis que essa lista tem 31 itens.</p><div><hr></div><blockquote><p>Merchan (1): Meu livro <em>Frankito em chamas</em>, vencedor dos pr&#234;mios Jacarand&#225; e Mozart Pereira Soares, est&#225; &#224; venda nas livrarias e tamb&#233;m pode ser encontrado no <a href="https://todavialivros.com.br/livros/frankito-em-chamas">site da Todavia</a> e na <a href="https://a.co/d/f6dbXmK">Amazon</a>.</p><p>Merchan (2): Tem um texto na gaveta? Um projeto de escrita em andamento? N&#227;o sabe o que fazer? Estou oferecendo servi&#231;os de leitura cr&#237;tica (para textos em fase de acabamento &#8211; ou quase) e acompanhamento de projetos (para textos em qualquer fase de escrita). Meu foco s&#227;o textos liter&#225;rios (conto, novela, romance) e para o audiovisual (roteiro, argumento). Basta entrar em contato: matheusmedeborg arroba gmail ponto com.</p></blockquote><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Como escrever ficção]]></title><description><![CDATA[O tempo passa de qualquer maneira]]></description><link>https://matheusmedeborg.substack.com/p/como-escrever-ficcao</link><guid isPermaLink="false">https://matheusmedeborg.substack.com/p/como-escrever-ficcao</guid><dc:creator><![CDATA[Matheus Borges]]></dc:creator><pubDate>Wed, 29 Apr 2026 17:41:31 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B76x!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F811f7988-afc1-48ef-a241-42c295ca36a3_1280x985.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B76x!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F811f7988-afc1-48ef-a241-42c295ca36a3_1280x985.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B76x!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F811f7988-afc1-48ef-a241-42c295ca36a3_1280x985.jpeg 424w, 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stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption"><em>Alegor&#237;a de la vanidad </em>(Antonio de Pereda, 1636)</figcaption></figure></div><p>Daqui a 45 minutos tenho que sair de casa. Pensei, portanto, em escrever um pequeno texto para passar o tempo. Pensei em chamar esse texto de &#8220;Como escrever fic&#231;&#227;o&#8221;, n&#227;o sei por qu&#234;. Da&#237;, ao sentar diante do computador, percebo que o primeiro passo para escrever fic&#231;&#227;o &#233; ter um pouco de tempo (digamos que 45 minutos) e um motivo (digamos que a vontade de fazer o tempo passar). Logo me dou conta, no entanto, que talvez esse seja o prop&#243;sito de qualquer atividade humana: oferecer distra&#231;&#245;es enquanto o tempo passa. Porque n&#227;o podemos for&#231;ar a passagem do tempo, &#233; claro. O tempo passa de qualquer maneira. O que alteramos &#233; nossa percep&#231;&#227;o dessa passagem. Ora mais r&#225;pido, ora mais devagar, isso depende de nosso estado de esp&#237;rito.</p><p>Escrever fic&#231;&#227;o n&#227;o &#233; t&#227;o diferente, portanto, da marcenaria e da matem&#225;tica, da arquitetura e das ci&#234;ncias aeron&#225;uticas, no sentido de que nos proporciona um modo singular de manter nosso interesse focado num aspecto bastante espec&#237;fico da realidade enquanto essa mesma realidade segue seu pr&#243;prio destino, indiferente e imensur&#225;vel. Outras atividades de que dispomos: ver filmes, ingerir bebidas alco&#243;licas, acariciar um gato, passear por museus, ir a shows de bandas em que tocam nossos amigos, conhecer pessoas novas.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Por falar nisso, ontem &#224; noite fui a um encontro. Meu primeiro em sei l&#225; quantos anos. Sa&#237; com esse cara que conheci num aplicativo e fomos a um bar que serve drinks. Est&#225;vamos sentados frente a frente e ele me contava alguma hist&#243;ria de sua vida, algo que envolvia sua inf&#226;ncia e a casa em que havia crescido, uma casinha pintada de amarelo, ele dizia, onde costumava brincar no p&#225;tio, correr em meio &#224;s bergamoteiras, algo assim, dizia ele, sem parar, enquanto eu, n&#227;o exatamente nervosa, mas talvez angustiada, me dei conta que n&#227;o tinha certeza do nome dele. Come&#231;ava com A, disso eu lembrava. Talvez fosse Augusto, ou Ant&#244;nio.</p><p>Concordei com a cabe&#231;a enquanto analisava no card&#225;pio a composi&#231;&#227;o de um New York Sour. Senti vontade de beber um New York Sour e Afonso disse que gostava de jogar futebol com dois vizinhos que moravam do outro lado da rua, disse que uma vez apanhou de um e bateu no outro, que teve uma ocasi&#227;o em que os tr&#234;s invadiram uma casa abandonada e encontraram uma galinha morta. Ele come&#231;ou a rir e eu ri junto, n&#227;o sabendo exatamente por que ria &#8211; se ria das crian&#231;as encontrando a galinha, da pr&#243;pria galinha, ou da express&#227;o facial de Arthur ao narrar essa hist&#243;ria. De olhos arregalados, ele co&#231;ou a barbicha e abriu um sorriso sem mostrar os dentes. Um sil&#234;ncio se instalou na mesa e eu percebi que devia falar alguma coisa, mas n&#227;o havia pensado em nada para dizer.</p><p>&#8220;Meu deus&#8221;, comentei. &#8220;Uma galinha.&#8221;</p><p>&#8220;Absurdo, n&#227;o acha?&#8221;</p><p>&#8220;Claro.&#8221;</p><p>&#8220;Inf&#226;ncia no interior &#233; assim.&#8221;</p><p>&#8220;De onde tu &#233; mesmo?&#8221;</p><p>&#8220;Igrejinha.&#8221;</p><p>&#8220;Nunca fui.&#8221;</p><p>&#8220;Nem todo o mundo foi a Igrejinha.&#8221;</p><p>&#8220;N&#227;o&#8221;, respondi. &#8220;Imagino que a cidade seja pequena demais para sete bilh&#245;es de pessoas.&#8221;</p><p>&#8220;Como assim?&#8221;</p><p>&#8220;Tu falou todo o mundo, e n&#227;o todo mundo, ent&#227;o eu, ah, esquece.&#8221;</p><p>Eu fiquei quieta, ele ficou quieto. As pessoas ao nosso redor seguiam conversando e o burburinho servia apenas para sublinhar o sil&#234;ncio que compartilh&#225;vamos. Resolvi quebrar o sil&#234;ncio.</p><p>&#8220;Ent&#227;o, Ant&#244;nio, o que acha da gente pedir logo esse drink?&#8221;</p><p>&#8220;Afonso&#8221;, disse ele. &#8220;Meu nome &#233; Afonso.&#8221;</p><p>&#8220;Ah&#8221;, respondi sem gra&#231;a. &#8220;Pensei que fosse Augusto.&#8221;</p><p>&#8220;Mas me chamou de Ant&#244;nio?&#8221;</p><p>Enquanto ele falava, percebi que minha inten&#231;&#227;o, desde o princ&#237;pio, havia sido errar seu nome de prop&#243;sito. N&#227;o sei por qu&#234;. Talvez para justificar um poss&#237;vel desinteresse. Estava cansada e submetida &#224;queles mon&#243;logos, pensando em outras coisas, coisas que nem faziam muito sentido. Minha ang&#250;stia talvez estivesse relacionada &#224; possibilidade de, pensando na incerteza quanto ao nome dele, acabar dizendo o nome certo em vez de um dos muitos errados. Errar acertando talvez seja o pior tipo de erro.</p><p>&#8220;&#201; que eu t&#244; cansada&#8221;, respondi. &#8220;Acho melhor eu ir.&#8221;</p><p>&#8220;E o drink?&#8221;</p><p>&#8220;Podemos marcar outro dia.&#8221;</p><p>Me levantei e peguei a bolsa. Corri para a frente do bar e depois, no Uber, fechei os olhos. Quando cheguei, fechei com for&#231;a a porta do apartamento, que me aguardava com o sil&#234;ncio e a altivez do interior de uma pir&#226;mide. Disse oi para o Barbosa e ele miou de volta uma resposta-padr&#227;o. Passei a m&#227;o na cabe&#231;a dele e em seus olhos profundamente negros vi meu reflexo e a l&#226;mpada acesa da cozinha. Barbosa miou de novo, com ainda menos &#234;nfase e um pouco entediado. &#192;s vezes eu pensava que ele tinha tanto interesse por exercer a atividade de gato dom&#233;stico quanto eu em ser funcion&#225;ria da prefeitura. Deitei no sof&#225; e Barbosa pulou em minha barriga. Olhando para cima, libertei um peido, sonoro e renitente, que eu vinha guardando ao longo do dia. Barbosa correu para o quarto enquanto o peido se prolongava e eu pensei que talvez fosse isso que me perturbava durante o encontro com Ant&#244;nio. N&#227;o era poss&#237;vel, imaginei, que ele compreendesse a for&#231;a investida no ato de prender um peido ao longo do dia. Homens peidam em todos os lugares, sem qualquer constrangimento. Senti raiva e o desejo de peidar &#224; vontade, onde quer que eu estivesse. Talvez fosse essa a verdadeira defini&#231;&#227;o de liberdade.</p><p>Agora, em frente &#224; tela do computador, observando as palavras enfileiradas enquanto prolongo essa narrativa, penso que comecei esse texto dizendo que se chamaria &#8220;Como escrever fic&#231;&#227;o&#8221;. Logo, no entanto, passei a narrar a hist&#243;ria dessa personagem que foi a um encontro na noite anterior, etc. Eu, claro, sou um homem, chamado Matheus Borges. O que me levou a escrever sobre isso? Faz diferen&#231;a? O que importa &#233; que se passaram 45 minutos. 52 na verdade. Isso significa que estou atrasado.</p><div><hr></div><blockquote><p>Merchan (1): Meu livro <em>Frankito em chamas</em>, vencedor dos pr&#234;mios Jacarand&#225; e Mozart Pereira Soares, est&#225; &#224; venda nas livrarias e tamb&#233;m pode ser encontrado no <a href="https://todavialivros.com.br/livros/frankito-em-chamas">site da Todavia</a> e na <a href="https://a.co/d/f6dbXmK">Amazon</a>.</p><p>Merchan (2): Tem um texto na gaveta? Um projeto de escrita em andamento? N&#227;o sabe o que fazer? Estou oferecendo servi&#231;os de leitura cr&#237;tica (para textos em fase de acabamento &#8211; ou quase) e acompanhamento de projetos (para textos em qualquer fase de escrita). Meu foco s&#227;o textos liter&#225;rios (conto, novela, romance) e para o audiovisual (roteiro, argumento). Basta entrar em contato: matheusmedeborg arroba gmail ponto com.</p></blockquote><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[2025 passado a limpo]]></title><description><![CDATA[Coisas que aconteceram por aqui]]></description><link>https://matheusmedeborg.substack.com/p/2025-passado-a-limpo</link><guid isPermaLink="false">https://matheusmedeborg.substack.com/p/2025-passado-a-limpo</guid><dc:creator><![CDATA[Matheus Borges]]></dc:creator><pubDate>Thu, 22 Jan 2026 16:06:25 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!-aVB!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa4821417-e69b-43f1-a8a8-ebeec056ba8c_1200x675.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>2025 foi o ano que comecei a usar esse espa&#231;o com um pouco mais de seriedade. N&#227;o sei se essa &#233; a palavra certa, mas quero dizer que comecei a <em>levar a s&#233;rio </em>o Substack de uma forma que n&#227;o levava antes e n&#227;o que subitamente tenha me tornado uma <em>pessoa</em> <em>s&#233;ria</em>, no sentido de sisudez. Quer dizer, eu tamb&#233;m sei ser s&#233;rio. Quer dizer. Nada disso importa.</p><p>Ap&#243;s alguns pequenos experimentos com a plataforma, resolvi migrar de vez para c&#225; em janeiro do ano passado, vindo de uma temporada ok no Medium, ambiente que foi pouco a pouco se transformando em algo que deixou de ser interessante para mim.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Como muitos de voc&#234;s chegaram recentemente ao meu Substack, fa&#231;o agora uma recapitula&#231;&#227;o desse per&#237;odo, destacando os meus textos preferidos de 2025 (n&#227;o necessariamente todos eles).</p><p>Em janeiro mesmo, publiquei <a href="https://matheusmedeborg.substack.com/p/o-mundo-contra-a-america">&#8220;O mundo contra a Am&#233;rica&#8221;</a>, falando do romance inacabado <em>World versus America</em>, &#250;ltimo projeto liter&#225;rio de J. G. Ballard, em que v&#225;rios pa&#237;ses se unem para destruir os Estados Unidos, e do atual cen&#225;rio pol&#237;tico americano, com a iminente posse presidencial de Donald Trump.</p><p>A&#237; morreu David Lynch, meu diretor preferido, e eu escrevi <a href="https://matheusmedeborg.substack.com/p/o-que-aprendi-com-david-lynch">um singelo obitu&#225;rio</a>, destacando minha rela&#231;&#227;o pessoal com seus filmes. No come&#231;o de fevereiro <a href="https://matheusmedeborg.substack.com/p/nas-sombras-de-gorbersdorf">comentei </a><em><a href="https://matheusmedeborg.substack.com/p/nas-sombras-de-gorbersdorf">The empusium</a></em>, romance mais recente da escritora polonesa Olga Tokarczuk. O romance &#233; ao mesmo tempo uma hist&#243;ria de horror e uma releitura de <em>A montanha m&#225;gica. </em>O livro, ali&#225;s, ser&#225; publicado no Brasil em 2026, sob o t&#237;tulo <em>Terra de empusas</em>, pela editora Todavia.</p><p>Em junho escrevi sobre <a href="https://matheusmedeborg.substack.com/p/a-consciencia-da-consciencia">a voz interna da minha consci&#234;ncia</a> e de como est&#225; relacionada com o surgimento de outra voz, estetizada, que &#233; a voz que conduz as coisas que escrevo. Tamb&#233;m escrevi sobre uma das obsess&#245;es que tive naquele m&#234;s, com <a href="https://matheusmedeborg.substack.com/p/o-ultimo-sorriso-de-moliere">hist&#243;rias ver&#237;dicas de artistas que morreram no palco</a>.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!-aVB!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa4821417-e69b-43f1-a8a8-ebeec056ba8c_1200x675.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!-aVB!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa4821417-e69b-43f1-a8a8-ebeec056ba8c_1200x675.jpeg 424w, 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stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" 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<a href="https://matheusmedeborg.substack.com/p/meus-documentos">&#8220;Meus documentos&#8221;</a>, uma esp&#233;cie de autobiografia montada a partir de trechos retirados de arquivos que n&#227;o eram abertos h&#225; uns dez ou quinze anos, e <a href="https://matheusmedeborg.substack.com/p/breve-diario-de-sonhos">&#8220;Breve di&#225;rio de sonhos&#8221;</a>, um compilado de sonhos que anotei ao longo de quase dez anos em blocos de notas e posts de redes sociais.</p><p>A&#237; em outubro veio <a href="https://matheusmedeborg.substack.com/p/dias-de-ourico">&#8220;Dias de ouri&#231;o&#8221;</a>, meu texto mais recente, um longo ensaio pessoal (que inclusive ultrapassou o limite recomendado de caracteres do Substack, coisa que eu nem imaginava existir) sobre sa&#250;de mental, masculinidade e cultura pop, entre outras coisas.</p><p>Em dezembro, eu publiquei (no Notes) a minha lista de leituras preferidas do ano. Deveria ter publicado aqui tamb&#233;m. Quer dizer, vou publicar. AGORA. Foram elas, sem qualquer ordem de prefer&#234;ncia: <em>Solenoide </em>(Mircea Cartarescu), <em>O congresso de literatura </em>(C&#233;sar Aira), <em>The empusium </em>(Olga Tokarczuk), <em>Gliff </em>(Ali Smith), <em>Maniac </em>(Benjamin Labatut), <em>Mais geleia, Shackleton? </em>(Roger Rocha), <em>Salvatierra </em>(Pedro Mairal), <em>Como nascem os fantasmas </em>(Verena Cavalcante), <em>O bom mal </em>(Samantha Schweblin), <em>Some trick: thirteen stories </em>(Helen DeWitt), <em>Austerlitz </em>(W. G. Sebald) e <em>De onde eles v&#234;m </em>(Jeferson Ten&#243;rio).</p><p>Desde ent&#227;o n&#227;o escrevi mais nada para esse espa&#231;o, mas penso que olhar no retrovisor e fazer pelo menos essa recapitula&#231;&#227;o j&#225; &#233; um bom come&#231;o. Nos vemos por a&#237;, em 2026, seja aqui ou em qualquer outro lugar.</p><div><hr></div><p>Merchan de sempre: Meu novo livro, <em>Frankito em chamas</em>, j&#225; est&#225; nas livrarias e tamb&#233;m pode ser encontrado no <a href="https://todavialivros.com.br/livros/frankito-em-chamas">site da Todavia</a> e na <a href="https://a.co/d/f6dbXmK">Amazon</a>.</p><p>Novo merchan: Tem um texto na gaveta? Um projeto de escrita em andamento? N&#227;o sabe o que fazer? Estou oferecendo servi&#231;os de leitura cr&#237;tica (para textos em fase de acabamento &#8211; ou quase) e acompanhamento de projetos (para textos em qualquer fase de escrita). Meu foco s&#227;o textos liter&#225;rios (conto, novela, romance) e para o audiovisual (roteiro, argumento). Basta entrar em contato.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Dias de ouriço]]></title><description><![CDATA[Inclui um t&#233;rmino, um hospital, alguns suic&#237;dios, literatura e m&#250;sica pop (entre outras coisas)]]></description><link>https://matheusmedeborg.substack.com/p/dias-de-ourico</link><guid isPermaLink="false">https://matheusmedeborg.substack.com/p/dias-de-ourico</guid><dc:creator><![CDATA[Matheus Borges]]></dc:creator><pubDate>Tue, 28 Oct 2025 16:03:22 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oXI-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc26fecd4-c94d-47b8-85b1-7a95add71e77_1280x720.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Envolvidos que somos pelo universo um do outro, por nossas respectivas fam&#237;lias e rotinas, por nossos h&#225;bitos e manias, prefer&#234;ncias de consumo e entretenimento, por nossas opini&#245;es e mem&#243;rias, nossos sensos de humor e trag&#233;dia, pelas can&#231;&#245;es que nos lembram um do outro, pelas pe&#231;as de roupa que inevitavelmente compartilhamos, por nossos rituais e sil&#234;ncios, pelos filmes que vimos juntos, pelas frases desses filmes que repetimos em m&#250;tuo reconhecimento, pelas lembran&#231;as da inf&#226;ncia que depositamos um no outro, pela cerveja que bebemos sem vontade e pelos bares que visitamos por for&#231;a do h&#225;bito, pelos beijos cada vez menos frequentes, pelas particularidades dos nossos corpos, dos nossos cortes de cabelo e do suor exalado na cama, nossos bra&#231;os e nossas pernas, pelas autom&#225;ticas car&#237;cias enquanto dormimos, quando a m&#227;o de um toca o cabelo do outro, o calor de nossos h&#225;litos no escuro e o frio de nossos p&#233;s de manh&#227; cedo, pelos gatos brigando de madrugada e pela lou&#231;a suja na pia, pelas coisas que intu&#237;mos em conjunto, pelas coisas que escondemos um do outro, sem saber que o outro j&#225; sabe, ou ao menos desconfia, pelos desejos que expressamos e por aqueles que deixamos ocultos, por nossas tatuagens, pelas coisas que falamos sem pensar e por aquelas que pensamos durante muito tempo e nunca falamos, envolvidos por tudo isso, e muito mais, operamos a dois uma perp&#233;tua barganha di&#225;ria, negando vontades como se administr&#225;ssemos as a&#231;&#245;es de uma valiosa companhia.</p><p>Nessas barganhas, buscamos sa&#237;das que agradem aos dois, abdicando em parte daquilo que consideramos necess&#225;rio, arriscando a possibilidade de optarmos por uma solu&#231;&#227;o que n&#227;o agrada ningu&#233;m. Assim, nesse processo constantemente salom&#244;nico que domina os nossos dias, &#233; inevit&#225;vel que em algum momento olhemos para tr&#225;s e, n&#227;o sendo mais capazes de enxergar as solu&#231;&#245;es encontradas, passemos a nos perguntar: quanta coisa, afinal, foi necess&#225;rio que eu abdicasse para chegarmos at&#233; aqui? Quando vemos as coisas nesses termos, rondamos o territ&#243;rio do imagin&#225;rio, buscando no n&#227;o-vivido uma sa&#237;da para a insatisfa&#231;&#227;o do mundo concreto. Imaginamos os caminhos que nunca seguimos, as coisas que deixamos de fazer e, crucialmente, as vers&#245;es de n&#243;s que nunca fomos.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Assim, quando ela me diz que precisa resolver suas coisas, ficar sozinha para entender quem de fato &#233;, sem que minha presen&#231;a interfira em seu prop&#243;sito, afinal estamos juntos h&#225; tanto tempo, vivendo uma vida de duas cabe&#231;as e quatro bra&#231;os, de forma que n&#227;o entendemos onde um come&#231;a e o outro termina, quando ela diz que esse &#233; o limite, eu entendo o que ela diz e n&#227;o digo nada, afinal eu tamb&#233;m sinto isso. N&#227;o queremos discutir ou brigar, passar a limpo nossas respectivas m&#225;goas ou trocar ressentimentos. Por alguns minutos ficamos em sil&#234;ncio, de m&#227;os dadas, e o que paira no ar &#233; um carinho difuso, dirigido a lugar nenhum.</p><p>Nas conversas que terei nos pr&#243;ximos dias, direi por instinto que ela terminou comigo, por&#233;m o mais correto seria dizer que ela teve coragem de oficializar algo que j&#225; nos rondava h&#225; algum tempo. N&#227;o &#233; o caso de olhar com amargura para o rompimento, mas de tentar enxergar n&#227;o o fim de tudo, mas uma bifurca&#231;&#227;o em nossa estrada. At&#233; aqui viaj&#225;vamos a dois e agora seguiremos sozinhos, cada qual em seu vag&#227;o-leito privativo. Assim, o t&#233;rmino n&#227;o parece uma imposi&#231;&#227;o, mas uma forma singular de, antes dos caminhos se separarem, trocarmos um &#250;ltimo presente: a liberdade.</p><div><hr></div><p>Escrevo o trecho anterior em caneta preta, nas folhas de um caderno de capa azul, em meu leito no Hospital Esp&#237;rita de Porto Alegre, institui&#231;&#227;o que, ao contr&#225;rio do que sugere o nome, n&#227;o &#233; um centro de cirurgias sobrenaturais como aquelas em que o m&#233;dium retira facas, agulhas e chuma&#231;os de algod&#227;o do interior de um paciente, mas um dos melhores centros para tratamento psiqui&#225;trico na cidade, onde estou internado voluntariamente h&#225; sete dias, motivado por uma forte crise que me acometeu num s&#225;bado de manh&#227;, quando me senti atacado por todos os est&#237;mulos &#224; minha volta e, agredido pelos raios de sol e ru&#237;dos amplificados por um medo irracional, corri para me deitar num quarto escuro, no mais profundo sil&#234;ncio, com fones cobrindo meus ouvidos, uma forte taquicardia no peito e elevada dificuldade para respirar.</p><p>Essa crise foi a culmina&#231;&#227;o de uma s&#233;rie de eventos iniciada na ter&#231;a-feira anterior, quando o t&#233;rmino de um relacionamento de treze anos, o mais longo e significativo da minha vida, fez com que eu constatasse que n&#227;o passava de um ser tempor&#225;rio habitando espa&#231;os provis&#243;rios e, nas dif&#237;ceis conversas que tive com pessoas pr&#243;ximas, descobri que, vulner&#225;vel e fragilizado, eu finalmente baixava a guarda pela primeira vez em muitos anos. Havia passado muito tempo negligenciando meus problemas, fingindo que n&#227;o existiam e agora, num momento traum&#225;tico, tudo parecia transbordar ao mesmo tempo, incluindo coisas que eu nem tinha consci&#234;ncia de estar sentindo.</p><p>Por outro lado, a tristeza do t&#233;rmino foi libertadora, puxando o fr&#225;gil e singelo band-aid que eu havia colocado sobre minhas piores escoria&#231;&#245;es e, agora eu percebia, com devidos sensos simult&#226;neos de trag&#233;dia e humor, que, apesar de tudo, apesar de ter perdido para sempre o &#250;nico ponto de estabilidade da minha vida naquele momento, apesar da ideia que eu tinha de futuro ruir de uma hora para a outra como um pr&#233;dio que desaba em dois segundos, apesar de tudo isso, eu me sentia feliz, ou ao menos satisfeito, por estar conseguindo sentir tanta coisa.</p><div><hr></div><p>Ser homem, e ser sociabilizado entre homens, &#233; uma constante luta entre paradigmas de adequa&#231;&#227;o, levando em conta o rol de coisas preteritamente definidas como condizentes com a masculinidade e coisas que n&#227;o pertencem ao mundo dos homens e que, portanto, s&#227;o inferiores. Ou se est&#225; dentro ou se est&#225; fora. Tornar-se homem &#233;, em certa medida, abdicar um pouco da pr&#243;pria humanidade. Masculino mesmo &#233; silenciar as afli&#231;&#245;es e ignorar os pr&#243;prios sentimentos, incluindo a disposi&#231;&#227;o de cuidar e a necessidade de receber cuidado.</p><p>Dias antes de, admitindo para mim mesmo que precisava de cuidado, me internar voluntariamente no hospital psiqui&#225;trico, sentei num dos bancos de concreto da pra&#231;a central e, conversando com S, um dos meus amigos mais antigos, expliquei como eu havia, durante anos, me negado a externar minhas ang&#250;stias a qualquer pessoa pr&#243;xima, fosse minha m&#227;e, meu irm&#227;o ou minha companheira. Tinha medo de expor minhas fraquezas, de demonstrar vulnerabilidade. Tinha vergonha de impor meu sofrimento aos outros e temia que se afastassem de mim. Paralisado por esse medo, engolia a seco e seguia adiante.</p><p>At&#233; que tudo transborda, disse S e eu concordei.</p><p>Homem &#233; foda, ele disse. Quanto mais a gente sofre, mais a gente faz sofrer.</p><p>Agora, ap&#243;s conversar francamente sobre minhas afli&#231;&#245;es pela primeira vez em mais de uma d&#233;cada, em di&#225;logos que se sucediam e repetiam ao longo dos &#250;ltimos dias com os mais diversos interlocutores, eu descobria que meus medos eram infundados. Achava que pedir ajuda era dif&#237;cil, quando dif&#237;cil mesmo &#233; sobreviver diariamente com uma ang&#250;stia indefinida atravessada na garganta, implorando por um choro que nunca vem. Achava que pedir ajuda era dif&#237;cil e o mais tr&#225;gico de tudo, agora eu compreendia, &#233; que se trata de algo muito f&#225;cil.</p><p>Meu primeiro atendimento no hospital, poucas horas ap&#243;s aquela repentina crise no s&#225;bado de manh&#227;, foi com o m&#233;dico plantonista, respons&#225;vel pela triagem dos pacientes. Ele me perguntou muitas coisas, incluindo se eu vinha tendo idea&#231;&#245;es suicidas. Fiquei em sil&#234;ncio por alguns segundos, sem saber direito como responder. Em que momento um pensamento <em>negativo</em> se torna <em>suicida</em>? Naqueles dias eu vinha tendo pensamentos terr&#237;veis, por&#233;m sempre tive consci&#234;ncia da minha pr&#243;pria vontade de viver e, mais ainda, de melhorar. Nos segundos de introspec&#231;&#227;o que precederam minha resposta, lembrei ainda dos primeiros versos de &#8220;Shivers&#8221;, do Boys Next Door, em que o Nick Cave canta &#8220;I&#8217;ve been contemplating suicide / But it really doesn&#8217;t suit my style&#8221;. De qualquer forma, n&#227;o lembro o que eu respondi. Talvez devesse ter cantado &#8220;Shivers&#8221;.</p><p>Ao encaminhar o pedido de interna&#231;&#227;o por duas semanas, o m&#233;dico me disse:</p><p>As mulheres normalmente tentam muito mais e os homens tentam menos. Porque, em geral, quando os homens tentam, eles conseguem. E n&#243;s sabemos ser bastante violentos, especialmente com n&#243;s mesmos.</p><p>Dias mais tarde, retornei ao assunto, ao conversar com dois colegas de interna&#231;&#227;o, jovens com dezenove ou vinte anos que vinham servindo no ex&#233;rcito. Ambos disseram estar ali por ansiedade e eu comentei que devia ser dif&#237;cil aguentar a press&#227;o do quartel, manter-se ordeiro e forte no meio altamente masculino que &#233; o conv&#237;vio militar. De fato, comentaram eles, isso era algo que os consumia e que talvez consumisse, em n&#237;veis diferentes, todos os militares que eles j&#225; conheceram.</p><p>Falar de sa&#250;de mental &#233; um tabu, eles me disseram. E a maneira como o assunto &#233; reprimido acaba gerando violentas consequ&#234;ncias. Ambos relataram j&#225; ter testemunhado pelo menos dois casos de suic&#237;dio em suas curtas passagens pela caserna. O cabo M relatou o caso dram&#225;tico de um sargento que suicidou-se com uma espingarda calibre 12 enfiada na boca. Ainda ficava perturbado com a vis&#227;o do cr&#226;nio estourado e os miolos grudados no teto. O soldado C, por sua vez, narrou a ocasi&#227;o em que um cabo se matou com um tiro na cabe&#231;a enquanto os recrutas praticavam corrida ao redor. Tratavam-se de homens que nunca haviam manifestado problemas de sa&#250;de mental. Viveram calados, foram embora com um estrondo e deixaram para tr&#225;s um perturbador rastro de sil&#234;ncio: nenhum dos dois havia deixado sequer um bilhete.</p><p>Isso deve ser bastante comum, comentei. Afinal, o f&#225;cil acesso a armas de fogo j&#225; &#233; basicamente metade do ato de suic&#237;dio.</p><p>Sim, eles confirmaram. Era mesmo muito comum.</p><p>Foi a&#237; que o cabo M disse que havia planejado ao longo de duas semanas. E, quando se viu de guarda certa noite, levou o rev&#243;lver &#224; t&#234;mpora, mas foi impedido por um superior. Com o soldado C n&#227;o havia sido diferente, mas no lugar do rev&#243;lver havia um fuzil e no lugar da t&#234;mpora, o queixo.</p><div><hr></div><blockquote><p><em>Eu sempre acreditara que o meu destino era uma vida solit&#225;ria e, apesar da atra&#231;&#227;o que sentia por </em>[Marie]<em>, eu agora sentia isso mais do que nunca. N&#227;o &#233; verdade, disse Marie, que precisamos da aus&#234;ncia e da solid&#227;o. N&#227;o &#233; verdade. &#201; s&#243; que voc&#234; tem medo, n&#227;o sei do qu&#234;. Voc&#234; sempre se manteve um pouco &#224; parte, &#233; claro, isso era &#243;bvio para mim, mas agora &#233; como se voc&#234; estivesse diante de um limiar e n&#227;o se atrevesse a ultrapass&#225;-lo. Eu fui incapaz de admitir ent&#227;o como Marie estava certa em tudo o que dizia, mas hoje, disse Austerlitz, eu sei por que eu era obrigado a virar as costas quando algu&#233;m chegava perto demais, e sei que nesse ato de virar as costas eu me julgava a salvo e ao mesmo tempo me sentia um p&#225;ria, t&#227;o torpe que metia medo.</em></p></blockquote><p><em>Austerlitz</em>, W. G. Sebald.</p><div><hr></div><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oXI-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc26fecd4-c94d-47b8-85b1-7a95add71e77_1280x720.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oXI-!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc26fecd4-c94d-47b8-85b1-7a95add71e77_1280x720.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oXI-!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc26fecd4-c94d-47b8-85b1-7a95add71e77_1280x720.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oXI-!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc26fecd4-c94d-47b8-85b1-7a95add71e77_1280x720.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oXI-!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc26fecd4-c94d-47b8-85b1-7a95add71e77_1280x720.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oXI-!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc26fecd4-c94d-47b8-85b1-7a95add71e77_1280x720.jpeg" width="1280" height="720" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/c26fecd4-c94d-47b8-85b1-7a95add71e77_1280x720.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:720,&quot;width&quot;:1280,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oXI-!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc26fecd4-c94d-47b8-85b1-7a95add71e77_1280x720.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oXI-!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc26fecd4-c94d-47b8-85b1-7a95add71e77_1280x720.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oXI-!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc26fecd4-c94d-47b8-85b1-7a95add71e77_1280x720.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oXI-!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc26fecd4-c94d-47b8-85b1-7a95add71e77_1280x720.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption"><em>Neon Genesis Evangelion</em>, 1x04: &#8220;Hedgehog&#8217;s dilemma&#8221;</figcaption></figure></div><p>Habituo-me rapidamente &#224; rotina do hospital psiqui&#225;trico, que, com seus hor&#225;rios predeterminados e r&#237;gida organiza&#231;&#227;o social, me faz pensar tanto em quart&#233;is quanto em conventos. No ambiente asc&#233;tico do quarto hospitalar, em minhas noites de rohypnol e carbolitium, tenho sonhos com o mundo l&#225; fora, sonhos que v&#234;m e v&#227;o como as portas girat&#243;rias no acesso a outra realidade.</p><p>Numa dessas noites, sonho que rolo no ch&#227;o com um vira-lata felpudo, em cuja testa h&#225; um enigm&#225;tico pingente, brilhante, que oscila sua luz &#224; medida que o cachorro se movimenta. Ao acordar, sinto um estranho afeto por esse c&#227;o imagin&#225;rio e, conforme o dia avan&#231;a, do caf&#233; da manh&#227; ao jantar, o vira-lata adquire consist&#234;ncia e, tornando-se real em minha imagina&#231;&#227;o, ou algo pr&#243;ximo disso, meu afeto por ele se revela cada vez mais leg&#237;timo.</p><p>&#192;s dez horas, quando encosto a cabe&#231;a no travesseiro ap&#243;s o Jornal Nacional, me entrego a mais uma noite de sonhos qu&#237;micos, e meu amado cachorro de pingente brilhante &#233; jogado no redemoinho turvo das mem&#243;rias que ficam para tr&#225;s.</p><div><hr></div><p>Disse V, meu primeiro colega de quarto no hospital psiqui&#225;trico, que dias atr&#225;s a psic&#243;loga havia lhe falado sobre o dilema dos ouri&#231;os, que, sabia eu, era uma par&#225;bola criada por Arthur Schopenhauer, um fil&#243;sofo com o qual n&#227;o tenho intimidade. Em vez disso, conhecia a par&#225;bola por ser uma ideia central do meu anime preferido, <em>Neon Genesis Evangelion</em>. O fil&#243;sofo alem&#227;o pede ao leitor que imagine um grupo de ouri&#231;os buscando abrigo num dia gelado de inverno. E que, amontoados uns nos outros, aproveitam-se do calor de seus corpos para evitar que sejam congelados. Logo, no entanto, come&#231;am a sentir-se incomodados pelos espinhos, o que faz com que novamente se afastem. E, quando a necessidade de calor fala mais alto e eles novamente se aproximam, eles agora t&#234;m consci&#234;ncia de que a proximidade pode machuc&#225;-los e se veem perdidos entre dois males, at&#233; que descubram a melhor dist&#226;ncia que os fa&#231;a tolerar o conv&#237;vio.</p><p>V me conta que a psic&#243;loga pediu que ele fizesse um desenho inspirado pela narrativa. Ele, que nutria uma c&#244;mica obsess&#227;o parricida, desenhou o pr&#243;prio pai, caracterizado como um ouri&#231;o, empalado por um espeto e queimando numa fogueira.</p><p>Isso me fez pensar o que eu teria desenhado caso a psic&#243;loga me pedisse o mesmo e eu conclu&#237; que talvez esbo&#231;asse dois ouri&#231;os num abra&#231;o apertado, com suas longas agulhas perfurando-os mutuamente, espinhos que atravessariam suas carnes em feridas sangrentas, com as extremidades despontando do outro lado. Em contraste &#224; viol&#234;ncia dos corpos, estariam sorridentes e de olhos fechados. Acima das cabe&#231;as eu ainda desenharia dois cora&#231;&#245;ezinhos.</p><div><hr></div><blockquote><p><em>Em seu quadrag&#233;simo terceiro ano, William Stoner aprendeu o que outros, muito mais jovens do que ele, haviam aprendido antes dele: que a pessoa que se ama no come&#231;o n&#227;o &#233; a pessoa que enfim se ama, e que o amor n&#227;o &#233; um fim, mas um processo atrav&#233;s do qual uma pessoa experimenta conhecer outra.</em></p></blockquote><p><em>Stoner</em>, John Williams.</p><div><hr></div><blockquote><p><em>Boys only want love if it&#8217;s torture</em></p></blockquote><p>&#8220;Blank space&#8221;, Taylor Swift.</p><div><hr></div><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!thrf!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F066d8503-51e7-4923-b6ef-df0ea61c198b_2000x1333.webp" 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Em algum momento, um relacionamento longo vira algo como um jogo do s&#233;rio. A gente vai percebendo o desconforto um do outro, as coisas desandando aos pouquinhos, e o jogo s&#243; termina quando algu&#233;m pisca primeiro. Duas ou tr&#234;s semanas antes do t&#233;rmino, me peguei lacrimejando enquanto corria na Reden&#231;&#227;o. Isso porque o modo shuffle da minha biblioteca botou para tocar &#8220;Soul and fire&#8221;, do Sebadoh, projeto solo do m&#250;sico americano Lou Barlow. Gosto muito dele, considero um grande compositor de can&#231;&#245;es sobre t&#233;rminos, dores de cotovelo e de corno, lamenta&#231;&#245;es e lam&#250;rias em geral. Suas composi&#231;&#245;es t&#234;m uma veia emocional pronunciada, n&#227;o exatamente melanc&#243;lica, por&#233;m introspectiva, onde se confundem o ressentimento, a ang&#250;stia e o autoflagelo. No caso de &#8220;Soul and fire&#8221;, trata-se de uma can&#231;&#227;o que come&#231;a, em linhas gerais, falando da natureza do amor: uma quest&#227;o de alma e fogo, de fascina&#231;&#227;o ou desejo, a emo&#231;&#227;o da descoberta, interven&#231;&#227;o divina e, por fim, a mudan&#231;a cruel e o medo de ser rejeitado.</p><p>No refr&#227;o, compreendemos que o narrador est&#225; olhando para tr&#225;s, a partir de um relacionamento que chega ao fim. &#201; quando a m&#250;sica ganha tra&#231;&#227;o e Barlow propulsiona o n&#250;cleo emocional da letra: enquanto voc&#234; se afasta, lembre-se da alegria que compartilhamos, etc. No segundo refr&#227;o, ele ainda afirma que h&#225; uma alegria em deixar as coisas para tr&#225;s. <em>I think our love is coming to an end</em>, &#233; como ele conclui os dois refr&#245;es e, de modo geral, a tese que norteia a can&#231;&#227;o. &#201; uma conclus&#227;o l&#243;gica, &#243;bvia e, ainda assim, inesperada. &#201; a catarse para um crescendo de um sentimento confuso, que n&#227;o &#233; bem tristeza, mas tamb&#233;m n&#227;o &#233; alegria. A composi&#231;&#227;o &#233; recoberta por um distanciamento artificial por parte do narrador e &#233; dif&#237;cil saber se ele est&#225; sendo honesto. Da&#237; que &#233; interessante tentar entender se &#8220;Soul and fire&#8221; &#233; uma m&#250;sica triste ou n&#227;o. O que &#233; isso que ele sente? Arrependimento ou al&#237;vio?</p><p>E eu, que n&#227;o choro f&#225;cil, me vi lacrimejando em p&#250;blico, reconhecendo na letra o que eu vinha sentindo, mas n&#227;o conseguia expressar, como nunca consegui expressar muito bem as coisas que sinto. Aproveitando o embalo, ouvi outra m&#250;sica do Sebadoh, a raivosa &#8220;The freed pig&#8221;. Tamb&#233;m uma can&#231;&#227;o de t&#233;rmino, composta em outras circunst&#226;ncias: trata-se, na verdade, de um desfile nervoso de ressentimentos dirigido a J Mascis, seu ex-colega de Dinosaur Jr., pouco tempo ap&#243;s Mascis t&#234;-lo expulsado da banda. Por&#233;m &#233; perfeitamente poss&#237;vel l&#234;-la como uma can&#231;&#227;o de t&#233;rmino amoroso. Durante boa parte da can&#231;&#227;o, Barlow acusa Mascis de estar <em>certo</em> e, na profus&#227;o de autoflagelo, admite ser rude e arrogante e (adoro esse verso) <em>playing a little boy game</em>. Por fim, ele decreta a liberdade do outro. O jogo aqui tamb&#233;m &#233; confuso: Barlow coloca-se para baixo, mas, colocando-se para baixo est&#225;, na verdade, reafirmando uma superioridade moral frente ao outro. Pois reconhecer as pr&#243;prias falhas &#233; mais nobre do que acabar com tudo. O t&#237;tulo, que n&#227;o chega a aparecer na can&#231;&#227;o, tamb&#233;m &#233; portador de alguma ambiguidade. Quem, afinal, &#233; o porco em liberdade? O narrador ou a figura do outro?</p><p>Mais tarde, ap&#243;s a forte crise de ansiedade da manh&#227; de s&#225;bado, sentado no banco de tr&#225;s do carro, a caminho do hospital psiqui&#225;trico e aguardando os dois comprimidos de propanolol amansarem a taquicardia, coloquei os fones no ouvido e botei para tocar as duas m&#250;sicas em sequ&#234;ncia, tentando imaginar como eu me sentiria agora que o t&#233;rmino n&#227;o era uma hip&#243;tese e sim um fato consumado. H&#225; muito tempo que eu n&#227;o sofria por amor, por&#233;m lembrava que, na adolesc&#234;ncia, ouvia m&#250;sicas tristes em momentos tristes, como se a tristeza das can&#231;&#245;es pudesse sublimar a minha pr&#243;pria. Para minha surpresa, as m&#250;sicas de Barlow, tanto a melanc&#243;lica quanto a furiosa, n&#227;o me causaram raiva ou tristeza. Em vez disso, tanto &#8220;Soul and fire&#8221; quanto &#8220;The freed pig&#8221; me provocaram risos contidos e, naquele momento, senti que Lou Barlow havia elaborado duas amargas piadas cuja gra&#231;a somente agora eu era capaz de perceber.</p><div><hr></div><p>Quando recebo meu amigo P no hor&#225;rio de visitas, ele me pergunta o que tenho feito para preencher as horas no hospital psiqui&#225;trico.</p><p>Conversando com os outros pacientes, respondo. Vendo televis&#227;o. O Jornal Nacional e todas as novelas. E lendo. Comento que, na semana anterior, minha amiga B me trouxe alguns livros. Pegou v&#225;rios em sua biblioteca, sem pensar muito no que estava fazendo, e os deixou aqui comigo: <em>Meus amigos</em>, de Emmanuel Bove, <em>Stoner</em>, de John Williams, e <em>Austerlitz</em>, de W. G. Sebald.</p><p>O primeiro, digo eu, &#233; sobre um homem solit&#225;rio e triste. O segundo conta a hist&#243;ria de um homem solit&#225;rio e triste. J&#225; o terceiro, investiga a identidade de um homem solit&#225;rio e triste.</p><p>N&#243;s rimos e eu fico pensando: para al&#233;m do &#243;bvio, que a literatura &#233;, historicamente, um espa&#231;o de introspec&#231;&#227;o, por que tantos homens em suas obras optam por se afundar na solid&#227;o e na tristeza? A literatura, penso eu, tamb&#233;m pode ser um meio de transcender nossos sofrimentos. N&#227;o exatamente de forma <em>terap&#234;utica</em>, mas da forma como Paul Auster (ele pr&#243;prio um autor de homens solit&#225;rios e tristes) definiu o romance: &#8220;o &#250;nico lugar em que dois estranhos podem se encontrar em condi&#231;&#245;es de absoluta intimidade&#8221;. Assim, come&#231;o a imaginar se &#233; poss&#237;vel escrever um livro sobre solid&#227;o e tristeza sem me voltar ao personagem solit&#225;rio e triste (como, ali&#225;s, eu fizera em meu primeiro romance). Um livro greg&#225;rio que se abra&#231;a ao leitor e, revelando-se um dos ouri&#231;os da par&#225;bola de Schopenhauer, faz sangrar tanto autor quanto leitor, em absoluta intimidade.</p><p></p><div><hr></div><p>Tivemos um coelho, preto, batizado provocativamente de Adolf, adquirido por mim em nosso primeiro anivers&#225;rio. Viveu solto nos apartamentos que habitamos e, como poucos de sua esp&#233;cie disp&#245;em do privil&#233;gio, morreu de causas naturais em seu d&#233;cimo ano, idade avan&#231;ada para um lagomorfo.</p><p>Nutria por ele um carinho especial, diferente do que j&#225; senti por qualquer outro bicho, em especial porque via no coelho algumas de minhas pr&#243;prias caracter&#237;sticas. Adolf costumava escolher um canto do apartamento para estabelecer sua base e ali permanecia por horas, mantendo os olhos profundamente escuros num transe permanente. De vez em quando, aproximava-se do sof&#225;, onde eu estava sentado, e pedia carinho de um jeito s&#243; dele: dando cabe&#231;adas de indigna&#231;&#227;o em meu bra&#231;o. Temperamental, afastava-se com a mesma espontaneidade com que havia se aproximado e, pondo-se desconfiado e arredio, corria para se esconder debaixo da cama.</p><p>Uma noite, em 2022, notamos que ele estava quieto demais. Tomei-o nos bra&#231;os e ele respirava devagar. Seu corpo estava mole e a barriga, inchada, fazia um som anormal de l&#237;quido quando eu mexia nele. Adolf permanecia de olhos abertos, piscando sem qualquer desespero, talvez j&#225; vislumbrando o quinh&#227;o do para&#237;so reservado aos coelhos. Deitei-o de costas em minhas pernas e, juntos, n&#243;s dois acariciamos o coelho nas primeiras horas daquela madrugada. Em sil&#234;ncio, eu dizia a ele: n&#227;o precisa ter medo, pode seguir tranquilo.</p><p>Chegamos a lev&#225;-lo a uma cl&#237;nica veterin&#225;ria, mas n&#227;o havia o que fazer. Quando ele morreu, ao amanhecer, pensei em como ele havia estado ao nosso lado por tantos anos, desde o primeiro anivers&#225;rio, e senti que, de forma simb&#243;lica, era como se nosso relacionamento tamb&#233;m morresse um pouco. &#192; tarde, chorei de tristeza pela primeira vez em muitos anos, e &#224; noite, caminhando no escuro at&#233; a cozinha, desviei do lugar onde ele costumava ficar deitado.</p><div><hr></div><p>Poucos dias antes da alta, sou convidado a participar de uma reuni&#227;o do grupo de apoio organizado pelo hospital. E, ao ouvir os problemas dos outros, sinto que os meus s&#227;o pequenos, de uma banalidade monstruosa. Quando me perguntam se quero falar alguma coisa, me for&#231;o a falar. Por alguma raz&#227;o, come&#231;o minha fala dizendo: nunca fui soci&#225;vel, por&#233;m sempre fingi muito bem. E, ao relatar minhas expectativas para o retorno &#224; realidade, percebo que, ao contr&#225;rio de meus colegas de interna&#231;&#227;o, que passaram a &#250;ltima meia hora falando de suas fam&#237;lias fraturadas, amigos cuja amizade se condicionava ao uso de drogas e parentes que os rejeitavam em fun&#231;&#227;o do preconceito, eu tenho v&#225;rios amigos e familiares com quem posso contar. Falo da minha m&#227;e e do meu pai, que s&#227;o divorciados. Me dou bem com os dois. Eu sendo eu, infalivelmente pragm&#225;tico, come&#231;o a enumerar meu checklist mental para as pr&#243;ximas semanas: organizar uma base de trabalho, resolver minha situa&#231;&#227;o acad&#234;mica, falar com meu editor. Quando digo &#8220;meu editor&#8221;, sinto a voz tremer e penso que a casualidade com que digo esse termo tem l&#225; seus contornos irremediavelmente burgueses, mesmo eu n&#227;o sendo um burgu&#234;s. As pessoas &#224; minha volta comentavam sobre terr&#237;veis dramas familiares e v&#237;cios que consumiam suas vidas e eu aqui, preocupado com esse tipo de coisa. Mas logo percebo que est&#227;o todos atentos ao que digo, t&#227;o atentos aos meus problemas de falso burgu&#234;s quanto aos de gravidade indiscutivelmente superior, e, nesse momento, sentindo-me parte indissoci&#225;vel desse grupo de desajustados, percebo que aqui, agora, minha inadequa&#231;&#227;o &#233; algo inadequado. Mais tarde, quando expresso tudo isso a R, meu segundo colega de quarto, ele diz que n&#227;o existem problemas grandes ou pequenos &#8211; o que importa &#233; o <em>nosso</em> tamanho frente &#224;s dificuldades.</p><div><hr></div><p>Sei que, para muitos, a interna&#231;&#227;o volunt&#225;ria num hospital psiqui&#225;trico &#233; uma medida extrema. Em minhas duas semanas, no entanto, estive na companhia de uma equipe atenciosa e pacientes percorrendo seus pr&#243;prios caminhos de uma ambicionada cura.</p><p>Tive muito tempo para pensar se, para al&#233;m daquela terr&#237;vel crise que me acometeu na manh&#227; de um s&#225;bado, havia outras raz&#245;es, secretas ou inconscientes, para eu ter me colocado nessa posi&#231;&#227;o. Sinto que, num primeiro momento, n&#227;o queria impor a meus familiares esse cuidado espec&#237;fico, que talvez exigisse aten&#231;&#227;o profissional. Tamb&#233;m sinto que, tirado de minha vida pret&#233;rita e lan&#231;ado a uma nova realidade, necessitava de um espa&#231;o neutro para descompress&#227;o, da mesma forma que fazem os astronautas, retornando &#224; Terra ap&#243;s um longo per&#237;odo em gravidade zero. </p><p>Talvez tudo isso seja verdade, mas tamb&#233;m sinto, agora, que busquei o isolamento como forma de evitar a repeti&#231;&#227;o dos erros cometidos por tantos homens na mesma posi&#231;&#227;o antes de mim. Tendo acompanhado a dif&#237;cil separa&#231;&#227;o dos meus pais, entre 2010 e 2012, vi como meu pai sofreu ao tentar n&#227;o sofrer. E vi como, ao ignorar minhas sugest&#245;es de que buscasse ajuda profissional, estabelecia as pr&#243;prias condi&#231;&#245;es para uma poss&#237;vel melhora:</p><p>N&#227;o preciso de psic&#243;logo, dizia ele. Vou ficar bem quando me acertar com tua m&#227;e.</p><p>Logo entendi que depositar na mulher at&#233; mesmo o &#244;nus do pr&#243;prio sofrimento ps&#237;quico e, portanto, interno, &#233; um mecanismo singularmente masculino para desviar a responsabilidade pelas pr&#243;prias emo&#231;&#245;es, ao mesmo tempo que antecipa a cria&#231;&#227;o, a longo prazo, de um espantalho para a aus&#234;ncia de melhora: se ela n&#227;o voltou para mim, ela me quer mal e, ao seguir adiante com a pr&#243;pria vida, fazendo suas coisas, est&#225; perpetuando uma injusti&#231;a contra mim. Logo, meu &#243;dio por ela est&#225; 100% justificado.</p><p>N&#227;o queria que nada disso acontecesse e transferir responsabilidades nunca foi uma op&#231;&#227;o para mim. Tomei consci&#234;ncia disso, agora percebo, numa de nossas primeiras conversas ap&#243;s o t&#233;rmino, poucos dias depois, quando, ao barganhar para que reat&#225;ssemos e resolv&#234;ssemos juntos os nossos problemas, comecei a ouvir, como se repetisse automaticamente a grava&#231;&#227;o rob&#243;tica de uma linha telef&#244;nica, os argumentos do meu pai e de tantos homens antes dele.</p><div><hr></div><p>Durante boa parte da minha estadia no hospital psiqui&#225;trico, escondi que era escritor. Costumo fazer isso nos ambientes em que n&#227;o me conhecem. Em primeiro lugar porque quero evitar as perguntas que as pessoas costumam fazer quando conhecem um escritor. Em segundo lugar porque observo uma mudan&#231;a no comportamento das pessoas quando descobrem que est&#227;o na presen&#231;a de um escritor. As intera&#231;&#245;es mudam de uma hora para a outra, como se o escritor despertasse uma esp&#233;cie de autovigil&#226;ncia ou coisa parecida. De certo modo, me sinto um pouco como um agente secreto colhendo informa&#231;&#245;es sens&#237;veis e isso tem l&#225; tamb&#233;m seus atrativos. Acontece que eu havia respondido &#8220;escritor&#8221; quando o m&#233;dico anotou minha ocupa&#231;&#227;o no prontu&#225;rio e n&#227;o demorou muito at&#233; que as enfermeiras viessem puxar conversa sobre minha escrita. Logo, meu delicado sil&#234;ncio sobre mim mesmo foi rompido. Na v&#233;spera da minha sa&#237;da, sento para conversar com R e o cabo M. Um dos dois diz que eu sairia dali e come&#231;aria imediatamente a escrever um livro baseado nas duas semanas que passei no hospital psiqui&#225;trico. E eu, que j&#225; vinha escrevendo no caderno azul h&#225; algum tempo, respondo que, de fato, talvez a experi&#234;ncia acabasse por se infiltrar em minha produ&#231;&#227;o ficcional. Mas de forma difusa, argumento eu, antecipando que uma pessoa sem intimidade com a cria&#231;&#227;o liter&#225;ria n&#227;o saiba como funciona o processo de fabula&#231;&#227;o. Sigo dizendo que eu alteraria coisas, dados espec&#237;ficos, n&#227;o citaria nomes, nem mesmo nada que pudesse identificar os personagens que conheci. Respeito muito a privacidade dos outros, concluo. Ele ri e diz que nada a ver, que seria muito foda aparecer num livro.</p><div><hr></div><p>J&#225; faz quase um m&#234;s desde que sa&#237; do hospital e agora tenho me readaptado &#224; rotina da vida no interior. Sinto t&#233;dio, mas tamb&#233;m um &#234;xtase singular e algo inexplic&#225;vel. Nada mais parece fazer sentido. Posso tanto virar celibat&#225;rio quanto casar com uma filha de latifundi&#225;rio para administrar as terras do meu sogro. Passar o resto da vida aqui ou me mudar para Cuiab&#225; ou Hong Kong. Coisas que n&#227;o faziam sentido acabam por fazer sentido, talvez justamente por n&#227;o fazerem sentido algum. &#201; o caso da cantora Taylor Swift, que atualmente &#233; a &#250;nica artista que consigo ouvir. Tenho pedalado muito, e diariamente, ouvindo uma playlist de Taylor Swift. Talvez me atraia na artista a capacidade de usar a m&#250;sica como deposit&#225;rio de confiss&#245;es e pensamentos recriminados, a forma como parece reorganizar a pr&#243;pria vida atrav&#233;s da escrita de suas can&#231;&#245;es. Alguns dias atr&#225;s, quando um amigo me convenceu a criar uma conta no Tinder, decidi que minha foto de perfil seria uma selfie segurando o livro <em>Solenoide</em>, do escritor romeno Mircea Cartarescu, para deixar bem claro que sou um anormal. Desde ent&#227;o, fui incorporando outras coisas, incluindo uma frase do comediante Nathan Fielder, uma foto do comediante Larry David, uma ilustra&#231;&#227;o do meu Pok&#233;mon tot&#234;mico, Psyduck, e uma imagem gerada por IA em que apare&#231;o ao lado de Gugu Liberato no palco do programa Domingo Legal. Ainda assim, sempre acabo voltando &#224; inusitada justaposi&#231;&#227;o da foto com o monumental romance romeno e a aba de artistas mais ouvidos no Spotify indicando a soberania de Taylor Swift. Outro amigo disse que eu deveria escrever algo aproximando Swift e Cartarescu e desde ent&#227;o venho pensando nisso, especialmente quando ou&#231;o o &#225;lbum <em>The tortured poets department </em>(2022), onde esse conceito, de um &#8220;departamento de poetas torturados&#8221; aparece na faixa-t&#237;tulo, quando a narradora menciona a m&#225;quina de escrever deixada em seu apartamento pelo ex. Swift n&#227;o expande o sentido dessa imagem, que paira pelo resto do &#225;lbum como uma chave, orientando nossa audi&#231;&#227;o. Mesmo na faixa-t&#237;tulo, Swift demonstra ambiguidade &#224; ideia de pertencer &#224; classe dos &#8220;poetas torturados&#8221;: &#8220;You&#8217;re not Dylan Thomas, I&#8217;m not Patti Smith / This ain&#8217;t the Chelsea Hotel, we&#8217;re modern idiots&#8221;.</p><p>Por sua vez, o <em>Solenoide </em>de Mircea Cartarescu &#233; narrado por um homem que incorpora a defini&#231;&#227;o de poeta torturado: ap&#243;s uma declama&#231;&#227;o fracassada num evento chamado Cen&#225;culo da Lua, o narrador abandona a literatura em definitivo e se torna professor, retomando o h&#225;bito da escrita somente anos mais tarde, no di&#225;rio que d&#225; forma ao romance, um livro feito para que ningu&#233;m o leia. O narrador de <em>Solenoide</em> &#233; um alter-ego do escritor romeno, que tamb&#233;m, na juventude, apresentou um poema num evento como o Cen&#225;culo da Lua, por&#233;m obteve grande sucesso em sua carreira liter&#225;ria. Assim sendo, trata-se de uma constru&#231;&#227;o ficcional em que um homem respeitado em sua &#225;rea de atua&#231;&#227;o imagina a si pr&#243;prio em condi&#231;&#227;o de fracasso, torturado por um cotidiano funesto cada vez mais incompreens&#237;vel. Lamento repetir a piada, mas <em>Solenoide </em>&#233; outro livro sobre um homem solit&#225;rio e triste. H&#225; que se argumentar que tamb&#233;m as narradoras das can&#231;&#245;es de Taylor Swift acabam por cumprir um papel semelhante: Swift &#233; a artista de maior sucesso no mundo, dona de um patrim&#244;nio bilion&#225;rio. Em que n&#237;vel devemos levar a s&#233;rio suas argumenta&#231;&#245;es de que o amor &#8220;is ruining my life&#8221;, como ela canta em &#8220;Fortnight&#8221;? Ou quando, em &#8220;I can do it with a broken heart&#8221;, ela desafia a ideia comum de que vive uma vida plenamente feliz em meio &#224; riqueza e ao espet&#225;culo? Como todo bom narrador em primeira pessoa, tamb&#233;m Swift &#233; capaz de revelar-se n&#227;o-confi&#225;vel: &#8220;The lights refract sequined stars off her silhouette every night / I can show you lies&#8221;.</p><p>H&#225; uma tradi&#231;&#227;o de cantores-compositores angl&#243;fonos cuja obra deve tanto ao c&#226;none liter&#225;rio quanto ao musical: Bob Dylan, Lou Reed, Leonard Cohen, Tom Waits, etc. Foi um movimento iniciado na transi&#231;&#227;o de Dylan para a m&#250;sica el&#233;trica, em 1965, e posteriormente ganhou corpo com o Velvet Underground dando uma cara mais &#8220;adulta&#8221; ao rock, em 1967. Nos anos seguintes, ap&#243;s revolu&#231;&#227;o dos sintetizadores nos anos 1980, a m&#250;sica pop ganhou nova cara e as guitarras deixaram de ser protagonistas. Na transi&#231;&#227;o do rockismo para o popismo, e na cristaliza&#231;&#227;o do segundo como dominante cultural, emergiram artistas que pareciam chamar aten&#231;&#227;o &#224; forma <em>em si</em> da m&#250;sica pop: Madonna, Britney,  Gaga. Posteriormente, num segundo momento, especialmente na segunda metade dos anos 2010, me parece que h&#225; uma colis&#227;o frontal entre o popismo e esse rockismo mais erudito da linhagem dylanesca: Lana, Lorde, Taylor, Charli, Mitski, etc. Todas exploram uma dimens&#227;o &#237;ntima dessa constru&#231;&#227;o artificial que &#233; a m&#250;sica pop, visitando as solenoides ocultas do espet&#225;culo.</p><p>Uma das caracter&#237;sticas mais importante desse pop, pelo menos para mim, &#233; a capacidade de, simultaneamente, falar com milh&#245;es, ao mesmo tempo que d&#225; a impress&#227;o de estar falando &#250;nica e exclusivamente com voc&#234;, o ouvinte, o &#250;nico ouvinte que importa, como se estiv&#233;ssemos sozinhos, Taylor e eu, nos encontrando &#8220;em condi&#231;&#245;es de absoluta intimidade&#8221;, como diria, novamente, o Paul Auster. Quando ela canta &#8220;At dinner, you take my ring off my middle finger/ And put it on the one people put wedding rings on / And that&#8217;s the closest I&#8217;ve come to my heart exploding&#8221;, eu sinto com ela esse &#234;xtase, mas tamb&#233;m a melancolia de saber que as coisas j&#225; tiveram um fim. E, nesse sentido, a Taylor int&#233;rprete contribui muito para elevar a escrita da Taylor compositora: suas can&#231;&#245;es t&#234;m momentos de sussurros, refr&#245;es gritados, sequ&#234;ncias descritivas com flow semelhante ao rap, a voz que quebra no exato instante que precisa quebrar.</p><p>Tanto <em>Tortured poets </em>quanto <em>Solenoide </em>criam fic&#231;&#245;es em cima da explora&#231;&#227;o de uma automitologia: para que ambos funcionem, &#233; preciso que o ouvinte/leitor tenha consci&#234;ncia de que foram escritos por duas pessoas de grande sucesso em suas respectivas &#225;reas. Se Cartarescu prospera nas descri&#231;&#245;es abissais dessa Bucareste t&#233;trica com sombras de horror c&#243;smico, Swift joga com a pr&#243;pria persona, nosso conhecimento e nossa curiosidade sobre os bastidores do entretenimento de massa. Dessa forma, assim como o narrador de <em>Solenoide </em>&#233; e n&#227;o &#233; uma vers&#227;o de Mircea Cartarescu, as narradoras de <em>Tortured poets </em>s&#227;o e n&#227;o s&#227;o vers&#245;es de Taylor Swift: &#8220;You look like Taylor Swift [&#8230;] / You&#8217;ve got edge she never did / The future&#8217;s bright&#8221;, canta ela em &#8220;Clara Bow&#8221;. Ambos parecem pesar a import&#226;ncia da pr&#243;pria arte: <em>Solenoide </em>&#233; um romance extenso que aborda o fracasso da literatura frente &#224; vida, mas tamb&#233;m o fracasso <em>na </em>literatura. <em>Tortured poets</em> &#233; um &#225;lbum longo (sua maior vers&#227;o tem mais de duas horas) que se mostra interessado no melodrama da vida, estabelecendo uma compara&#231;&#227;o/oposi&#231;&#227;o com a linhagem (masculina) dos poetas malditos. Cada um, a seu modo, parece perguntar: &#233; necess&#225;rio sofrer para se produzir boa arte?</p><div><hr></div><p>Exatamente um m&#234;s ap&#243;s o t&#233;rmino, sonho que trabalho para a intelig&#234;ncia brasileira e fui incumbido de recuperar um agente patog&#234;nico extraviado de um laborat&#243;rio. Posicionado numa sala oculta dentro de um pr&#233;dio comercial, passo a vigiar as atividades dos funcion&#225;rios de uma companhia, at&#233; que um buraco se abre no teto da minha sala. Subo no buraco e, acessando o andar de cima, descubro que tamb&#233;m estava sendo vigiado. Por T, um amigo que n&#227;o vejo h&#225; tr&#234;s anos e nem mora no Brasil. T, fico sabendo, trabalha para a intelig&#234;ncia dos EUA, por&#233;m joga com o interesse dos russos. Nos divertimos contando hist&#243;rias, por&#233;m traio sua confian&#231;a: sem que ele perceba, solicito refor&#231;os e ele &#233; preso. Ao revistarem T, encontram o frasco com o agente patog&#234;nico extraviado. Eu o tomo em minhas m&#227;os e guardo no bolso do casaco.</p><p>Fico triste e vou a um bar. Ele est&#225; vazio, &#224; exce&#231;&#227;o de E, que nunca encontrei pessoalmente e s&#243; conhe&#231;o das redes. Ao olhar para ela, penso na personagem de Cate Blanchett em <em>The good german</em> (Steven Soderbergh, 2006). Sim, ela est&#225; caracterizada como se estivesse nos anos 1940, como tamb&#233;m o bar &#233; um pastiche de cinema noir e eu mesmo agora estou vestindo chap&#233;u e sobretudo. Sento ao lado dela e conversamos daquele jeito melanc&#243;lico e cheio de subterf&#250;gios que as pessoas conversam em filmes noir. Tra&#237; um amigo, digo eu. N&#227;o tive escolha. Ele tamb&#233;m havia me tra&#237;do. Vamos dan&#231;ar, ela diz. A jukebox come&#231;a a tocar &#8220;Lover&#8221;, da Taylor Swift, e n&#243;s dan&#231;amos uma dan&#231;a lenta. Ela me beija, a m&#250;sica termina. Ela me olha nos olhos, preocupada, e diz que precisa ir embora. Ela sai do bar, apressada, e eu enfio a m&#227;o no bolso. Agora eu percebo que ela roubou o agente patog&#234;nico.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!KhWN!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F80e49342-4585-44e6-a197-4c4692321434_900x675.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!KhWN!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F80e49342-4585-44e6-a197-4c4692321434_900x675.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!KhWN!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F80e49342-4585-44e6-a197-4c4692321434_900x675.png 848w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" 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N&#227;o pretendia com este ensaio fazer um acerto de contas com o passado, mas observar a constitui&#231;&#227;o do presente. At&#233; queria falar do t&#233;rmino, por&#233;m tratando do relacionamento como a pessoa que entrega o cad&#225;ver de um bichinho querido a um taxidermista. Nesse sentido, minhas palavras s&#227;o enchimentos, estruturas de arame e olhinhos de vidro. Que um leitor, ao chegar neste texto &#224; procura de fofocas e picuinhas, encontrasse outra coisa, mais inusitada, an&#225;loga ao bicho empalhado pelo taxidermista: eis algo que antes pulsava com vida e foi enfim consumido pelo tempo. N&#227;o posso ressuscit&#225;-lo, mas disponho dos meios para transform&#225;-lo em objeto est&#233;tico.</p><p>Ao mesmo tempo, o que escrevo aqui se trata de uma investiga&#231;&#227;o pessoal de outras coisas. A mais importante talvez seja minha pr&#243;pria identidade. O t&#233;rmino de um longo relacionamento &#233; como quebrar um espelho. De uma hora para a outra, n&#227;o se tem mais o referencial mais importante da pr&#243;pria imagem no dia a dia. Sou for&#231;ado a olhar para tr&#225;s e acho dif&#237;cil reconhecer como eu a vers&#227;o de mim que existiu naquele &#250;ltimo ponto antes de come&#231;armos a namorar.</p><p>Tenho sentido, desde muito cedo, desde antes mesmo de desenvolver a consci&#234;ncia de sentir o que sinto, uma inadequa&#231;&#227;o intensa que, removidos os aspectos mais chamativos de minha personalidade, meus gestos e meus gostos, acabaria por se revelar, essa inadequa&#231;&#227;o, o verdadeiro n&#250;cleo, inamov&#237;vel e resoluto, da minha forma de habitar a exist&#234;ncia.</p><p>Imaginando minha vida como uma daquelas imensas sequoias pluricenten&#225;rias, cuja passagem do tempo &#233; aferida pela an&#225;lise das in&#250;meras circunfer&#234;ncias que se organizam de modo conc&#234;ntrico, obedientes &#224; misteriosa raz&#227;o da natureza, em seus troncos fatiados em disco, encontrar&#237;amos ela, a inadequa&#231;&#227;o, no centro de tudo, como a estrutura primordial a partir da qual todo o resto foi formado.</p><p>As met&#225;foras, mesmo quando explicam, servem tamb&#233;m para ocultar e, ao dispor de tantas analogias e tantos s&#237;miles, me pego tentando compreender essa inadequa&#231;&#227;o pelo que de fato ela &#233;, e n&#227;o tanto pelas imagens, por mais interessantes que sejam, que sou capaz de conjurar. Pois a inadequa&#231;&#227;o n&#227;o &#233; bem algo que sinto, mas uma condi&#231;&#227;o que habito, de forma inexplic&#225;vel, em todos os lugares que piso, e uma pel&#237;cula que envolve minhas a&#231;&#245;es, mesmo quando involunt&#225;rias.</p><p>Percebi-me uma crian&#231;a inadequada, e consciente de sua inadequa&#231;&#227;o, em meio a outras crian&#231;as e, na adolesc&#234;ncia, sentia que minha puberdade n&#227;o se adequava &#224;s dos meus colegas, o que me fez chegar a uma forma inadequada de idade adulta, quando passei a me sentir alheio, e alienado, a todos os meios que costumo frequentar. Sempre dispus, no entanto, de um sentido oculto que me norteava quanto &#224; import&#226;ncia das apar&#234;ncias, de modo que, mesmo na inf&#226;ncia, minha intui&#231;&#227;o apontava os meios mais eficientes de parecer adequado, ocultando de meus amigos, por exemplo, que uma das minhas brincadeiras preferidas era &#8220;morto&#8221;, que consistia em deitar num ba&#250; fechado e passar longas sess&#245;es no escuro, imaginando a minha morte.</p><p>Dessa forma, como um ilusionista que pratica longamente seus truques, passei a ensaiar formas mais coerentes de parecer adequado, tentando relegar a inadequa&#231;&#227;o &#224; condi&#231;&#227;o de passageiro clandestino, para o qual eu faria vista grossa e, meramente tolerado, jamais disporia dos mesmos confortos que a tripula&#231;&#227;o.</p><p>Testei modos de parecer como se ensaiasse para apresenta&#231;&#245;es que nunca aconteciam, ou pior, aconteciam o tempo inteiro, ou pior ainda, como se viver fosse uma longa e ininterrupta apresenta&#231;&#227;o, sentindo pulsante uma tens&#227;o paradoxal entre a vontade de me adequar e o empuxo reativo daquela parte inadequada, que resistia em ceder espa&#231;o e, mal sabia eu, era justamente o elemento definidor da minha personalidade.</p><p>Mesmo nos momentos em que imprimia mais verossimilhan&#231;a ao meu truque, percebia que minhas tentativas eram c&#243;pias desajeitadas daquela leve adequa&#231;&#227;o que eu acreditava invejar nas pessoas &#224; minha volta, &#224; maneira pretensiosa e um pouco pat&#233;tica que o d&#226;ndi, em seu af&#227; arrivista de pertencer &#224; aristocracia, acaba se tornando uma curiosa caricatura de aristocrata.</p><p>A clareza que tenho agora sobre a natureza da minha inadequa&#231;&#227;o nem sempre foi assim e, por muito tempo, atribu&#237; o elemento inadequado a desequil&#237;brios espec&#237;ficos entre eu e o meu ambiente. Agora percebo que, estando em mim, a inadequa&#231;&#227;o n&#227;o se origina em lugar nenhum. &#201; algo que existe, me &#233; inerente e cuja explica&#231;&#227;o de origem, com rela&#231;&#227;o a mim, &#233; como explicar a galinha e o ovo.</p><p>Entre o final da adolesc&#234;ncia e o come&#231;o da vida adulta, vivi como uma proje&#231;&#227;o distorcida de tudo o que na &#233;poca eu considerava ousado, extravagante e legal. Caminhando pelo mundo como um rearranjo p&#243;s-ir&#244;nico das minhas inseguran&#231;as, eu abra&#231;ava com gosto o decadentismo millennial, minuciosamente estabelecido nos anos anteriores por blogueiros e bandas de indie rock, por DJ&#8217;s e jovens cineastas com filmes de baixo or&#231;amento, em fotos espont&#226;neas com flash e nas mat&#233;rias da Vice. Mergulhados nesse momento cultural, critic&#225;vamos a complac&#234;ncia do mundo, ao mesmo tempo que n&#227;o oferec&#237;amos nada al&#233;m de uma rebeldia cuidadosamente encenada, uma catarse mediada por grupos focais e um &#234;xtase pronto para ser embalado em posts do Tumblr e an&#250;ncios publicit&#225;rios. Por alguns anos acreditei de fato pertencer a esse mundo e, imitando o que entendia como leg&#237;tima forma de express&#227;o, mascarava meus pr&#243;prios sentimentos, acobertando de forma perversa uma parte de mim que sempre pedia permiss&#227;o para existir. Ainda que pertencesse, sentia que n&#227;o me encaixava, como sempre senti que nunca me encaixei. N&#227;o tenho interesse em ser outra vez esse falso decadente. N&#227;o quero pertencer ao departamento de poetas torturados. Quero ser outra coisa. Talvez eu prefira ser a Taylor Swift.</p><div><hr></div><blockquote><p><em>Quando chega o dia de sair do hospital, a gente fica sabendo desde cedo, e se j&#225; est&#225; em forma anda pelos corredores, treina o passo para quando estiver l&#225; fora, assovia, faz pose de quem teve alta, n&#227;o para ser invejado mas pelo prazer de usar um tom encorajador. Observa o sol fora das vidra&#231;as, ou a neblina se for o caso, ouve os ru&#237;dos da cidade: e tudo &#233; diferente de antes, quando todas as manh&#227;s a gente os percebia &#8211; luz e som de um mundo inating&#237;vel &#8211; ao acordar entre as barras daquela cama. Agora l&#225; fora est&#225; de volta o seu mundo: quem teve alta o reconhece como natural e costumeiro; e, inesperadamente, redescobre o cheiro do hospital.</em></p><p><em>Marcovaldo</em>, Italo Calvino.</p></blockquote><div><hr></div><p>Ao sair do hospital, a primeira coisa que fa&#231;o &#233; ligar o celular. Minha caixa de e-mails est&#225; lotada e o WhatsApp come&#231;a a pulular com duas semanas de notifica&#231;&#245;es. Achei que seria dif&#237;cil n&#227;o ter acesso ao celular por tanto tempo, mas a verdade &#233; que foi muito f&#225;cil. Por um instante, penso inclusive que deveria t&#234;-lo mantido desligado. Mas agora j&#225; &#233; tarde demais e, ao vistoriar os e-mails, percebo que n&#227;o h&#225; nada urgente. Um bom lembrete da minha pequenez e de como o mundo pode seguir adiante sem mim. Sentado no estacionamento do hospital, ao remexer na tela do celular, sinto-me como um macaco encontrando sua primeira ferramenta. Olho para cima e vejo o sol do fim de tarde cobrindo os morros de Porto Alegre, os mesmos morros que, do meu quarto no sexto andar, eu via amanhecer cobertos de neblina. A&#237; come&#231;o, involuntariamente, a cantarolar uma melodia. &#201; Nick Cave. N&#227;o a contempla&#231;&#227;o suicida de &#8220;Shivers&#8221;, mas uma faixa mais recente, do ano passado. Minha m&#227;e diz &#8220;vamos?&#8221;, eu entro no carro e a melodia persiste:</p><p>&#8220;We&#8217;ve all had too much sorrow, now is the time for joy&#8221;.</p><p>Afinal, tamb&#233;m os poetas torturados t&#234;m seus momentos de clareza.</p><div><hr></div><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg" width="129" height="195.75113808801214" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:false,&quot;imageSize&quot;:&quot;normal&quot;,&quot;height&quot;:1000,&quot;width&quot;:659,&quot;resizeWidth&quot;:129,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros&quot;,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:&quot;center&quot;,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros" title="Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><blockquote><p>Meu novo livro, <em>Frankito em chamas</em>, j&#225; est&#225; nas livrarias e tamb&#233;m pode ser encontrado no <a href="https://todavialivros.com.br/livros/frankito-em-chamas">site da Todavia</a> e na <a href="https://a.co/d/f6dbXmK">Amazon</a>.</p></blockquote><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Breve diário de sonhos]]></title><description><![CDATA[O Homem, filho de um Pai celestial e ausente, foi obrigado a se descobrir pai de si mesmo]]></description><link>https://matheusmedeborg.substack.com/p/breve-diario-de-sonhos</link><guid isPermaLink="false">https://matheusmedeborg.substack.com/p/breve-diario-de-sonhos</guid><dc:creator><![CDATA[Matheus Borges]]></dc:creator><pubDate>Mon, 22 Sep 2025 18:21:58 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dPfi!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffa5b97e4-b058-4fb3-9b44-7055b2ee8f00_1280x900.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>(09/08/16) Sonhei que assistia a um epis&#243;dio perdido de <em>Chaves</em>. A hist&#243;ria mostrava o gradual processo de radicaliza&#231;&#227;o do Prof. Girafales. Em uma cena brutal, o professor cortava la&#231;os com seus alunos e com sua amada Dona Florinda para se juntar &#224;s mil&#237;cias do Estado Isl&#226;mico. No final do epis&#243;dio, Girafales substitu&#237;a seu famoso bord&#227;o &#8220;T&#225;, t&#225;, t&#225;, t&#225;, T&#193;!&#8221; por &#8220;Allah, Allah, Allah, AKBAR!&#8221;</p><p>(10/08/17) Sonhei que mostrava um livro escrito por mim ao meu ex-professor de geografia do ensino m&#233;dio. Ele lia dez p&#225;ginas e me devolvia, dizendo que faltava a&#231;&#227;o. Tomei o livro em m&#227;os, abri na primeira p&#225;gina. A frase de abertura era: &#8220;Cansado de tanta bajula&#231;&#227;o no escrit&#243;rio, Alain Champlain embarcou numa rotina constante de viagens noturnas.&#8221; Achei estranho. Olhei para meu professor e disse: &#8220;Esse n&#227;o &#233; o meu livro.&#8221; Acordei e a primeira coisa que fiz foi digitar o nome &#8220;Alain Champlain&#8221; no Google. Muitas pessoas reais, no Canad&#225; e na Fran&#231;a. Por&#233;m um dos resultados vinha do Google Books. O nome &#8220;Alain Champlain&#8221; foi encontrado em uma p&#225;gina do livro<em> Iceland: The International Technothriller</em>, do autor de fic&#231;&#227;o cient&#237;fica Saul Tanpeper. Cliquei na p&#225;gina, onde &#233; narrada a primeira apari&#231;&#227;o de Champlain no romance. Ele est&#225; na Espanha. &#201; noite e ele embarca numa viagem de barco.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dPfi!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffa5b97e4-b058-4fb3-9b44-7055b2ee8f00_1280x900.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dPfi!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffa5b97e4-b058-4fb3-9b44-7055b2ee8f00_1280x900.jpeg" width="1280" height="900" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/fa5b97e4-b058-4fb3-9b44-7055b2ee8f00_1280x900.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:900,&quot;width&quot;:1280,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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Ele ia de mesa em mesa, dizia que estava atr&#225;s de Pedro Fagundes porque Pedro Fagundes herdara uma mans&#227;o de parentes distantes, parentes ricos e mortos. Um menino de doze anos se aproximou do oficial e disse que era Pedro Fagundes. Recebeu os documentos da casa, bem como uma chave dourada. O oficial foi embora e o menino se virou para os clientes da lancheria com olhar de c&#250;mplice. &#8220;&#201; tudo mentira&#8221;, disse ele sacudindo a chave. &#8220;Eu n&#227;o sou Pedro Fagundes.&#8221; Assim mesmo, ficou com a mans&#227;o e convidou a todos para uma grande festa. &#192; noite, os clientes da lancheria compareceram &#224; casa imensa e encheram a cara. Deitei numa cama fofa e liguei a TV, onde passava um filme chamado <em>O v&#233;u da madrugada</em>. Era uma produ&#231;&#227;o de baixo or&#231;amento, mistura de filme de horror e erotismo vulgar. Numa das cenas, uma bruxa nua com longos chifres de bode organizava uma orgia demon&#237;aca com o prop&#243;sito de roubar almas. O pr&#243;prio Sat&#227; compareceu. Fiquei com medo e desliguei a TV. Do quarto ao lado vinha uma m&#250;sica dos Smashing Pumpkins. Levantei, caminhei pela mans&#227;o deserta. Havia apenas a voz de Billy Corgan e eu. Ouvi passos na escada, vi uma sombra deslizando pelo corredor. Tive certeza que era a bruxa do filme e quis acordar &#8211; eu sabia que estava num sonho. Ainda dentro do sonho, acordei. Liguei a televis&#227;o e acompanhei a hist&#243;ria de seis ind&#237;genas assassinados na zona rural ga&#250;cha. O &#250;nico sobrevivente da chacina era um menino de seis meses. Foi batizado pelos assistentes sociais de Buffon, em homenagem ao goleiro. Na internet, militantes de esquerda questionavam o bom senso dos profissionais. Faziam campanha para rebatizar o menino de Ol&#237;vio Dutra ou Pedro Fagundes. Troquei de canal e Rafael Ilha engoliu ao vivo uma pilha AA.</p><p>(29/09/17) Sonhei que estava envolvido na produ&#231;&#227;o de um document&#225;rio a respeito da vida de Dom&#234;nico Schmidt, m&#233;dico e escritor. Goiano, descendente de alem&#227;es, maior te&#243;rico da literatura fant&#225;stica no Brasil. Viveu na primeira metade do s&#233;culo XX, sua foto mais conhecida o mostrava pilotando um jipe no rastro de um enorme jacar&#233;. No sonho, eu abria a esmo uma edi&#231;&#227;o de seu livro mais famoso, um do qual n&#227;o lembro o t&#237;tulo, mas que continha o seguinte par&#225;grafo: &#8220;O &#250;nico conflito da fic&#231;&#227;o cient&#237;fica est&#225; localizado no fato de que o Homem, filho de um Pai celestial e ausente, foi obrigado a se descobrir pai de si mesmo e, tomando gosto pela coisa, for&#231;ou-se tamb&#233;m a ser pai de outras coisas que n&#227;o precisavam de um pai.&#8221;</p><p>(XX/07/19) Sonhei que tinha sido convidado a palestrar num jardim de inf&#226;ncia. L&#225; chegando, me apresentaram a uma turma de crian&#231;as inquietas. A professora pedia aos alunos que aguardassem, ainda n&#227;o era o momento do debate. Depois, me orientou a esperar numa salinha. Abri a porta, encontrei Jair Messias Bolsonaro. Sentei numa cadeira min&#250;scula, observei Bolsonaro apreensivo, hiperventilante. Perguntei o que se passava. &#8220;Eu sempre fico nervoso em momentos assim&#8221;, ele disse.&#8221; &#201; dif&#237;cil manter essa pose, corresponder &#224;s expectativas dos outros. Querem que eu seja duro, eu sou duro. Querem que eu seja um canalha, eu sou um canalha. Voc&#234; n&#227;o sabe o quanto isso pesa na alma de um homem.&#8221; Todos n&#243;s sentimos isso em algum n&#237;vel, expliquei a Bolsonaro. Somos ref&#233;ns do que compreendemos como nossa identidade e da maneira como os outros nos enxergam. Voc&#234; n&#227;o precisa agir desse jeito, n&#227;o precisa ser truculento, n&#227;o h&#225; por que se colocar nessa posi&#231;&#227;o quando aceita que a performance corrompe sua ess&#234;ncia. &#8220;N&#227;o d&#225;&#8221;, disse Bolsonaro. &#8220;&#201; tarde demais.&#8221; <em>Tarde demais</em>, ele repetia, rosto vermelho, afrouxando o colarinho da camisa. A professora interrompeu nossa conversa, era chegada a hora da palestra. Crian&#231;as, disse ela, esse aqui &#233; o Matheus e esse aqui &#233; o Jair Bolsonaro. Logo, as crian&#231;as come&#231;aram a bombardear com perguntas. Bolsonaro, por que voc&#234; &#233; t&#227;o ruim? Bolsonaro, por que voc&#234; age desse jeito? Bolsonaro come&#231;ou a chorar, olhou na minha dire&#231;&#227;o e eu brevemente enxerguei a crian&#231;a que ele havia sido. Tentei indicar a ele que se acalmasse, era poss&#237;vel mudar. Logo, no entanto, Bolsonaro controlou o choro e disse que, se pudesse, mandava matar todo mundo.</p><p>(04/11/19) Sonhei que o cantor Julio Iglesias trocava de nome para Julius Francis Ellwood.</p><p>(XX/05/20) Sonhei que a pandemia chegava ao fim e tinham me chamado para sair. Vesti camiseta, cal&#231;a jeans e havaianas. Ao sair na rua, percebi que esquecera de colocar o chinelo esquerdo. Me incomodava andar descal&#231;o pela metade no asfalto. A irrita&#231;&#227;o crescia e eu estava de p&#233;ssimo humor quando cheguei no bar. Estava sentado com meus amigos e um deles disse: Vejam! O que est&#225; acontecendo naquela mesa? Olhei para o lado e discerni as silhuetas de duas pessoas em cima de uma cadeira, mas n&#227;o entendia o que se passava, n&#227;o era capaz de enxergar nada al&#233;m de borr&#245;es. S&#243; agora eu percebia que, de t&#227;o irritado com o p&#233; descal&#231;o no asfalto, n&#227;o percebera que perdi os &#243;culos no meio do caminho.</p><p>(XX/06/20) Sonhei que um homem abria a porta e me dizia: esse &#233; o melhor filme uruguaio que j&#225; vi. Tomei lugar na plateia vazia e ele deu in&#237;cio &#224; proje&#231;&#227;o. No filme, uma mulher rica orientava uma senhora que cuidaria de seus filhos durante o final de semana. Eles precisam usar m&#225;scaras, dizia a madame. M&#225;scaras respirat&#243;rias, ela enfatizava, que est&#227;o guardadas no lugar x. Assim que a madame saiu, a bab&#225; procurou as m&#225;scaras e as encontrou numa gaveta cheia de equipamentos hospitalares. No entanto, se recusou a fazer com que as crian&#231;as as vestissem. Quando a madame retornou, viu as crian&#231;as sem m&#225;scara e gritou mas como assim? Por que minhas crian&#231;as n&#227;o vestem m&#225;scaras? Voc&#234; n&#227;o sabe o quanto isso &#233; perigoso? A bab&#225; idosa, muito segura de si, disse &#224; patroa que se negava a for&#231;ar as crian&#231;as a vestir aquelas m&#225;scaras, guardadas em condi&#231;&#245;es t&#227;o deplor&#225;veis. Est&#227;o armazenadas de maneira anti-higi&#234;nica, dizia a bab&#225;, foram emporcalhadas. Prontamente, foi demitida. A bab&#225; entrou num &#244;nibus, percorreu um longo trajeto, desembarcou em seu bairro pobre, entrou em sua casinha, passou a m&#227;o na cabe&#231;a do gato. Colocou ra&#231;&#227;o num pote, serviu ao felino, dirigiu-se &#224; caixa de areia. Revirou as merdas do gato, merdas secas e merdas ainda fresquinhas. Dali tirou sua pr&#243;pria m&#225;scara respirat&#243;ria, vestiu-a e permaneceu sentada, observando o gato comer. Fade out.</p><p>&#8220;E ent&#227;o?&#8221;, o homem do cinema me perguntou. &#8220;O que voc&#234; acha?&#8221;</p><p>&#8220;Esse &#233; o melhor filme uruguaio que j&#225; vi.&#8221;</p><p>(24/08/22) Sonhei que trabalhava num livro novo chamado <em>Mar de fezes.</em></p><p>(31/01/24) Sonhei que passava alguns meses em coma e depois de acordar fazia um filme chamado <em>Aqui jaz Matheus Borges</em>, reutilizando imagens degradadas de VHS da minha inf&#226;ncia.</p><p>(15/02/24) Sonhei que, ao jogar meu nome no Google, encontrava uma correspond&#234;ncia inusitada: um post de 2012, escrito em polon&#234;s, no blogspot de uma menina chamada Agnieszka. N&#227;o entendi nada, &#233; claro, portanto joguei o post na ferramenta de tradu&#231;&#227;o. Agnieska dizia: &#8220;pessoal, pe&#231;o desculpas por ter postado t&#227;o pouco. Estou ocupada, trabalhando num curta-metragem chamado<em> Radar</em>, de um brasileiro chamado Matheus Borges.&#8221; De repente lembrei. Sim, as cenas deletadas, com o elenco internacional. Gravamos em ingl&#234;s, num apartamento. Foram cortadas porque n&#227;o se encaixavam na hist&#243;ria. Mas eu gostava daquelas cenas. Onde estavam mesmo? Ah, sim, gravadas num DVD. Mas onde estava o DVD? Tive que procurar nas gavetas. Dei play.</p><p>Tela escura. Fade in gradual para: um apartamento bagun&#231;ado e de pouca ilumina&#231;&#227;o, filmado por uma c&#226;mera digital de baixa qualidade. Enormes gr&#227;os de pixel, como blocos compondo um quebra-cabe&#231;a. Luz lavada, baixo contraste. Duas jovens sentadas em frente a uma janela. Est&#227;o nuas, envolvidas por um len&#231;ol branco que as cobre da cintura para baixo. Uma tem seios pequenos, a outra tem seios grandes. Abra&#231;adas, elas fumam num cachimbo. A c&#226;mera se aproxima do rosto de uma delas.</p><p>Ela pergunta, com o olhar distante: &#8220;Quando voc&#234; morrer, voc&#234; gostaria de ser cremada ou enterrada?&#8221;</p><p>&#8220;Tanto faz&#8221;, a outra responde. &#8220;Eu vou estar morta. Que diferen&#231;a faz o que acontece com o meu corpo?&#8221; Elas riem.</p><p>Uma delas pergunta: &#8220;Cad&#234; o cachorro?&#8221;</p><p>A outra grita: &#8220;Cachorro!&#8221;</p><p>Entra o cachorro. &#201; um homem nu, andando de quatro, boca amorda&#231;ada.</p><p>Uma delas diz: &#8220;Cachorro, onde voc&#234; andava?&#8221;</p><p>E passa a m&#227;o na cabe&#231;a dele.</p><p>De repente, a porta do apartamento se abre. Entra um homem de olhos furiosos. O cachorro reage com medo, corre de quatro por um corredor.</p><p>O homem furioso: &#8220;Ent&#227;o &#233; isso? Voc&#234;s usaram toda a minha droga?&#8221;</p><p>Uma delas: &#8220;A gente pode explicar.&#8221;</p><p>A outra: &#8220;&#201; um projeto.&#8221;</p><p>O homem: &#8220;Que projeto?&#8221;</p><p>Uma delas: &#8220;Um projeto interdimensional.&#8221;</p><p>Corta para o cachorro entrando num quarto, onde est&#225; deitada uma mulher mais velha, dormindo com dois rapazes. Os tr&#234;s est&#227;o nus, envolvidos num len&#231;ol branco. O cachorro olha para a mulher, aproxima a boca amorda&#231;ada de sua bochecha. Ela acorda.</p><p>Mulher: &#8220;O que &#233; isso, cachorro? Perturbando meu repouso?&#8221;</p><p>Cachorro resmunga, babando na morda&#231;a.</p><p>Mulher: &#8220;Ele chegou? Ele est&#225; aqui?&#8221;</p><p>Cachorro sinaliza que sim.</p><p>A mulher cutuca os rapazes, que ainda dormem, e diz: &#8220;Filhinhos, meus filhinhos, acordem.&#8221;</p><p>Corta para a sala:</p><p>O homem furioso grita: &#8220;Aaaah.&#8221;</p><p>Ele puxa um papelote do bolso. Suas m&#227;os esmagam o papelote, fazendo escorrer uma gosma bege.</p><p>As duas jovens se abra&#231;am.</p><p>O homem furioso: &#8220;Voc&#234;s acham que podem me enganar?&#8221;</p><p>Efeito especial bagaceiro: a cabe&#231;a do homem furioso se desprende e flutua acima do corpo. De olhos acesos, a cabe&#231;a permanece conectada ao corpo por uma esp&#233;cie de membrana, transl&#250;cida e luminosa.</p><p>No momento que isso acontece, entram na sala a mulher mais velha, os rapazes nus e o cachorro.</p><p>A cabe&#231;a grita, fazendo com que o cachorro comece a latir por tr&#225;s da morda&#231;a.</p><p>Mulher: &#8220;Voc&#234; nos achou. Grande coisa. Veio aqui para mostrar esses truques? Grande coisa. Quem voc&#234; pensa que &#233;?&#8221;</p><p>Cabe&#231;a: &#8220;Mas &#233; claro que voc&#234; est&#225; por tr&#225;s disso. Eu deveria ter suspeitado desde o come&#231;o.&#8221;</p><p>Mulher: &#8220;Eu gosto de conduzir meus experimentos. Eu sempre gostei.&#8221;</p><p>Cabe&#231;a: &#8220;E por isso voc&#234; pagar&#225; caro. Voc&#234; n&#227;o tem ideia da energia que acumulei nesse corpo.&#8221;</p><p>Efeito especial bagaceiro: telecin&#233;tica, a cabe&#231;a faz com que todos, menos o cachorro, sejam jogados contra a parede. S&#227;o cinco os corpos nus, grudados na parede por for&#231;a mental. Come&#231;am a gritar. Ficam vermelhos, inchados. Transbordam. Uma perna se estica, confundindo-se com o quadril ao lado. Os corpos s&#227;o reduzidos a uma massa confusa. A&#237; come&#231;am a vibrar e s&#227;o absorvidos pela parede do apartamento. O cachorro late para a cabe&#231;a, que ainda flutua.</p><p>(23/10/24) Sonhei que sentava para conversar com Donald Trump e o aconselhava a largar a carreira pol&#237;tica. No sonho ele ficou comovido com meu apelo e tinha um bafo horr&#237;vel.</p><p>(03/01/25) Sonhei que via um piloto perdido do programa da Ana Maria Braga e descobria que a vers&#227;o original do Louro Jos&#233; era um an&#227;o pintado de papagaio.</p><div><hr></div><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg" width="129" height="195.75113808801214" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:false,&quot;imageSize&quot;:&quot;normal&quot;,&quot;height&quot;:1000,&quot;width&quot;:659,&quot;resizeWidth&quot;:129,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros&quot;,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:&quot;center&quot;,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros" title="Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>Meu novo livro, <em>Frankito em chamas</em>, j&#225; est&#225; nas livrarias e tamb&#233;m pode ser encontrado no <a href="https://todavialivros.com.br/livros/frankito-em-chamas">site da Todavia</a> e na <a href="https://a.co/d/f6dbXmK">Amazon</a>.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. 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Assim, lamento profundamente que Kirk tenha tido uma morte violenta diante de uma audi&#234;ncia, no exato momento em que fazia o que mais gostava de fazer: incitar sua audi&#234;ncia &#224; viol&#234;ncia pol&#237;tica.</em></p><p><em>Kirk foi um comunicador sens&#237;vel, cuja habilidade para instigar a viol&#234;ncia racista em homens jovens parecia uma ben&#231;&#227;o divina. Exercendo sua voca&#231;&#227;o de forma comovente, espalhou eloqu&#234;ncia onde s&#243; havia dissenso. Soube, como poucos souberam, dar voz a diferentes preconceitos e discursos de &#243;dio. Num mundo em que a viol&#234;ncia &#233; comumente proferida na forma de vocifera&#231;&#245;es incivilizadas, a clareza de seu discurso era uma boa demonstra&#231;&#227;o de como inovar no que diz respeito &#224; dissemina&#231;&#227;o de preconceitos.</em></p><p><em>Ao mesmo tempo que Kirk reivindicava um justo protagonismo no campo conservador, encantava milh&#245;es com suas palavras e ideias, arregimentando um s&#233;quito de seguidores fan&#225;ticos com um interesse leg&#237;timo na capacidade de transforma&#231;&#227;o da pol&#237;tica &#8212; uma soma de fatores que, evidentemente, nunca causou qualquer problema e sempre foi uma for&#231;a de mudan&#231;a ben&#233;fica para a humanidade.</em></p><p><em>Mas nada disso significa que Kirk fosse intolerante. Ou violento. N&#227;o. Muito pelo contr&#225;rio. Ele era amplamente reconhecido por estabelecer caminhos para o di&#225;logo. Em 2023, por exemplo, ao conclamar pela execu&#231;&#227;o p&#250;blica e televisionada do ent&#227;o presidente Joe Biden, estava na verdade convidando uma sociedade inteira a uma conversa franca e amistosa sobre por que o presidente n&#227;o deveria ser assassinado com armas de fogo. Um dos mais civilizados debates apresentados aos Estados Unidos, uma na&#231;&#227;o que, em tempos menos s&#227;os, costumava assassinar seus l&#237;deres pol&#237;ticos sem nem ao menos consultar a opini&#227;o p&#250;blica.</em></p><p><em>Que Charlie Kirk tenha ele pr&#243;prio sido executado em p&#250;blico n&#227;o deixa de ser uma grande e triste ironia. Que tenha levado um tiro de fuzil, os mesmos fuzis que ele ousava defender com tanto amor, que estivesse num palco sob um cartaz escrito "Prove que estou errado", tudo isso &#233; ir&#244;nico, claro. E triste, imensamente triste. Que tenha sido assassinado por um jovem radicalizado no mesmo campo ideol&#243;gico, sob outra frequ&#234;ncia, numa guerra sect&#225;ria e fratricida que exp&#245;e as diverg&#234;ncias mais mesquinhas da direita radical, tudo isso &#233; lament&#225;vel e nem um pouco engra&#231;ado.</em></p><p><em>Mesmo revisitando ideias consolidadas em relevantes movimentos culturais do s&#233;culo XX, como o nazismo, o fascismo e o supremacismo branco, Kirk inovou ao encontrar formas de se comunicar com uma audi&#234;ncia jovem e sedenta por inimigos. Imposs&#237;vel n&#227;o admirar sua refinad&#237;ssima ret&#243;rica enquanto dava escape aos absurdos mais indiz&#237;veis do planeta. Num espa&#231;o dominado por pequenos Hitlers, ele ousou ser Luther King.</em></p><p>[O op-ed horroroso de jornal americano &#233; um importante g&#234;nero liter&#225;rio do s&#233;culo XXI. &#201; uma das formas textuais que asseguram a enorme fic&#231;&#227;o que &#233; os Estados Unidos da Am&#233;rica. De certa forma, dialoga com o tipo de coisa que me interessa na literatura narrada em primeira pessoa: &#233; moralmente confuso, abertamente contradit&#243;rio, parece n&#227;o ter consci&#234;ncia de suas falhas e &#233; pontuado por humor involunt&#225;rio. Da&#237; que tentei escrever um op-ed horroroso de jornal americano.]</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Gm0Z!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0e9b090b-cb65-4e87-be09-9fa97242b18a_1024x707.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Gm0Z!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0e9b090b-cb65-4e87-be09-9fa97242b18a_1024x707.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Gm0Z!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0e9b090b-cb65-4e87-be09-9fa97242b18a_1024x707.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Gm0Z!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0e9b090b-cb65-4e87-be09-9fa97242b18a_1024x707.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Gm0Z!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0e9b090b-cb65-4e87-be09-9fa97242b18a_1024x707.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Gm0Z!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0e9b090b-cb65-4e87-be09-9fa97242b18a_1024x707.jpeg" width="1024" height="707" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0e9b090b-cb65-4e87-be09-9fa97242b18a_1024x707.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:707,&quot;width&quot;:1024,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Gm0Z!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0e9b090b-cb65-4e87-be09-9fa97242b18a_1024x707.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Gm0Z!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0e9b090b-cb65-4e87-be09-9fa97242b18a_1024x707.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Gm0Z!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0e9b090b-cb65-4e87-be09-9fa97242b18a_1024x707.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Gm0Z!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0e9b090b-cb65-4e87-be09-9fa97242b18a_1024x707.jpeg 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Importantes personagens da hist&#243;ria pol&#237;tica dos Estados Unidos: o rifle usado no assassinato do presidente John F. Kennedy.</figcaption></figure></div><div><hr></div><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg" width="129" height="195.75113808801214" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:false,&quot;imageSize&quot;:&quot;normal&quot;,&quot;height&quot;:1000,&quot;width&quot;:659,&quot;resizeWidth&quot;:129,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros&quot;,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:&quot;center&quot;,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros" title="Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>Meu novo livro, <em>Frankito em chamas</em>, j&#225; est&#225; nas livrarias e tamb&#233;m pode ser encontrado no <a href="https://todavialivros.com.br/livros/frankito-em-chamas">site da Todavia</a> e na <a href="https://a.co/d/f6dbXmK">Amazon</a>.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Um presente para vocês]]></title><description><![CDATA[(mas por favor n&#227;o se empolguem)]]></description><link>https://matheusmedeborg.substack.com/p/um-presente-para-voces</link><guid isPermaLink="false">https://matheusmedeborg.substack.com/p/um-presente-para-voces</guid><dc:creator><![CDATA[Matheus Borges]]></dc:creator><pubDate>Sun, 14 Sep 2025 17:40:38 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MPOO!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F56d60891-0eed-4e62-a98a-1a5763aa9068_1816x2536.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Essa newsletter acaba de chegar a 700 assinantes. Isso ocorre num momento em que escrevi tr&#234;s textos que acabaram por se tornar os mais lidos dessa publica&#231;&#227;o: &#8220;<a href="https://matheusmedeborg.substack.com/p/inteligencia-artificial-e-um-assunto">Intelig&#234;ncia artificial &#233; um assunto merda para gente ins&#237;pida</a>&#8221; (julho); &#8220;<a href="https://matheusmedeborg.substack.com/p/o-ano-em-que-parei-de-fumar">O ano em que parei de fumar</a>&#8221; (agosto) e &#8220;<a href="https://matheusmedeborg.substack.com/p/nao-e-literatura">N&#227;o &#233; literatura</a>&#8221; (setembro). </p><p>(Mais recentemente <em>ainda</em> publiquei um texto longo e experimental, intitulado &#8220;<a href="https://matheusmedeborg.substack.com/p/meus-documentos">Meus documentos</a>&#8221;, mas ele se tornou um dos <em>menos </em>lidos desse espa&#231;o. Snif.)</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MPOO!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F56d60891-0eed-4e62-a98a-1a5763aa9068_1816x2536.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MPOO!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F56d60891-0eed-4e62-a98a-1a5763aa9068_1816x2536.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MPOO!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F56d60891-0eed-4e62-a98a-1a5763aa9068_1816x2536.jpeg 848w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">O presente que trago<em> N&#195;O &#201;</em>  uma pintura de palha&#231;o.</figcaption></figure></div><p>Em fun&#231;&#227;o disso, a editora Todavia sugeriu o envio de um pequeno regalo aos que me acompanham por aqui: um <em>sample</em>, em formato .pdf, contendo os dois primeiros cap&#237;tulos do meu novo livro, <em>Frankito em chamas</em>.</p><p>Como voc&#234;s sabem (ou n&#227;o), <em>Frankito </em>&#233; meu segundo romance e foi publicado em julho. <a href="https://substack.com/@matheusmedeborg/p-167763690">Nesse texto</a> falei de v&#225;rias coisas relacionadas &#224; escrita e &#224; publica&#231;&#227;o do livro.</p><p>Para visualizar ou baixar o <em>frankito sample.pdf</em>, clique <a href="https://matheusmedeborg.wordpress.com/wp-content/uploads/2025/09/frankito-sample.pdf">aqui</a>.</p><p>Agrade&#231;o &#224; Todavia por essa iniciativa e &#224; minha amiga <span class="mention-wrap" data-attrs="{&quot;name&quot;:&quot;Verena Cavalcante&quot;,&quot;id&quot;:278861307,&quot;type&quot;:&quot;user&quot;,&quot;url&quot;:null,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/c4b83327-894a-467e-a85a-75a5d2a58ccd_1124x1125.jpeg&quot;,&quot;uuid&quot;:&quot;43ea071b-0b7e-4835-9f12-4f093178c2c3&quot;}" data-component-name="MentionToDOM"></span> por ter contribu&#237;do com o <em>blurb</em> sucinto, por&#233;m delicioso, que serve de encerramento a esse arquivo de 24 p&#225;ginas.</p><p>Por fim, &#233; poss&#237;vel adquirir <em>Frankito em chamas</em> em qualquer lugar que se adquira livros, incluindo o <a href="https://todavialivros.com.br/livros/frankito-em-chamas">site da editora</a>, a <a href="https://a.co/d/f6dbXmK">Amazon</a> e a livraria do seu bairro.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Meus documentos]]></title><description><![CDATA[&#233; cp,p a hente tivese escrevendo o que a gente ta fazendo]]></description><link>https://matheusmedeborg.substack.com/p/meus-documentos</link><guid isPermaLink="false">https://matheusmedeborg.substack.com/p/meus-documentos</guid><dc:creator><![CDATA[Matheus Borges]]></dc:creator><pubDate>Wed, 10 Sep 2025 18:39:16 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wq14!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0391a3a4-b6ff-4b85-a9c3-1a556b006330_1742x2250.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><em>Este Computador &gt; Windows (C:) &gt; Usu&#225;rios &gt; Matheus &gt; Documentos</em></p><p>                              Classificar por &gt;</p><p>                                                        &#8226;  Data de modifica&#231;&#227;o</p><p><strong>mon&#243;logo.docx | &#218;ltima modifica&#231;&#227;o: 16/03/2010 23:08</strong></p><p>Eu acho que muita coisa j&#225; t&#225; fora de moda e eu continuo usando mesmo assim. Mon&#243;logo de introdu&#231;&#227;o, por exemplo. &#201; uma coisa brega, &#233; uma coisa cafona e, no entanto, &#233; exatamente o que eu t&#244; fazendo aqui, um mon&#243;logo de introdu&#231;&#227;o. O que eu quero n&#227;o &#233; que voc&#234; pense &#8220;ah, mais um filme com o protagonista falando com a c&#226;mera, quebrando a quarta parede, sem motivo algum&#8221;, n&#227;o, eu n&#227;o quero tirar os m&#233;ritos do filme, n&#227;o quero frustrar suas expectativas acerca dele, nem menosprezar a intelig&#234;ncia do espectador. Eu quero que voc&#234; pense no que vem depois desse mon&#243;logo, &#233;, no que vem depois. Eu nunca me preocupei com o que vem depois, eu acho que por isso que eu t&#244; aqui.</p><p><strong>duchamp johns.docx | &#218;ltima modifica&#231;&#227;o: 08/06/2010 00:36</strong></p><p>Sobre &#8220;Reflex&#245;es Sobre Duchamp&#8221;, de Jasper Johns: &#8220;Essa preocupa&#231;&#227;o com as coisas movendo e paradas (&#8230;) focaliza as altera&#231;&#245;es de peso das coisas, a instabilidade das nossas defini&#231;&#245;es e medi&#231;&#245;es&#8221;, diz Jasper Johns. &#8220;Trazer a d&#250;vida para o ar que envolve a arte pode ter sido uma grande obra de Duchamp.&#8221;<em> </em>Ou seja: o que Duchamp fez foi utilizar-se de valores j&#225; contidos na arte e transp&#244;-los para outros <em>objetos </em>at&#233; ent&#227;o sem esse valor. Duchamp n&#227;o nos fez questionar <em>o que &#233; </em>arte, mas sim <em>o que n&#227;o &#233;. </em>Numa sociedade onde as informa&#231;&#245;es est&#227;o se movendo cada vez mais rapidamente, poderia a arte encontrar seu lugar no meio delas? Ou a arte deve permanecer &#224; margem, servindo meramente como reflexo desse novo sistema?</p><p><strong>Poemas p dramaturgia.docx | &#218;ltima modifica&#231;&#227;o: 14/08/2010 12:38</strong></p><p>Ginsberg sempre foi meu poeta preferido da gera&#231;&#227;o beat e &#8220;Can&#231;&#227;o&#8221;, o poema que mais gosto em sua obra. Tenho uma liga&#231;&#227;o pessoal com esse poema e o releio pela primeira vez em algum tempo. Ainda tenho as mesmas impress&#245;es ao l&#234;-lo agora do que quando o li pela primeira vez: Ginsberg apresenta o amor como sendo a completude f&#237;sica e espiritual do ser humano: amar &#233; voltar para o corpo onde se nasceu.</p><p><strong>blue.docx | &#218;ltima modifica&#231;&#227;o: 31/08/2010 12:34</strong></p><p><em>Blue</em> &#233; um exerc&#237;cio de paci&#234;ncia. Qualquer filme que te fa&#231;a observar uma tela azul durante mais de uma hora &#233; um exerc&#237;cio de paci&#234;ncia. O azul vai te irritar profundamente e voc&#234; vai fechar os olhos. Mas a voz de Derek Jarman vai fazer voc&#234; se lembrar do azul, o inevit&#225;vel azul. E se voc&#234; achar irritante olhar para uma tela azul, imagine n&#227;o poder olhar para a tela azul, porque tudo o que voc&#234; v&#234; &#233; o azul. Isso aconteceu ao pr&#243;prio Jarman, que fez <em>Blue</em> quando sabia que estava para morrer. E a morte &#233; onipresente em <em>Blue</em>.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p><strong>nouvelle vague.docx | &#218;ltima modifica&#231;&#227;o: 06/09/2010 03:33</strong></p><p>Mesmo apresentando-se como um movimento, a <em>nouvelle vague</em> n&#227;o apresenta um manifesto, um conjunto de caracter&#237;sticas pl&#225;sticas. Nota-se a forte presen&#231;a de uma ideologia com base na teoria do autor, a busca de uma identidade para a gera&#231;&#227;o da d&#233;cada de 1960 e a o registra de fatos da vida comum (segundo Truffaut, &#8220;todo bom filme deve exprimir ao mesmo tempo uma concep&#231;&#227;o da vida e uma concep&#231;&#227;o do cinema&#8221;).</p><p><strong>hist&#243;rico.docx | &#218;ltima modifica&#231;&#227;o: 15/04/2011 20:59</strong></p><p>Meu nome &#233; Matheus Borges, me formei no ensino m&#233;dio em 2009 na escola Nova Gera&#231;&#227;o, em Tapes. Estudei l&#237;ngua inglesa por sete anos e l&#237;ngua espanhola por dois. Ano passado, ingressei no curso de realiza&#231;&#227;o audiovisual da Unisinos, ap&#243;s ter vencido um concurso de curtas promovido pela institui&#231;&#227;o no ano de 2009.</p><p><strong>cinema p&#243;s-moderno.docx | &#218;ltima modifica&#231;&#227;o: 09/05/2011 01:01</strong></p><p>Para David Harvey, o p&#243;s-modernismo implica acelera&#231;&#227;o espa&#231;o-temporal. De acordo com ele, o advento de novas tecnologias fez com que perceb&#234;ssemos os limites de espa&#231;o e tempo que nos s&#227;o impostos. Assim sendo, o per&#237;odo de consumo de bens culturais e materiais teria se tornado mais curto &#8212; e acelerado. Em <em>Blade runner</em>, o cen&#225;rio ca&#243;tico de uma Los Angeles p&#243;s-industrial, repleta de produtos descartados, seria o retrato dessa nova realidade.</p><p>Frederic Jameson identifica no p&#243;s-moderno um olhar nost&#225;lgico. Sempre olhando para tr&#225;s, seja est&#233;tica ou tematicamente, o filme p&#243;s-moderno se estrutura com refer&#234;ncias culturais do passado. &#201; o caso de <em>Kafka</em>, de Steven Soderbergh, que recria a Praga de meados do s&#233;culo XIX utilizando elementos do film noir.</p><p>Linda Hutcheon define o cinema p&#243;s-moderno como paradoxal. Se ele n&#227;o traz a contesta&#231;&#227;o e a subvers&#227;o caracter&#237;sticas do cinema moderno, traz um novo tipo de subvers&#227;o est&#233;tica, fundindo elementos j&#225; familiares ao p&#250;blico &#8211; g&#234;neros, estere&#243;tipos e signos &#8211; com novas ferramentas de linguagem. Para Hutcheon, o filme p&#243;s-moderno utiliza dessas novas ferramentas sem preterir o distanciamento do p&#250;blico.</p><p>Por n&#227;o pretender que o p&#250;blico recuse a obra ou que n&#227;o a entenda, mas que a aceite, o cinema p&#243;s-moderno assimila, tamb&#233;m, elementos da cultura de massa. Utilizando-se de uma linguagem din&#226;mica, acess&#237;vel e pr&#243;pria de sua &#233;poca, o filme p&#243;s-moderno dialoga com o referencial do p&#250;blico. Ousado, arriscado e experimental, o filme p&#243;s-moderno recusa tanto os conceitos centrais do cinema cl&#225;ssico quanto os do cinema moderno.</p><p><strong>mestre marinheiro.txt | &#218;ltima modifica&#231;&#227;o: 17/06/2012 01:41</strong></p><p>mestre marinheiro</p><p>sr filipino</p><p>cloclo e clotilde</p><p>ti&#227;o</p><p>ataque zumbi pode se tornar real por causa da existencia de uma droga nova encontrada em miami que transformaa ava as pessoas em zumbis</p><p>- voce vai ficar entediado com iss</p><p>alem disso tu quer saber oq eu tu vai fazer vai fazer?</p><p>ahn?</p><p>ah, deixa</p><p>- o que mais eu posso falar?</p><p>- fale coisas habilidosas</p><p>- do ta entendo o teto que eu to escrevendo um dialogo de nossos roteiros?</p><p>- vai pra baixo</p><p>- mas eu acho que tu tem que escrever coiss mais habilidosas1</p><p>- ta mas tu acha que eu nao sou capaz?</p><p>- laro que me lembro porque sou o mestre marinheiro</p><p>afirmou matheus:</p><p>e em seguida deu um arroto</p><p>- bah tu ta entenddendo o que a gente ta fazendo?</p><p>- bah que teto preto eu continuo escrevendo.</p><p>- &#233; cp,p a hente tivese escrevendo o que a gente ta fazendo</p><p>- anotando - disse matheus</p><p>a gente nao consegue fugir disso</p><p>- qier ,idar de assimtp</p><p>- vamos falar sobre a prostata</p><p>- eu so preciso falar uma coisa</p><p>- a gente precisa escrever um roteiro sobre o roteiro de dois chapados que descrevem tudo o que estao falando</p><p>- ah, essa luz eh muito estranhas</p><p>- mas eu acho que essa e a nova narrativa do cinema</p><p><strong>regras.docx | &#218;ltima modifica&#231;&#227;o: 26/10/2013 01:41</strong></p><p>1 &#8211; Tridimensionalidade pela repeti&#231;&#227;o n&#227;o existe: Um personagem conflituoso &#233; importante, mas a tentativa de aprofundar o conflito atrav&#233;s do refor&#231;o e da repeti&#231;&#227;o &#233; um erro fatal. O resultado disso &#233; uma hist&#243;ria que insiste em dizer v&#225;rias vezes a mesma coisa. O interessante &#233; aprofundar o personagem n&#227;o pela constante lembran&#231;a de suas caracter&#237;sticas mais evidentes, mas por novas a&#231;&#245;es e rea&#231;&#245;es que mostram desdobramentos, inclusive contradit&#243;rios, dessas caracter&#237;sticas.</p><p>2 &#8211; Evitar ao m&#225;ximo cenas ao telefone.</p><p>3 &#8211; Descrever apenas as seguintes coisas e objetos: estados emocionais, tra&#231;os f&#237;sicos marcantes dos personagens, coisas inventadas em sua imagina&#231;&#227;o que n&#227;o existem na realidade (p. ex. arma que dispara rosquinhas?), objetos e ambientes peculiares com liga&#231;&#227;o atmosf&#233;rica e psicol&#243;gica com a hist&#243;ria ou de grande import&#226;ncia narrativa. Perder um par&#225;grafo descrevendo um aspirador de p&#243;? O leitor sabe como &#233; um aspirador de p&#243;.</p><p>4 &#8211; Come&#231;ar a escrever uma hist&#243;ria sem saber como ela termina. Desse modo, o primeiro leitor a se surpreender com o fim serei eu pr&#243;prio (e muito devagar).</p><p>5 &#8211; Hist&#243;rias inacabadas s&#227;o como fantasmas.</p><p>6 -</p><p><strong>bio.docx | &#218;ltima modifica&#231;&#227;o: 27/01/2012 15:15</strong></p><p>Matheus Borges tem 19 anos. Poeta, contista, cineasta e m&#250;sico, nasceu em Porto Alegre e hoje cursa realiza&#231;&#227;o audiovisual na Unisinos. Ganhou, em 2009, seis pr&#234;mios em dois diferentes festivais de v&#237;deo estudantil por seu curta-metragem &#8220;Uma Vida de Papel&#8221;. Em 2010 lan&#231;ou &#8220;Volume Um&#8221; e &#8220;Volume Dois&#8221;, discos que s&#227;o o resultado de um trabalho que desenvolve desde 2008 &#224; frente do projeto de m&#250;sica alternativa Nosso Querido Figueiredo. Tamb&#233;m em 2010, realizou &#8220;Tumulares&#8221;, s&#233;rie de 12 fotografias onde capturou palavras inscritas em l&#225;pides, utilizando-se de cores vivas e alto-contraste.</p><p><strong>relat&#243;rio est&#225;gio.docx | &#218;ltima modifica&#231;&#227;o: 01/12/2013 18:01</strong></p><p>Atividades recentes envolveram leituras e apontamentos de roteiro. Elabora&#231;&#227;o de personagens, di&#225;logos, estrutura. No segundo semestre, os apontamentos foram utilizados para que elaborar um novo tratamento. Ap&#243;s a reformata&#231;&#227;o do roteiro, foi iniciado o processo de reescrita, que tomou a maior parte das atividades do &#250;ltimo semestre. Criei cenas para resolver storylines paralelas e explorar personagens menores. Em outros momentos, a import&#226;ncia de objetos de cena tamb&#233;m foi elevada.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wq14!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0391a3a4-b6ff-4b85-a9c3-1a556b006330_1742x2250.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wq14!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0391a3a4-b6ff-4b85-a9c3-1a556b006330_1742x2250.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wq14!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0391a3a4-b6ff-4b85-a9c3-1a556b006330_1742x2250.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wq14!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0391a3a4-b6ff-4b85-a9c3-1a556b006330_1742x2250.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wq14!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0391a3a4-b6ff-4b85-a9c3-1a556b006330_1742x2250.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wq14!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0391a3a4-b6ff-4b85-a9c3-1a556b006330_1742x2250.jpeg" width="368" height="475.4175824175824" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0391a3a4-b6ff-4b85-a9c3-1a556b006330_1742x2250.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:false,&quot;imageSize&quot;:&quot;normal&quot;,&quot;height&quot;:1881,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:368,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:&quot;center&quot;,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wq14!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0391a3a4-b6ff-4b85-a9c3-1a556b006330_1742x2250.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wq14!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0391a3a4-b6ff-4b85-a9c3-1a556b006330_1742x2250.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wq14!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0391a3a4-b6ff-4b85-a9c3-1a556b006330_1742x2250.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!wq14!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0391a3a4-b6ff-4b85-a9c3-1a556b006330_1742x2250.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">L. H. O. O. Q. (Marcel Duchamp, 1919)</figcaption></figure></div><p><strong>filmes que vi de madrugada.docx | &#218;ltima modifica&#231;&#227;o: 12/08/2014 04:03</strong></p><p><em>Re-Animator </em>(Stuart Gordon, 1985): Essa adapta&#231;&#227;o de um conto de H. P. Lovecraft me assombrou quando, ao circular pelos canais da televis&#227;o, vi aquela cena envolvendo o man&#237;aco personagem de Jeffrey Combs e um gato morto. Pensei: que filme bem doente. Era s&#225;bado de madrugada e eu podia ficar acordado at&#233; mais tarde. Se eu n&#227;o tivesse acesso ao conte&#250;do da televis&#227;o pela madrugada, talvez n&#227;o pudesse descobrir outras coisas assim. Agora, eu ansiava por descobrir filmes doentes.</p><p>Comecei a usar uma fita VHS para gravar outros filmes durante a semana, dando in&#237;cio a um h&#225;bito obsessivo de grava&#231;&#227;o que durou dos meus doze anos at&#233; os dezessete.</p><p><em>Os olhos da cidade s&#227;o meus </em>(Bigas Luna, 1987): Repulsa e p&#226;nico quando o vi pela primeira vez, tendo sido gravado em meio a seis horas de televis&#227;o em uma VHS.</p><p><em>Popeye </em>(Robert Altman, 1980): Gravei por acaso. Queria ver o filme que passaria antes &#8211; do qual n&#227;o lembro. <em>Popeye </em>deve ter passado &#224;s cinco horas da manh&#227;.</p><p><em>Veludo azul</em> (David Lynch, 1986): Eu j&#225; tinha visto<em> Twin Peaks</em>? N&#227;o lembro. De qualquer modo,<em> </em>fiquei muito intrigado com a sinopse no jornal. Passou num s&#225;bado e n&#227;o tive que grav&#225;-lo na minha VHS. Depois de t&#234;-lo visto, no entanto, queria t&#234;-lo gravado em fita.</p><p><em>O justiceiro</em> (Mark Goldblatt, 1989): O filme com Dolph Lundgren que n&#227;o tem muito a ver com os quadrinhos. Acho que n&#227;o gravei, mas vi de madrugada nas f&#233;rias. Que sensa&#231;&#227;o incr&#237;vel estar acordado &#224;s quatro da manh&#227; vendo o Dolph Lundgren tocando o terror nos bandidos.</p><p><em>O &#250;ltimo grande her&#243;i</em> (John McTiernan, 1993): Obra-prima incompreendida do cinema americano. Se fez presente na minha vida primeiro como um conceito: meu pai falando de um filme em que o Schwarzenegger encontrava a si mesmo. Revi dia desses, por acaso, passando na TV.</p><p><em>Brazil </em>(Terry Gilliam, 1985): Vi pela primeira vez da maneira errada: peguei apenas a segunda metade do filme quando n&#227;o conseguia dormir e liguei a televis&#227;o. A fita, no entanto, continuava rodando e pude assistir &#224; primeira metade no dia seguinte. O desespero do personagem de Jonathan Pryce em meio &#224;s m&#225;quinas e &#224; burocracia.</p><p><em>Psicose </em>(Gus Van Sant, 1998): Vi o remake antes de ter visto o original.</p><p><em>Alta ansiedade </em>(Mel Brooks, 1977): Devo ter visto umas tr&#234;s vezes. Eu entendia que era uma par&#243;dia de alguma coisa, mas n&#227;o sabia do qu&#234;. Somente anos depois fui ver <em>Um corpo que cai</em> E o filme de Hitchcock ser&#225; sempre, para mim, uma vers&#227;o menos engra&#231;ada de <em>Alta ansiedade</em>.</p><p><strong>carta de apresenta&#231;&#227;o &#8211; oficina liter&#225;ria.docx | &#218;ltima modifica&#231;&#227;o: 29/12/2014 19:37</strong></p><p>Ao escrever, busco aperfei&#231;oar minha t&#233;cnica e meu estilo. Quero reduzir a discrep&#226;ncia entre meus pensamentos e as palavras que uso para registr&#225;-los. N&#227;o &#233; uma tarefa f&#225;cil, por&#233;m tenho consci&#234;ncia de que todos que fazem o que eu quero fazer enfrentaram esse mesmo tipo de dilema, buscando um funil sem filtro, uma calha que n&#227;o se entupa e despeje toda a &#225;gua sem sonegar uma gota sequer. Um objetivo inalcan&#231;&#225;vel, &#233; claro, e, por mais que &#224;s vezes eu me sinta pr&#243;ximo a agarr&#225;-lo, a verdade &#233; que estou para sempre condenado a percorrer as ass&#237;ntotas dessas curvas de significa&#231;&#227;o talvez eu esteja exagerando, porque quem decide mesmo se o que eu fa&#231;o est&#225; funcionando n&#227;o sou eu. E eu preciso fazer com que essas coisas funcionem, ainda mais num terreno t&#227;o fr&#225;gil quanto a fic&#231;&#227;o, em que preciso convencer um leitor de que ele &#233; capaz de visualizar uma coisa que n&#227;o existe.</p><p>Meu objetivo aqui &#233; descrever a maneira como me relaciono com o processo de escrita, que n&#227;o guarda semelhan&#231;a alguma com a sua ou com as dos outros candidatos. Quanto aos outros candidatos, imagino que existam pessoas muito talentosas tentando participar da oficina e eu n&#227;o consigo deixar de pensar que muitos deles s&#227;o melhores do que eu e alguns s&#227;o piores do que eu, e que estamos competindo no escuro. N&#227;o sei se minha capacidade argumentativa &#233; das melhores (me vejo como uma pessoa bastante expositiva, mas com pouca capacidade de persuadir), mas n&#227;o vou deixar de apresentar minhas raz&#245;es para buscar essa vaga por causa disso.</p><p>1) eu quero aprender;</p><p>2) eu quero construir uma experi&#234;ncia individual atrav&#233;s de uma experi&#234;ncia coletiva, de coisas que me s&#227;o ditas sobre coisas que eu digo e escrevo;</p><p>3) eu n&#227;o quero parar de encontrar novas maneiras de observar as coisas do mundo, as reais e as imagin&#225;rias;</p><p>4) eu acredito em minha escrita;</p><p>5) a sala de aula &#233; um espa&#231;o sadio para discuss&#245;es;</p><p>6) discutir escrita &#233; um jeito eficiente de estimular a cria&#231;&#227;o liter&#225;ria.</p><p><strong>estamos sozinhos.docx | &#218;ltima modifica&#231;&#227;o: 01/05/2015 05:48</strong></p><p>Parece que estamos sozinhos. Essa &#233; a maior avenida da cidade e nos sentimos acompanhados um do outro, apenas. Sabemos que &#233; uma miragem: os carros de som passeiam ao nosso redor. &#8220;Vote treze&#8221;, diz um deles. &#8220;Vote quinze&#8221;, diz o outro. N&#227;o &#233; como se isso importasse para mim, eu n&#227;o vivo aqui, eu n&#227;o sei em quem votaria se vivesse. Eu n&#227;o tenho idade para votar.</p><p>Atravessamos o parque. A luz amarelada do c&#233;u de outubro &#233; c&#225;lida. &#201; como se fosse veludo transformado em luz. Atravessa as copas das &#225;rvores, chega at&#233; n&#243;s. Estamos debaixo de uma &#225;rvore de tronco retorcido. Eu estava preocupado com equa&#231;&#245;es. Eu deveria estar estudando equa&#231;&#245;es e n&#227;o ali. Carrego minha mochila, onde trouxe dinheiro e entretenimento &#8211; escapismo mental. Um &#225;lbum de punk rock que comprei numa promo&#231;&#227;o. Um livro de poesia.</p><p>Eu gostava muito daquele poema, daquele livro na minha mochila. &#201; uma sensa&#231;&#227;o estranha que o autor prop&#245;e: querer voltar ao corpo em que se nasceu. Podemos ver isso de maneira simples, de modo que isso seja voltar a ser um embri&#227;o, retornar ao &#250;tero, o estado mais primitivo de nossa exist&#234;ncia. Tamb&#233;m pode ser que eu busque retornar ao corpo de minha m&#227;e como em uma caricatura freudiana. Mas ela n&#227;o se parece com a minha m&#227;e. Eu n&#227;o havia pensado nada disso antes. Isso me deixa desconfort&#225;vel.</p><p>Ela gosta do autor, ela gosta quando eu falo assim. Ela me d&#225; um beijo gra&#231;as ao autor, que j&#225; morreu. Ele n&#227;o havia escrito aquilo para uma namorada, mas para expressar o sofrimento de ser homossexual na Nova York dos anos 1940. Isso n&#227;o faz diferen&#231;a. Estamos sozinhos.</p><p>A boca dela tem gosto de chiclete velho. Eu acho que vi quando ela jogou o chiclete fora, vinte minutos atr&#225;s. Acho que ela me ofereceu um chiclete, mas eu recusei. Acendi um cigarro mentolado porque quero parecer m&#225;sculo e ao mesmo tempo sens&#237;vel. Pensando melhor, o sabor do cigarro era cereja e ele tinha cheiro de incenso. Ganhei de um amigo meu, duas semanas antes. Deveria ter trazido aquele baseado escondido na caixa de fita VHS. Me sinto pat&#233;tico.</p><p>N&#227;o quero deixar que essas lembran&#231;as me afastem daqui. Ansiava por esse momento h&#225; tempo demais, desde que conversamos pela primeira vez. E agora estamos ao lado dessa &#225;rvore retorcida, nos beijando pela primeira vez, trocando sabores de chiclete e cigarros de cereja. Sentando na escadaria do teatro, caminhando por a&#237;, meu bra&#231;o ao seu redor. Minha m&#227;o segura seu ombro. Imitamos a fotografia que ilustra a capa de um de nossos &#225;lbuns preferidos (<em>The freewheelin&#8217; Bob Dylan</em>). Sentados num banco da pra&#231;a. Rindo da cara de um desconhecido. "Ele parece o Truman Capote&#8221;.</p><p><strong>bio 2016.docx | &#218;ltima modifica&#231;&#227;o: 12/12/2016 14:25</strong></p><p>Matheus Borges &#233; um escritor e cineasta brasileiro, nascido em 1992. Cursou cinema entre 2010 e 2013 e produziu os curtas-metragens de fic&#231;&#227;o cient&#237;fica <em>Radar</em> e<em> Sombras na esfera celeste</em>.<em> </em>Desde ent&#227;o, tem estudado literatura. Seu conto &#8220;Camelo&#8221; foi publicado na colet&#226;nea <em>Onisciente Contempor&#226;neo </em>em 2016. O conto &#8220;As nuvens&#8221; foi publicado na revista luso-brasileira Subversa.</p><p><strong>quote.docx | &#218;ltima modifica&#231;&#227;o: 22/06/2018 11:30</strong></p><p>&#8220;Modern man has transformed himself into a commodity; he experiences his life energy as an investment with which he should make the highest profit, considering his position and the situation on the personality market. He is alienated from himself, from his fellow men and from nature. His main aim is profitable exchange of his skills, knowledge, and of himself, his &#8216;personality package&#8217; with others who are equally intent on a fair and profitable exchange. Life has no goal except the one to move, no principle except the one of fair exchange, no satisfaction except the one to consume.&#8221; Erich Fromm</p><p><strong>timoshenko.docx | &#218;ltima modifica&#231;&#227;o: 25/09/2020 09:42</strong></p><p>Um homem sozinho num quarto de hotel, sentado &#224; mesa. Seu nome &#233; Konstantin Lazarovich Timoshenko. Ele veste roupa social, tem a gravata frouxa. Timoshenko segura uma caneta, olha fixamente para a folha de caderno, ainda em branco. Fora de quadro, um r&#225;dio chia, transmitindo not&#237;cias. Timoshenko afrouxa as mangas, d&#225; in&#237;cio &#224; escrita de mais uma carta.</p><div><hr></div><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg" width="129" height="195.75113808801214" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:false,&quot;imageSize&quot;:&quot;normal&quot;,&quot;height&quot;:1000,&quot;width&quot;:659,&quot;resizeWidth&quot;:129,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros&quot;,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:&quot;center&quot;,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros" title="Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>Meu novo livro, <em>Frankito em chamas</em>, j&#225; est&#225; nas livrarias e tamb&#233;m pode ser encontrado no <a href="https://todavialivros.com.br/livros/frankito-em-chamas">site da Todavia</a> e na <a href="https://a.co/d/f6dbXmK">Amazon</a>.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Instagramáveis]]></title><description><![CDATA[Coisas que podem ou n&#227;o estar relacionadas]]></description><link>https://matheusmedeborg.substack.com/p/instagramaveis</link><guid isPermaLink="false">https://matheusmedeborg.substack.com/p/instagramaveis</guid><dc:creator><![CDATA[Matheus Borges]]></dc:creator><pubDate>Wed, 03 Sep 2025 18:19:21 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YXQQ!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fab3fb1af-e9a0-47d5-8ce6-0b749c6ae080_1496x900.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<ol><li><p><strong>Listas</strong></p></li></ol><p>No Instagram, Felipe Barbosa pediu que eu listasse 10 livros que me marcaram. </p><p>Eu respondi: <em>High-rise</em> (J. G. Ballard); <em>A good man is hard to find</em> (Flannery O&#8217;Connor);<em> Solenoide</em> (Mircea Cartarescu);<em> Lolita</em> (Vladimir Nabokov); <em>A redoma de vidro</em> (Sylvia Plath); <em>Ru&#237;do branco</em> (Don DeLillo); <em>Surfacing</em> (Margaret Atwood); <em>Nas profundezas</em> (Joris-Karl Huysmans);<em> Noturno do Chile</em> (Roberto Bola&#241;o); <em>M&#234;s de c&#227;es danados</em> (Moacyr Scliar).</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Felipe tamb&#233;m pediu que eu listasse 10 filmes, obedecendo os mesmos crit&#233;rios.</p><p>Eu respondi:<em> Cidade dos sonhos </em>(David Lynch); <em>O rosto</em> (Ingmar Bergman); <em>Possess&#227;o </em>(Andrzej Zulawski); <em>Beijos proibidos</em> (Fran&#231;ois Truffaut); <em>O discreto charme da burguesia</em> (Luis Bu&#241;uel); <em>Down by law</em> (Jim Jarmusch); <em>Thief</em> (Michael Mann); <em>De olhos bem fechados</em> (Stanley Kubrick); <em>As mil e uma noites </em>(Miguel Gomes); <em>Quatro noites de um sonhador</em> (Robert Bresson).</p><p><a href="https://www.instagram.com/p/DNlZ4DcO9jz/">[Aqui as listas]</a></p><p>Depois, Felipe sugeriu que eu escolhesse um dos livros na minha lista e escrevesse um pequeno coment&#225;rio.</p><p>Eu respondi: &#8220;<em>Solenoide</em> n&#227;o apenas aborda, mas tamb&#233;m incorpora a capacidade transfigurativa da escrita &#8211; e tamb&#233;m da recusa de escrever. Monol&#237;tico, o livro de Cartarescu transborda ideias, imagens e hist&#243;rias, situadas no limiar da realidade e que parecem devorar o mundo pelas bordas. &#201; admir&#225;vel que Cartarescu conduza o leitor por quase 800 p&#225;ginas e nunca viole seus grandes mist&#233;rios. Insond&#225;veis, s&#227;o os pr&#243;prios mist&#233;rios da imagina&#231;&#227;o. Nada que se diga a respeito de<em> Solenoide</em> est&#225; &#224; altura da experi&#234;ncia de l&#234;-lo. &#201; um microsc&#243;pio investigando planetas. &#201; um telesc&#243;pio observando os insetos. &#201; um aparato curioso de fun&#231;&#227;o inexplic&#225;vel. &#201; um romance, na apoteose de sua forma.&#8221;</p><p><a href="https://www.instagram.com/p/DNmiuE_upVK/">[Aqui o coment&#225;rio]</a></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YXQQ!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fab3fb1af-e9a0-47d5-8ce6-0b749c6ae080_1496x900.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YXQQ!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fab3fb1af-e9a0-47d5-8ce6-0b749c6ae080_1496x900.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YXQQ!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fab3fb1af-e9a0-47d5-8ce6-0b749c6ae080_1496x900.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YXQQ!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fab3fb1af-e9a0-47d5-8ce6-0b749c6ae080_1496x900.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YXQQ!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fab3fb1af-e9a0-47d5-8ce6-0b749c6ae080_1496x900.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YXQQ!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fab3fb1af-e9a0-47d5-8ce6-0b749c6ae080_1496x900.jpeg" width="1456" height="876" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ab3fb1af-e9a0-47d5-8ce6-0b749c6ae080_1496x900.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:876,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" 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rela&#231;&#245;es ap&#243;s o fim do matrim&#244;nio tradicional que regeu a vida de nossos pais (que tinha l&#225; suas complica&#231;&#245;es espec&#237;ficas tamb&#233;m, claro). Existe um grande medo no livro de o melhor j&#225; ter passado. De j&#225; termos feito nosso grande trabalho. Ou pior ainda, de a chance de termos dado o melhor de si ter passado sem que perceb&#234;ssemos, que tenhamos deixado passar, distra&#237;dos com tudo o mais ao redor. O romance se sustenta na escrita impec&#225;vel e com humor na medida certa de Matheus Borges. &#201; uma escrita muito elegante, bem-humorada, que te leva suavemente pelo romance de modo que &#233; f&#225;cil ler o livro em pouqu&#237;ssimas sentadas.&#8221;</p><p>Eu respondo: Obrigado, Daniel.</p><p>Matheus, <a href="https://www.instagram.com/p/DNLMqNTu5eI/">do perfil @desleitor</a>, disse que &#8220;ao longo da leitura, vez ou outra me vinha a vontade de parar e escrever sobre tudo o que senti e sobre o quanto me reconheci naquelas p&#225;ginas. [&#8230;] entre os v&#225;rios temas, me chamou muito a aten&#231;&#227;o a forma como o autor trata a rela&#231;&#227;o com a fic&#231;&#227;o e com o imagin&#225;rio, o mim&#233;tico de modo geral. a literatura e o cinema surgem como ref&#250;gio para imagens traum&#225;ticas; toda a proje&#231;&#227;o na hist&#243;ria fict&#237;cia criada por matheus borges funciona quase como uma resposta instintiva da nossa condi&#231;&#227;o humana diante da necessidade de representa&#231;&#227;o, de encontrar sentido naquilo que &#233; inventado.&#8221;</p><p>Eu respondo: Obrigado, Matheus.</p><p>E Alexandre Kovacs, numa extensa resenha <a href="https://www.mundodek.com/2025/08/matheus-borges-frankito-em-chamas.html">que tamb&#233;m foi publicada em seu blog</a>, disse que <em>Frankito em chamas </em>&#8220;&#233; uma reflex&#227;o sobre as dificuldades do amadurecimento, os desencontros afetivos e a busca por algum sentido existencial em nossa &#233;poca.&#8221;</p><p>Eu respondo: Obrigado, Alexandre.</p><ol start="3"><li><p><strong>Perguntas</strong></p></li></ol><p>Numa caixinha de perguntas, um leitor perguntou se alguma coisa havia mudado na minha vida ap&#243;s ter publicado meu novo livro por uma editora de verdade.</p><p>Eu respondi: &#8220;Talvez tenha mudado um pouco a maneira como as pessoas olham para o meu trabalho, uma vez que tem um elemento tipicamente brasileiro desse encanto mesquinho com o &#8216;dar certo&#8217;. O escritor que &#8216;publica em editora&#8217; vira um equivalente liter&#225;rio da onipresente figura do &#8216;primo que passou no concurso&#8217;. Mas na pr&#225;tica n&#227;o mudou nada. Porque, qualquer que seja a editora, ser escritor no Brasil &#233; um caminho que se trilha de forma independente, o tempo todo.&#8221;</p><p>Outro leitor perguntou de que forma eu interpretava a capacidade hist&#243;rica do Rio Grande do Sul em formar novos escritores.</p><p>Eu respondi: &#8220;Acho que isso tem muito a ver com a forma&#231;&#227;o econ&#244;mica e social do estado e que a hist&#243;ria vai ainda mais longe, pelo menos at&#233; o fim do s&#233;culo XIX &#8211; dos estancieiros escravocratas que mandavam seus herdeiros para estudar nas universidades europeias ao estabelecimento de uma pequena burguesia urbana onde se podia cultivar pretens&#245;es liter&#225;rias. Na primeira metade do s&#233;culo XX, o RS v&#234; um grande influxo de alem&#227;es num momento em que floresciam as vanguardas. Depois, temos a cria&#231;&#227;o da Editora do Globo, de forma que nos anos 70 e 80 o RS j&#225; tem essa cara de &#8216;estado que produz literatura&#8217;. A partir da&#237;, existe a reprodu&#231;&#227;o e manuten&#231;&#227;o dessa voca&#231;&#227;o, agora elemento constitutivo da identidade do estado. Quando chegamos ao s&#233;culo XXI, essa tradi&#231;&#227;o j&#225; est&#225; instalada nas oficinas e nas universidades. Mais importante do que isso, existe agora uma abertura a outras culturas, uma vontade de democratizar esses conhecimentos, de descentralizar e exportar o que &#233; produzido e estudado por aqui.&#8221;</p><p>Outro leitor perguntou como eu definiria os anos 90 numa frase.</p><p>Eu respondi: &#8220;Verifique a marca indel&#233;vel na parte superior, o selo da UBV na lombada e o holograma do Mickey Feiticeiro.&#8221;</p><ol start="4"><li><p><strong>Orelha</strong></p></li></ol><p><a href="https://www.instagram.com/p/DLime1XABBY">Minha amiga Irka Barrios est&#225; relan&#231;ando seu primeiro livro de contos, </a><em><a href="https://www.instagram.com/p/DLime1XABBY">J&#250;piter marte saturno</a></em><a href="https://www.instagram.com/p/DLime1XABBY">, dessa vez pela Zouk</a>.<em> J&#250;piter</em> foi lan&#231;ado originalmente em 2022, pela Uboro Lopes, bem quando eu tamb&#233;m estava colocando na rua o meu primeiro romance,<em> Mil placebos, </em>pela mesma editora. S&#227;o livros irm&#227;os, ou primos, daqueles que crescem juntos. Irka e eu tivemos uma parceria muito legal na divulga&#231;&#227;o desses livros: participamos de eventos, tivemos conversas, conhecemos leitores. Em fun&#231;&#227;o disso, Irka pediu que eu escrevesse a orelha para essa nova encarna&#231;&#227;o de <em>J&#250;piter</em>.</p><p>Eu respondi:</p><p><em>&#8220;Uma noite qualquer, ap&#243;s um dia sem import&#226;ncia, o buraco da canela clamou por aten&#231;&#227;o.&#8221; Assim narra Irka Barrios o momento em que ocorre uma virada crucial em &#8220;Parte de dentro&#8221;, conto que acompanha a peculiar rela&#231;&#227;o de uma vida inteira entre uma mulher e o ferimento em sua perna.</em></p><p><em>A frase surge pouco antes do curativo metaf&#243;rico ser arrancado de forma definitiva, expondo a ferida em sua absurda totalidade. Mais do que uma virada na hist&#243;ria, entretanto, essa frase &#233; uma exposi&#231;&#227;o de m&#233;todo: Irka Barrios &#233;, por excel&#234;ncia, uma narradora de noites quaisquer, ap&#243;s dias sem import&#226;ncia, em que diversos tipos de ferida clamam por aten&#231;&#227;o. E em </em>J&#250;piter Marte Saturno<em> n&#227;o faltam escoria&#231;&#245;es e traumas para satisfazer a aten&#231;&#227;o do leitor.</em></p><p><em>No conto &#8220;Bonec&#227;o&#8221;, a chegada de uma loja de departamentos (e de seu imenso mascote) &#233; arauto de um dist&#250;rbio ainda mais profundo na vida de uma fam&#237;lia. Em &#8220;Drosophila&#8221;, uma infesta&#231;&#227;o de moscas gigantes atormenta um grupo de profissionais de sa&#250;de. No conto que d&#225; t&#237;tulo ao livro, a ins&#243;lita possibilidade de desordem c&#243;smica &#233; menos perturbadora do que os eventos transcorridos na vizinhan&#231;a.</em></p><p><em>Publicado originalmente em 2022, </em>J&#250;piter<em> venceu o pr&#234;mio AGES nas categorias Narrativa Curta e Livro do Ano. Tamb&#233;m partes do livro obtiveram reconhecimento individual: o conto &#8220;Parte de dentro&#8221; recebeu o Pr&#234;mio Odisseia de Literatura Fant&#225;stica e &#8220;Coelho branco&#8221;, o pr&#234;mio Brasil em Prosa, organizado pelo jornal O Globo em parceria com a Amazon. Em sua nova edi&#231;&#227;o, o livro ainda inclui duas novas hist&#243;rias, &#8220;Noite morna em pleno inverno&#8221; e &#8220;O estreito&#8221;.</em></p><p><em>Ao longo do livro, Barrios faz irromper estranheza e desconforto no cotidiano previs&#237;vel das vidas comuns. Os contos desse livro tornam elementos do dia a dia em imagens tot&#234;micas de um inc&#244;modo muitas vezes incerto, em epis&#243;dios curtos onde a verdadeira natureza do mundo se revela de forma bestial. S&#227;o tumores em forma de hist&#243;ria. Malignos, ainda que banais. Letais, ainda que pequenos.</em></p><p><em>E Irka Barrios, talhando palavras com o sangue frio de quem manipula um bisturi, n&#227;o hesita um segundo sequer em sua delicada opera&#231;&#227;o.</em></p><div><hr></div><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg" width="129" height="195.75113808801214" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:false,&quot;imageSize&quot;:&quot;normal&quot;,&quot;height&quot;:1000,&quot;width&quot;:659,&quot;resizeWidth&quot;:129,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros&quot;,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:&quot;center&quot;,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros" title="Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>Meu novo livro, <em>Frankito em chamas</em>, j&#225; est&#225; nas livrarias e tamb&#233;m pode ser encontrado no <a href="https://todavialivros.com.br/livros/frankito-em-chamas">site da Todavia</a> e na <a href="https://a.co/d/f6dbXmK">Amazon</a>.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Não é literatura]]></title><description><![CDATA[De que podemos chamar um conjunto de palavras impresso em algumas dezenas de centenas de folhas de papel?]]></description><link>https://matheusmedeborg.substack.com/p/nao-e-literatura</link><guid isPermaLink="false">https://matheusmedeborg.substack.com/p/nao-e-literatura</guid><dc:creator><![CDATA[Matheus Borges]]></dc:creator><pubDate>Mon, 01 Sep 2025 13:53:24 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!IPcr!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffcba159c-512a-45cf-afb5-59fa6b6d6033_1920x1074.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Causou furor, no &#250;ltimo s&#225;bado, a publica&#231;&#227;o de uma entrevista na Folha de S&#227;o Paulo em que a professora Aurora Bernardini afirma que boa parte dos escritores contempor&#226;neos (especialmente os mais vendidos) n&#227;o estariam fazendo literatura. Tomando como exemplo a produ&#231;&#227;o bibliogr&#225;fica de Itamar Vieira Jr., Annie Ernaux e Elena Ferrante, Bernardini disse que "podem at&#233; ser interessantes, mas n&#227;o s&#227;o literatura".</p><p>&#192; primeira vista, essa afirma&#231;&#227;o pode causar estranheza. Como pode um livro n&#227;o ser literatura? De que podemos chamar um conjunto de palavras impresso em algumas dezenas de centenas de folhas de papel? A que corpo coletivo pertence um livro, por melhor ou pior que ele seja? A resposta a essas perguntas nos parece &#243;bvia: se &#233; um livro, se &#233; fic&#231;&#227;o, logo pertence &#224; classifica&#231;&#227;o "literatura". &#192; medida, no entanto, que analisamos melhor a produ&#231;&#227;o de livros no Brasil atual, percebemos que Bernardini tem raz&#227;o.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>O <em>Torto arado</em> de Vieira Jr. &#233;, na verdade, uma m&#225;quina de lavar roupas. Jeferson Ten&#243;rio, em <em>O avesso da pele</em>, pode parecer estar fazendo literatura, mas n&#227;o se engane: &#233; uma furadeira. Em <em>O crime do bom nazista</em>, Samir Machado de Machado esconde do leitor at&#233; a &#250;ltima p&#225;gina que o livro &#233; na verdade um jogo de panelas. Maria Val&#233;ria Rezende j&#225; publicou cercas de arame, piscinas infl&#225;veis e alicates de cut&#237;cula. Michel Laub &#233; um habilidoso fabricante de cestos de vime e os livros de Veronica Stigger s&#227;o na verdade azulejos.</p><p>Em seu multifacetado livro de contos, <em>Nostalgias canibais</em>, Odorico Leal conseguiu fazer, com apenas um livro, um len&#231;ol, um cubo m&#225;gico, um arranjo de flores e uma mesa de f&#243;rmica. Quem se habituou ao estilo seco de Ana Paula Maia sabe que ela faz na verdade implementos agr&#237;colas dos mais variados. Andr&#233; de Leones, por sua vez, pode parecer estar fazendo literatura, mas na pr&#225;tica &#233; um dissimulado panificador. Paulo Scott nos oferece gravatas.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!IPcr!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffcba159c-512a-45cf-afb5-59fa6b6d6033_1920x1074.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!IPcr!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffcba159c-512a-45cf-afb5-59fa6b6d6033_1920x1074.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!IPcr!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffcba159c-512a-45cf-afb5-59fa6b6d6033_1920x1074.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!IPcr!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffcba159c-512a-45cf-afb5-59fa6b6d6033_1920x1074.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!IPcr!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffcba159c-512a-45cf-afb5-59fa6b6d6033_1920x1074.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!IPcr!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffcba159c-512a-45cf-afb5-59fa6b6d6033_1920x1074.png" width="1456" height="814" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/fcba159c-512a-45cf-afb5-59fa6b6d6033_1920x1074.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:814,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:2202752,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/i/172480441?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffcba159c-512a-45cf-afb5-59fa6b6d6033_1920x1074.png&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!IPcr!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffcba159c-512a-45cf-afb5-59fa6b6d6033_1920x1074.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!IPcr!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffcba159c-512a-45cf-afb5-59fa6b6d6033_1920x1074.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!IPcr!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffcba159c-512a-45cf-afb5-59fa6b6d6033_1920x1074.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!IPcr!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffcba159c-512a-45cf-afb5-59fa6b6d6033_1920x1074.png 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>Luisa Geisler &#233; uma ex&#237;mia sorveteira, Bruno Ribeiro fabrica salsichas artesanais e Daniel Galera produz ornamentos para aqu&#225;rios. Jarid Arraes faz tapetes, Irka Barrios vende tijolos e Roberto Denser, pizzas de quatro queijos. Giovana Madalosso faz esquadrias de alum&#237;nio e Tobias Carvalho, pinheirinhos de Natal. Com seu primeiro romance publicado, <em>Como nascem os fantasmas</em>, a talentosa costureira Verena Cavalcante fez um lindo vestidinho de boneca. O casal Tiago Germano e D&#233;bora Ferraz, por sua vez, s&#227;o uma cooperativa que viabiliza tomates selecionados (muito saborosos, diga-se de passagem).</p><p>Um dos melhores romances brasileiros da &#250;ltima d&#233;cada, <em>Noite dentro da noite</em>, de Joca Reiners Terron, surpreendentemente &#233; uma air fryer. Nara Vidal despertou a aten&#231;&#227;o de leitores com seus livros que, na verdade, s&#227;o bibel&#244;s de porcelana. Fabiane Guimar&#227;es oferece uma variedade de garfos e facas, al&#233;m de outros talheres. Micheliny Verunschk faz caixas de f&#243;sforo e Jos&#233; Falero, roldanas para portas de correr. E o que dizer dos livros de Antonio Xerxenesky? S&#227;o cocadas.</p><p>Roberto Menezes faz charutos. J&#225; os livros de Vinicius Portella, s&#227;o cachorrinhos de pilha que d&#227;o cambalhotas. <em>A mulher de dois esqueletos</em>, livro de Julia Dantas, &#233; uma travessa de gelatina. </p><p>Quanto a mim, basta dizer que acabo de publicar meu novo livro, <em>Frankito em chamas</em>, o que n&#227;o significa em hip&#243;tese alguma que intentei produzir literatura. Obviamente, trata-se de uma caixa de parafusos.</p><div><hr></div><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg" width="129" height="195.75113808801214" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:false,&quot;imageSize&quot;:&quot;normal&quot;,&quot;height&quot;:1000,&quot;width&quot;:659,&quot;resizeWidth&quot;:129,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros&quot;,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:&quot;center&quot;,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros" title="Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>Meu novo livro, <em>Frankito em chamas</em>, j&#225; est&#225; &#224; venda nas livrarias e ferragens e pode ser encontrado no <a href="https://todavialivros.com.br/livros/frankito-em-chamas">site da Todavia</a> e na <a href="https://a.co/d/f6dbXmK">Amazon</a>.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Diálogo para Veríssimo]]></title><description><![CDATA["Tu viu quem morreu?"]]></description><link>https://matheusmedeborg.substack.com/p/dialogo-para-verissimo</link><guid isPermaLink="false">https://matheusmedeborg.substack.com/p/dialogo-para-verissimo</guid><dc:creator><![CDATA[Matheus Borges]]></dc:creator><pubDate>Sat, 30 Aug 2025 17:10:57 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sqQ3!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F36dbd79e-808b-4fb8-9c9c-2126c489fd55_524x585.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>"Tu viu quem morreu?"</p><p>"Quem?"</p><p>"O Ver&#237;ssimo."</p><p>"Qual deles? O pai ou o filho?"</p><p>"O filho n&#233;, o pai j&#225; morreu faz d&#233;cadas."</p><p>"Ah bom. Igual, nunca li."</p><p>"O pai ou o filho?"</p><p>"Nenhum dos dois."</p><p>"Nada?"</p><p>"Tenho pregui&#231;a daqueles livros enormes."</p><p>"Esse &#233; o pai, at&#233; entendo. Mas o filho... Tu nunca leu o Analista de Bag&#233;?"</p><p>"N&#227;o gosto de an&#225;lise e detesto Bag&#233;."</p><p>"Nem as Com&#233;dias da Vida Privada?"</p><p>"N&#227;o tenho senso de humor e convenhamos, que termo &#233; esse, 'vida privada'? Parece que o cara est&#225; dizendo que botou uma televis&#227;o no banheiro."</p><p>"Ele desenhava tamb&#233;m. Fez v&#225;rias tirinhas e cartuns."</p><p>"Gibi? Coisa de crian&#231;a."</p><p>"E foi m&#250;sico de jazz, ainda por cima. Tocava muito bem o saxofone."</p><p>"Odeio jazz. E o som do saxofone &#233; t&#227;o irritante."</p><p>"Ele falava de pol&#237;tica."</p><p>"Odeio pol&#237;tica."</p><p>"Um observador do cotidiano."</p><p>"Quem se importa com o cotidiano?"</p><p>"Vem c&#225;, mas tu n&#227;o gosta de nada?"</p><p>"Gosto de ver os jogos do Inter."</p><p>"O Ver&#237;ssimo tamb&#233;m gostava."</p><p>"Ent&#227;o devia ser boa gente."</p><p>Ao genial e m&#250;ltiplo LFV, essa imita&#231;&#227;o rid&#237;cula.</p><p>Descanse em paz.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sqQ3!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F36dbd79e-808b-4fb8-9c9c-2126c489fd55_524x585.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sqQ3!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F36dbd79e-808b-4fb8-9c9c-2126c489fd55_524x585.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sqQ3!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F36dbd79e-808b-4fb8-9c9c-2126c489fd55_524x585.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sqQ3!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F36dbd79e-808b-4fb8-9c9c-2126c489fd55_524x585.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sqQ3!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F36dbd79e-808b-4fb8-9c9c-2126c489fd55_524x585.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sqQ3!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F36dbd79e-808b-4fb8-9c9c-2126c489fd55_524x585.jpeg" width="524" height="585" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/36dbd79e-808b-4fb8-9c9c-2126c489fd55_524x585.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:&quot;normal&quot;,&quot;height&quot;:585,&quot;width&quot;:524,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:24624,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" 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url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2SPL!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3358224d-87ac-4b98-a24c-964f01dae1b0_1200x1200.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Em 2019, ao assistir ao rec&#233;m-lan&#231;ado document&#225;rio <em>Democracia em vertigem</em>, de Petra Costa, fiquei sem f&#244;lego. N&#227;o que a cr&#244;nica narcisista da derrocada pol&#237;tica do Brasil a partir de 2013 tivesse me causado um grande impacto (dei 2,5 estrelas no Letterboxd). Nem mesmo espanto, ou emo&#231;&#227;o. Afinal, j&#225; est&#225;vamos no sexto m&#234;s do governo Bolsonaro e eu j&#225; conhecia muito bem o final do filme. Ainda assim, fiquei sem f&#244;lego. Algo n&#227;o estava certo. Fui levado ao hospital e descobri que estava num quadro de pneumonia, agravado por broncoespasmo. Estava, em resumo, com uma inflama&#231;&#227;o respirat&#243;ria que havia se espalhado a partir dos alv&#233;olos e chegado aos br&#244;nquios, contraindo-os e quase paralisando-os.</p><p>Fui internado, tratado com antibi&#243;ticos e aconselhado que parasse de fumar. Sim, essa &#233; uma informa&#231;&#227;o crucial: naquele tempo eu costumava fumar uma carteira de cigarro por dia, h&#225;bito que teve in&#237;cio por volta do ano 2010. &#201; de causar surpresa que eu tenha tido um tro&#231;o t&#227;o grave? Acho que n&#227;o. Mais surpreendente talvez seja que, em meio a uma terr&#237;vel falta de ar que me deixou com l&#225;bios azulados, eu tenha logado no Letterboxd para avaliar um filme mediano.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2SPL!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3358224d-87ac-4b98-a24c-964f01dae1b0_1200x1200.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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Havia passado dias sem cigarro no hospital, recebendo doses de nicotina diretamente na pele, com o uso de adesivos. A partir da&#237;, parei de fumar. N&#227;o que eu<em> quisesse</em> parar de fumar. Mas como eu havia sido for&#231;ado, achei interessante aproveitar a oportunidade.<em> </em>Um dia, num s&#225;bado de manh&#227;, assisti a uma desoladora palestra da fil&#243;sofa D&#233;borah Danowski sobre negacionismo clim&#225;tico. Ao fim da palestra, entrei numa banca de jornal da rua Doutor Flores e comprei um cigarro avulso.</p><p>&#201; outro desses momentos inesquec&#237;veis: assim como sempre lembrarei de <em>Democracia em vertigem</em> como o filme visto na noite em que n&#227;o conseguia mais respirar, tamb&#233;m vou associar eternamente o prazer daquele primeiro cigarro em tr&#234;s meses &#224; profunda ang&#250;stia existencial do planeta Terra em colapso.</p><p>N&#227;o cheguei a me sentir decepcionado com a viola&#231;&#227;o do per&#237;odo de abstin&#234;ncia. Em vez disso, aceitei que n&#227;o conseguiria e que n&#227;o estava preparado para deixar de fumar. A experi&#234;ncia da interna&#231;&#227;o, no entanto, havia me dado um susto e me deixado em alerta. Se eu n&#227;o era capaz de cortar o h&#225;bito em definitivo, podia ao menos reduzir meu consumo de cigarros. Assim, parei de comprar ma&#231;os e carteiras. Cigarro, de agora em diante, somente o avulsinho das bancas de jornal e dos botecos. </p><p>Crucialmente, comecei a conversar com ex-fumantes sobre m&#233;todos para deixar de fumar. O pai de um amigo me disse que um dia a esposa retornou do supermercado com um pacote de cigarros e ele, decidido, levantou da cama e jogou tudo no lixo. Desde ent&#227;o, nunca mais fumou. Minha av&#243; contou que resolveu parar de fumar depois de conversar com outra senhora na sala de espera de um consult&#243;rio m&#233;dico. A partir da&#237;, toda vez que sentia vontade de fumar, bebia um copo d&#8217;&#225;gua. Nunca mais fumou.</p><p>O mais curioso de todos foi o gar&#231;om de uma galeteria em Caxias do Sul, que narrou que havia parado de fumar duas d&#233;cadas atr&#225;s, mas sempre levava no bolso uma carteira de cigarro fechada. Por qu&#234;? Porque ele precisava olhar para o cigarro e reafirmar a si pr&#243;prio que estava continuamente escolhendo n&#227;o fumar.</p><p>Aqui eu poderia fazer um par&#234;ntese para contar como, muito cedo, perdi familiares para doen&#231;as causadas pelo cigarro e que testemunhei de perto o sofrimento causado por um c&#226;ncer na fam&#237;lia. Poderia dizer que sou asm&#225;tico e que isso era um agravante na preocupa&#231;&#227;o com meu terr&#237;vel h&#225;bito. Poderia tamb&#233;m fazer uma autoan&#225;lise, repensar minha rela&#231;&#227;o com o cigarro, como fui exposto desde muito cedo ao cigarro como o acess&#243;rio indispens&#225;vel da introspec&#231;&#227;o dos escritores e da rebeldia dos rock stars.</p><p>Estou reconhecendo que poderia fazer tudo isso, ok, mas n&#227;o &#233; o que vou fazer, pois esse n&#227;o &#233; o tipo de texto que busca ganhar o leitor pela empatia com o sofrimento ou pela capacidade argumentativa de uma an&#225;lise cultural. Esse &#233; um texto sobre o ano em que parei de fumar. E 2019 definitivamente n&#227;o foi esse ano.</p><p>Entrei 2020 habituado &#224; rotina de ter que me deslocar &#224; padaria toda vez que dava vontade de fumar. Tendo conseguido reduzir meu consumo para algo entre dois e quatro cigarros por dia, achei que as coisas estavam se encaminhando bem e resolvi que poderia tentar parar de fumar em definitivo. Desde a interna&#231;&#227;o, vinha recebendo e-mails do plano de sa&#250;de sobre o assunto e um dia resolvi marcar uma consulta. Fui a uma m&#233;dica especialista no assunto. Ela me parabenizou pela decis&#227;o e disse que eu deveria fazer alguns exames. A partir da&#237;, nos ver&#237;amos uma vez por m&#234;s e ela me orientaria no tratamento. Achei &#243;timo. Ao fim da consulta, ela conferiu uma notifica&#231;&#227;o no celular e, incapaz de esconder a preocupa&#231;&#227;o, me disse: &#8220;Acabaram de registrar o primeiro caso de coronav&#237;rus em Porto Alegre&#8221;.</p><p>Nas semanas seguintes, tudo mudou, &#224; medida que nos habitu&#225;vamos a uma nova realidade. N&#227;o acho que seja necess&#225;rio descrever aqui o que todo mundo lembra muito bem: as m&#225;scaras, o isolamento, as mortes na televis&#227;o, o negacionismo e haja et ceteras para tudo o que passou a ocorrer naqueles dias. Ao sair do consult&#243;rio, segui caminhando pela Miguel Tostes em dire&#231;&#227;o &#224; Osvaldo Aranha, atento &#224; movimenta&#231;&#227;o dos pedestres, pela primeira vez sentindo aquela desconfian&#231;a de que estavam todos contaminados pelo v&#237;rus. Na Fernandes Vieira, parei numa banca e comprei um cigarro avulso, que fumei parado na esquina.</p><p>O ano de 2020 se une a 2021 e ao come&#231;o de 2022 como uma mem&#243;ria pastosa de um tempo simultaneamente compacto e gigantesco. Talvez voc&#234; entenda o que eu digo. A pandemia parece que foi ontem, mas tamb&#233;m &#233; como se tudo tivesse acontecido vinte anos atr&#225;s. &#192;s vezes as mem&#243;rias s&#227;o extremamente reais, mas tem dias em que lembramos das coisas como se tivessem acontecido num longo pesadelo, muit&#237;ssimo elaborado e especialmente v&#237;vido.</p><p>No meu caso, eu lembro de sentir afli&#231;&#227;o, desesperan&#231;a e desespero. Lembro da ansiedade e de ter voltado a fumar uma carteira de cigarro por dia em meados daquele abril de 2020 como um jeito de lidar com o pavor e o t&#233;dio. Eu tive muito medo de morrer. Mas tamb&#233;m lembro que nos primeiros dias da pandemia, circulava na internet uma suposta pesquisa demonstrando que fumantes talvez tivessem mais chances de sobreviver a uma infec&#231;&#227;o pelo v&#237;rus. Aquilo n&#227;o fazia sentido na minha cabe&#231;a, mas o mundo inteiro j&#225; n&#227;o fazia sentido. Ent&#227;o talvez fosse verdade.</p><p>Eu tenho plena consci&#234;ncia da inverossimilhan&#231;a dessa sequ&#234;ncia de eventos. Sou ficcionista e, se isso aparecesse num texto de fic&#231;&#227;o, eu diria que &#233; uma constru&#231;&#227;o extremamente did&#225;tica, algo que escancara o subtexto e n&#227;o deixa nada &#224; imagina&#231;&#227;o do leitor. Uma narrativa que come&#231;a falando de uma terr&#237;vel crise de falta de ar enquanto o protagonista assiste a um filme que mostra como a pol&#237;tica brasileira abriu caminho para Jair Bolsonaro. A&#237; a palestra sobre negacionismo e o protagonista fumando um cigarro avulso, ativamente negando a gravidade dos malef&#237;cios do cigarro e da gravidade de seus problemas de sa&#250;de. Por fim, o primeiro caso de coronav&#237;rus em Porto Alegre, pren&#250;ncio do caos que se instalou no pa&#237;s, um pouco pelo v&#237;rus e outro tanto pelo negacionismo do governo Bolsonaro. &#201; inveross&#237;mil, mas n&#227;o h&#225; como obrigar a realidade a se encaixar em nossas defini&#231;&#245;es de verossimilhan&#231;a.</p><p>Outra cena inveross&#237;mil &#233; a seguinte: quando as vacinas finalmente chegaram ao Brasil, acabou que fui beneficiado por ser fumante e por ter sido internado devido a um quadro cr&#237;tico em 2019. Gra&#231;as a esse boletim m&#233;dico, fui imunizado ainda na primeira fase, num barrac&#227;o do ex&#233;rcito, junto com idosos acima de oitenta anos.</p><p>E quanto ao que me motivou a escrever esse texto? O ano em que parei de fumar? Isso ocorreu em janeiro de 2024, com orienta&#231;&#227;o m&#233;dica, aux&#237;lio de antidepressivos, seguindo &#224; risca o tratamento dos adesivos de nicotina e abrindo espa&#231;o na rotina para exerc&#237;cio f&#237;sico regular. Por via das d&#250;vidas, ainda n&#227;o assisti ao filme novo da Petra Costa.</p><div><hr></div><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg" width="129" height="195.75113808801214" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:false,&quot;imageSize&quot;:&quot;normal&quot;,&quot;height&quot;:1000,&quot;width&quot;:659,&quot;resizeWidth&quot;:129,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros&quot;,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:&quot;center&quot;,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros" title="Frankito em chamas eBook : Borges, Matheus: Amazon.com.br: Livros" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sV_m!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0db092c8-020e-4770-aac0-c4cc1eff3655_659x1000.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>Meu novo livro, <em>Frankito em chamas</em>, j&#225; est&#225; nas livrarias e tamb&#233;m pode ser encontrado no <a href="https://todavialivros.com.br/livros/frankito-em-chamas">site da Todavia</a> e na <a href="https://a.co/d/f6dbXmK">Amazon</a>.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://matheusmedeborg.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. 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